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Diversidade é a palavra usada para se referir à convivência entre diferentes grupos sociais (Foto: Gotta Be Worth It/Pexels)

Diversidade: por que ela é importante e como colocá-la em prática

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03.08.2023
Conheça os tipos de diversidade, conceitos importantes para ampliar a compreensão e a relação com inclusão e arquitetura
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Diversidade é um conceito usado para se referir a um conjunto variado de pessoas. Tem sido cada vez mais pautada no mundo político, social, cultural e até na arquitetura.

Para ouvir o artigo completo, clique no play abaixo:

Isso tem a ver com a tomada de consciência em relação à importância da diversidade. E também às graves consequências que a ausência dela gera para a sociedade.

Quer se aprofundar no tema? Então continue lendo para ficar por dentro de:

  • Outros conceitos essenciais;
  • Por que a diversidade é tão importante;
  • Os tipos de diversidade;
  • Se existe diversidade e inclusão na arquitetura;
  • E como colocar a diversidade em prática.

O que significa diversidade?

No dicionário, “diversidade” é um substantivo que caracteriza tudo aqui que é diverso, plural, múltiplo e, portanto, não homogêneo.

Mas, quando se trata do contexto social, a diversidade costuma ser usada para se referir à convivência entre pessoas de gêneros, orientação sexual, origem, religião, raça, classes sociais, idades diferentes — além de outros marcadores que nos tornam diversos.

A partir dessa multiplicidade, as trocas entre as pessoas se tornam mais ricas e as oportunidades de aprendizado aumentam.

O Brasil é um país criado a partir da miscigenação entre diferentes povos.

Porém, essa diversidade cultural brasileira foi construída em episódios dos quais jamais poderemos nos orgulhar, como a colonização portuguesa, a dizimação dos povos indígenas (ou originários) e a escravidão.

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A diversidade existe quando pessoas de diferentes grupos sociais podem conviver nos mesmos espaços (Foto: fauxels/Pexels)

Ainda hoje a sociedade brasileira sente os reflexos desses episódios, enraizados na cultura do país. Não por acaso, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo.

Diante disso, precisamos ressignificar a diversidade.

Em vez de enxergá-la como uma simples maneira de diferenciar as pessoas e apartá-las no convívio coletivo, as nossas diferenças devem ser valorizadas, encaradas como uma verdadeira fonte de riqueza.

Graças aos protagonismo de determinados grupos, sobretudo aqueles que mais sofrem com o preconceito e a discriminação, essa multiplicidade dos seres humanos tem entrado em evidência.

Mais do que isso, tem permitido às pessoas ocuparem lugares antes inimagináveis em espaços políticos, corporativos, culturais etc.

Ainda há muitas barreiras a se romper na luta contra os preconceitos de todos os tipos. 

Entretanto, precisamos reconhecer as conquistas que só foram possíveis por meio dos esforços de grupos cansados de serem discriminados por serem quem são.

Qual a importância da diversidade?

Depois de entender o conceito, talvez você já tenha uma ideia do porquê a diversidade é importante para todos nós.

Para clarear as ideias, confira a seguir alguns dos principais aspectos:

Formação de identidade

A identidade individual é formada a partir do reconhecimento da diferença. Ao nos relacionarmos com o outro, entramos em contato com a nossa subjetividade e reconhecemos nossas características.

Em outras palavras, só conseguirmos descobrir quem somos ao conhecer pessoas diferentes de nós.

Está aqui um motivo pelo qual a diversidade se mostra essencial, até mesmo para o nosso autoconhecimento.

Um indivíduo só pode se reconhecer negro, branco, indígena ou amarelo ao conhecer outro que é diferente dele. O mesmo vale para gênero, orientação sexual, classe social, religião, ter ou não ter algum tipo de deficiência, entre outros marcadores.

Combate ao preconceito e à discriminação

Você com certeza já deve ter ouvido falar em “fobia”, que é o medo ou aversão exagerada e geralmente irracional a alguma coisa.

Existem termos bastante popularizados criados para se referir a sentimentos negativos que pessoas sentem por outras, por exemplo:

  • Homofobia: medo, ódio, intolerância ou repulsa a pessoas que se atraem pelo mesmo gênero;
  • Transfobia: violência, repulsa, medo ou ações negativas contra pessoas transgênero (que não se identificam com o gênero que lhe atribuíram ao nascer);
  • Aporofobia: medo, rejeição, desprezo ou hostilidade contra pessoas pobres.

Apesar das inúmeras ressalvas que poderiam ser feitas, algumas vezes esse medo irracional surge devido à falta de conhecimento.

Por isso, a representatividade é fundamental para que todas as pessoas, sobretudo aquelas que fazem parte de grupos minorizados, sejam vistas, ocupem seus espaços de direito e tenham suas demandas escutadas.

Ainda, a representatividade se faz importante para que todos que um dia se sentiram diminuídos ou desprezados pela sociedade por conta de sua identidade sintam orgulho de si.

Favorecimento do diálogo

A diversidade contribui para algo que tem se imposto como um constante desafio: o diálogo entre as pessoas.

Por diversas razões, muita gente tem dificuldade de conversar, trocar ideias e ouvir o outro. Quando o outro tem uma opinião contrária ou diferente, o problema é maior ainda.

Mas, a partir do momento em que convivemos com quem é diferente de nós, a tendência é nos tornarmos mais abertos ao diálogo.

Isso mostra o peso da diversidade na aceitação e valorização da diferença.

Ao unir pontos de vistas diversos, seremos capazes de construir um mundo mais justo para todas as pessoas.

Inclusão

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A ausência de pessoas com deficiência em espaços sociais está ligada à invisibilização e discriminação (Foto: Sheep/Pexels)

“Inclusão” é um conceito ainda rodeado de dúvidas. Por conta disso, a participação das pessoas que enfrentam barreiras na sociedade — por questões sociais, culturais e históricas — continua longe de ser igualitária.

Ainda, muitas vezes a inclusão é associada apenas a pessoas com deficiência (PCDs).

Só que, na verdade, a inclusão se refere à participação real dos indivíduos, seja quais forem as características, condições e crenças de cada um.

Para que esse processo se torne efetivo, a compreensão, aceitação e valorização das diferenças são fundamentais.

Com o reconhecimento das potencialidades da diversidade, qualquer ambiente poderá ser acolhedor, respeitoso e aberto a todas as pessoas que queiram participar da convivência.

Criatividade e inovação

Além de construir um mundo mais justo e menos desigual, a diversidade se mostra importante para a criatividade e inovação, sabia?

Ao conviver com culturas diferentes, as pessoas se adaptam, aprendem com o novo, se tornam mais compreensivas e respeitosas.

E ao entrar em contato com outras perspectivas, a tendência é nos tornarmos mais criativos, mais capazes de “pensar fora da caixa”.

No mundo das artes e do trabalho, a diversidade permite compor times mais diversos, com visões mais abrangentes, fazendo a multiplicidade impulsionar a criatividade.

Em ambientes pouco diversos, a inovação é tímida, já que as novas ideias nem sempre são bem aceitas.

Diante disso, podemos dizer que a diversidade contribui para o desenvolvimento da sociedade.

Coletivamente e a partir de diferentes pontos de vista, a humanidade pode desenvolver soluções inovadoras para o mundo, que levem em conta as necessidades diversas das pessoas.

Leia mais:

Quais são os tipos de diversidade?

Conheça alguns dos tipos de diversidade que existem:

Diversidade de gênero

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A nova bandeira, além das listras coloridas e dos três tons da bandeira trans, possui o preto e o marrom, contemplando a diversidade racial (Foto: Lisett Kruusimäe/Pexels)

Em primeiro lugar, vale dizer que o gênero, muitas vezes confundido com sexo, nada tem a ver com características biológicas.

No entanto, costuma ser culturalmente atribuído ao nascer a partir do sexo biológico.

Já a identidade de gênero é como um indivíduo se identifica, por exemplo: homem, mulher ou pessoa não-binária.

Quando a pessoa se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer, dizemos que essa pessoa é cisgênera (ou cis). E quando não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer, dizemos que a pessoa é transgênera (ou trans).

Embora tenhamos avançado nessa pauta, a desigualdade de gênero ainda é uma realidade não só no Brasil como também em outros países.

Afinal, as mulheres continuam tendo que lutar para ter os mesmos acessos, direitos e privilégios que os homens. Tudo isso junto ao trabalho doméstico e de cuidado da família.

Não podemos deixar de mencionar também a transfobia. Infelizmente, o Brasil ocupa há anos o primeiro lugar no ranking dos países que mais matam pessoas trans no mundo.

Diversidade sexual

A orientação sexual diz respeito ao desejo e atração afetiva de cada pessoa. Trata-se de outro conceito que nada tem a ver com o sexo biológico.

Para além das relações heterossexuais, ou seja, entre homem e mulher, existe uma pluralidade de categorias usadas para se referir às relações sexuais e afetivas entre as pessoas.

Afinal, o desejo humano é complexo.

Ao longo da história da humanidade, o preconceito gerou graves consequências e muito sofrimento para quem não se enquadrava no padrão esperado.

Há quem se atraia só por mulheres, só por homens, por todos os gêneros ou por ninguém.

Conforme o debate avança, novos conceitos, termos e categorias começam a surgir ou se ressignificar.

A grande questão quando se trata de orientação sexual é entender que não existe certo ou errado, normal ou anormal.

Precisamos deixar os preconceitos de lado para que nós mesmos e todas as pessoas sejam livres para amar e se relacionar, reconhecendo e abraçando a diversidade.

Diversidade racial

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“I can’t breathe” (não consigo respirar, em português) se tornou o grito negro por justiça diante do assassinato de George Floyd pela polícia dos Estados Unidos (Foto: Life Matters/Pexels)

“Raça” é um conceito construído culturalmente, usado hoje para se referir a um grupo de pessoas que tenham descendência ou ancestral comum. E que, por isso, apresentam características físicas semelhantes.

Há também o termo “etnia”, atribuído a grupos culturalmente homogêneos. Ou seja, que possuem uma mesma origem, língua, religião e forma de agir.

Assim como a identidade de gênero, são vistos como marcadores sociais da diferença.

Já falamos aqui sobre aquele velho discurso de que vivemos num país miscigenado e culturalmente rico pela sua mistura de raças e etnias — que não deixa de ser verdade.

No entanto, essa diversidade étnico-racial nunca foi suficiente para garantir o respeito que todas as pessoas merecem.

Pelo contrário, vivemos um problema chamado racismo estrutural.

Esse termo mostra que, mais do uma atitude maldosa individual, o racismo está enraizado na sociedade brasileira.

A partir dessa perspectiva, percebemos a necessidade de encarar o racismo não como uma anormalidade, mas como um componente que escancara como as relações sociais foram historicamente construídas.

Diversidade religiosa

A diversidade religiosa se refere à existência de vários grupos religiosos, com diferentes crenças, que devem coexistir num mesmo território e ser igualmente respeitados.

A cultura brasileira, em especial, é marcada pela presença de diversas religiões e pelo sincretismo religioso, nome dado à combinação entre diferentes tradições religiosas numa única crença.

Mesmo assim, a intolerância religiosa ainda é uma realidade.

Sobretudo as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, são alvos de agressões e ataques por aqueles que discriminam suas práticas.

Por isso, precisamos reforçar que todas as pessoas têm o direito de livre escolha quanto à religião e deve ter sua fé respeitada.

Quando o respeito existe, diferentes religiões podem coexistir num mesmo espaço social de forma harmônica, reconhecendo que fazem parte da riqueza cultural.

Diversidade etária

A idade é outro marcador que aponta a diversidade entre as pessoas em suas diferentes fases da vida.

Em muitos espaços, a idade se mostra como um fator de discriminação. No mundo do trabalho, por exemplo, isso é bastante comum.

Ainda que as pessoas estejam vivendo por mais tempo e se mantendo profissionalmente ativas, as mais velhas não têm as mesmas oportunidades dos mais jovens.

Pelo estigma social, as pessoas idosas não encontram espaços de acolhimento e participação social, que considerem suas necessidades.

E não se pode deixar de falar também nas crianças.

Com exceção dos ambientes feitos para o público infantil, a maioria não considera as crianças, dificultando a presença delas em espaços de sociabilidade.

A questão é que precisamos reconhecer a riqueza de trocas que a diversidade etária é capaz de proporcionar, sempre respeitando as necessidades e limitações de cada faixa etária.

Portanto, quanto mais espaços de convivência entre pessoas de todas as idades existirem, melhor!

Diversidade de pessoas com deficiência

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A falta de acessibilidade ainda é um desafio a ser superado na maior parte das cidades (Foto: Marcus Aurelius/Pexels)

Outro recorte da diversidade está ligado às pessoas com deficiência (PCDs), um grupo ainda muito invisibilizado socialmente.

Em primeiro lugar, é preciso entender que deficiência não é sinônimo de doença ou algo ruim.

Trata-se de uma condição que pode ser de natureza física, auditiva, visual, mental e/ou intelectual, que sai do padrão da sociedade.

Por conta do preconceito, as PCDs são tratadas como incapazes de trabalhar, ter autonomia e cuidar da própria vida.

Esse tipo de discriminação é chamado de “capacitismo”.

Além de aparecer de forma sutil, o capacitismo se mostra pela falta de oportunidades e acessibilidade numa sociedade que prioriza quem não tem deficiência.

Nesse contexto, as PCDs são invisibilizadas e continuam tendo que lutar pela inclusão nos espaços educacionais, no mercado de trabalho e em tantos outros.

O que é diversidade e inclusão na arquitetura?

A arquitetura e o urbanismo podem ser ferramentas importantes de inclusão social, aspecto que não pode ser deixado de lado na hora de planejar os espaços.

Por isso, os profissionais da área têm o dever de considerar as necessidades de grupos minorizados. 

Ao pensar as moradias e as cidades, arquitetos e urbanistas precisam pensar em soluções para reduzir a desigualdade.

E uma das medidas básicas é garantir o direito básico de ir e vir.

A maioria das cidades brasileiras não oferece condições adequadas para PCDs. Rampas em calçadas e semáforos sonoros, por exemplo, não são comuns.

Ainda, o planejamento das cidades deve assegurar áreas de lazer, sobretudo para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Isso sem falar na infraestrutura que garante acesso a serviços essenciais — como água, luz e esgoto —, transportes alternativos, políticas de habitação, etc.

Confira alguns aspectos importantes da arquitetura, que evidenciam o seu poder de valorizar a diverso e transformar a realidade:

Arquitetura como expressão da diversidade

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A arquitetura das cidades guarda muitos aspectos de diversos momentos históricos (Foto: Shinzato Gilson/Pixabay)

Em todos os cantos do mundo, a diversidade cultural é expressa por meio da arquitetura.

Olhando para as construções, suas formas e materiais usados, a humanidade descobre informações valiosas sobre a história de seus povos.

A arquitetura revela capítulos importantes, mostrando aspectos socioculturais de cada região e a visão que se tinha sobre arte, religião e política.

Portanto, é impossível não pensar em diversidade quando o assunto é arquitetura.

Muitos são os estilos arquitetônicos que conhecemos. Cada um deles possui aspectos intimamente ligados ao momento histórico, cultural, político.

Sendo assim, é como se as construções falassem e contassem histórias sobre outros tempos.

Ergonomia para o bem-estar físico e mental

Se o objetivo é fazer uma análise crítica para quebrar padrões e buscar novas soluções, ergonomia e diversidade precisam andar juntas.

Na lógica predominante no nosso imaginário, a relação entre a arquitetura e os humanos é mecanizada. Com isso, a tendência é ignorarmos a multiplicidade humana.

Em vez de considerar que as pessoas são diferentes, a maioria parte de um modelo humano padrão que habita os ambientes na hora de planejá-los.

Porém, as necessidades de todos devem ser consideradas.

Mais do que interferir no bem-estar físico, a ergonomia interfere também no bem-estar mental.

Para a arquitetura ser efetiva, arquitetos e designers precisam levar em conta a diversidade de corpos para oferecer às pessoas aquilo que elas precisam.

Raça, gênero e inclusão na arquitetura

Graças a iniciativas como da arquiteta Gabriela de Matos, podemos falar sobre projetos inclusivos criados a partir das lentes de raça e gênero.

Arquitetas Negras é um dos grandes projetos de Gabriela, que reúne centenas de contatos de profissionais negras no Brasil.

Foi criado justamente para fomentar a inclusão na arquitetura.

E não se trata de pensar no coletivo e apagar a individualidade. Pelo contrário, a inclusão na arquitetura reforça o olhar para a necessidade do outro.

Com isso, conseguimos associar a potência de cada profissional com projetos únicos.

5 dicas para colocar a diversidade em prática

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As pessoas são diferentes, mas as diferenças jamais devem servir de justificativa para desigualdades (Foto: Alexa/Pixabay)

Por fim, resolvemos reunir algumas dicas importantes para quem deseja exaltar a diversidade no dia a dia:

1. Valorizar as diferenças

Ao entender que as pessoas não são iguais, passamos não só a perceber como também a valorizar as diferenças.

Só a partir das diferenças é possível identificar as necessidades de grupos e indivíduos e criar soluções para que todos ocupem os mesmos espaços.

Esse é o primeiro passo para conseguir transformar a realidade e construir um mundo onde todos tenham oportunidades e direitos garantidos.

2. Reconhecer as desigualdades

Outro ponto importante é reconhecer as desigualdades, seja por questões de gênero, raça, econômicas, de crença, entre outras.

A desigualdade se manifesta de diferentes formas, prejudicando a vida de grupos minorizados e invisibilizados pela discriminação.

E que se trata de um problema sistêmico que demanda soluções urgentes.

O que não podemos fazer é continuar acreditando que todas as pessoas têm acesso às mesmas oportunidades, espaços e direitos.

3. Conhecer o conceito de interseccionalidade

Interseccionalidade é um termo cunhado pela professora e jurista afro-americana Kimberlé Crenshaw em 1989.

A partir de um estudo crítico sobre o feminismo e a luta antirracista, Crenshaw percebeu que as mulheres negras eram invisibilizadas nesses dois campos.

No feminismo, as demandas eram pautadas a partir da experiência de mulheres brancas. E no movimento negro, a norma eram as experiências de homens negros.

Assim, a autora começou a explorar as dimensões de raça e gênero na violência contra as mulheres não-brancas.

Aos poucos, o conceito ganhou o debate público.

Permitiu compreender a complexidade da diversidade de grupos, tornando-se uma ferramenta para considerar os diferentes fatores que atravessem a existência dos indivíduos ao mesmo tempo.

Crenshaw trouxe essa perspectiva de interseção entre os marcadores sociais (gênero, raça, classe social, orientação sexual, etc.).

A categoria mulher, por exemplo, não abarca a vivência de todas as mulheres. Sem um cruzamento com outros marcadores, nos deparamos com uma falsa ideia de universalidade.

Recorrer à interseccionalidade é uma maneira de compreender com maior profundidade as experiências de diferentes grupos sociais e criar soluções efetivas de combate às desigualdades.

4. Entender o que é lugar de fala

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Djamila Ribeiro é filósofa, escritora, feminista negra e criadora da coleção Feminismos Plurais (Foto: TEDxSaoPaulo/Wkimedia Commons)

Outro conceito importante é o de lugar de fala, popularizado no Brasil pela filósofa Djamila Ribeiro.

Lugar de fala diz respeito ao local social que cada grupo ocupa na sociedade, obtendo percepções distintas de mundo.

Como já falamos aqui, dependendo da localização, alguns grupos têm mais ou menos acesso à cidadania.

Sendo assim, lugar de fala não se refere ao ato de emitir palavras, mas ao de existir.

Ao olhar para esses lugares, é possível perceber de onde os discursos são produzidos, inclusive aqueles considerados neutros.

O conceito de lugar de fala mostra, portanto, que os discursos não surgem em um lugar neutro e desinteressado. Todo discurso é perpassado pelo gênero, classe, raça, orientação sexual e uma série de outros marcadores.

Nessa sociedade estruturada em opressões e desigualdades, existe uma falsa noção de neutralidade.

A união entre conhecimento e respeito ao outro tem o potencial de transformar a realidade.

Se cada um cumprir o seu papel e se dispor a deixar os preconceitos de lado, poderemos juntos, como sociedade, diminuir as desigualdades e criar condições para que todas as pessoas sejam livres e tenham seus direitos atendidos.

A boa arquitetura pode ser acessível? Leia o artigo completo sobre a democratização da arquitetura social!

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