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Bienal de Veneza 2025 acontece de maio a novembro, na Itália (Imagem: cortesia La Biennale di Venezia)

Bienal de Veneza 2025: inteligência natural, artificial e coletiva a favor do meio ambiente

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19.05.2025
Descubra tudo sobre a Bienal de Veneza 2025, conheça o Pavilhão do Brasil com a exposição (RE)INVENÇÃO e o projeto Yawanawá Sacred Village
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Entre os dias 10 de maio e 23 de novembro, os olhares do mundo da arquitetura e do design estarão voltados para a Bienal de Veneza 2025 (La Biennale di Venezia), um dos eventos mais importantes e influentes do setor.

Em sua 19ª edição, a Mostra Internacional de Arquitetura conta com mais de 750 participações nacionais e internacionais, distribuídas pelos históricos pavilhões dos Giardini, Arsenale e também em pontos estratégicos no centro da cidade de Veneza, na Itália.

A exposição se estrutura sob o tema provocador \"Intelligens. Natural. Artificial. Collective.\", um chamado à reflexão sobre os rumos da arquitetura diante das urgências climáticas, sociais e tecnológicas do século XXI.

O Brasil, como em outras edições, terá uma presença de destaque, com um pavilhão que propõe a (re)invenção do pensamento arquitetônico, valorizando saberes tradicionais, práticas sustentáveis e a força de iniciativas colaborativas, como o projeto Yawanawá Sacred Village, criado para a Amazônia.

A seguir, confira todos os detalhes sobre o tema da edição 2025 da Bienal, a proposta do Pavilhão do Brasil, os nomes por trás da curadoria e do projeto amazônico, além de uma reflexão sobre o papel da arquitetura como agente de transformação em um mundo em constante adaptação.

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Carlo Ratti falando em microfone em frente a painel de apresentação
Carlo Ratti é o curador da Bienal de Veneza 2025 (Foto: Andrea Avezzù / La Biennale di Venezia)

Bienal de Veneza 2025 propõe um novo tempo para a arquitetura

A curadoria da Bienal de Veneza 2025 está sob a responsabilidade de Carlo Ratti, arquiteto e engenheiro italiano de reconhecimento global. Ele é fundador do escritório CRA-Carlo Ratti Associati e diretor do Senseable City Lab no MIT.

Conhecido por seu trabalho na intersecção entre design, ciência e tecnologia, Ratti propõe uma edição centrada na adaptação como conceito-chave.

Segundo o curador, a arquitetura historicamente nasceu como resposta a um ambiente hostil e, hoje, diante das mudanças climáticas e crises globais, precisa reconectar-se com sua vocação original: a capacidade de se adaptar.

A escolha do termo \"Intelligens\", com o sufixo latino \"gens\" (povo), convida à ação coletiva. Assim, a exposição quer ampliar a noção de inteligência para além da tecnologia e da Inteligência Artificial (IA), incorporando também saberes naturais, experiências comunitárias e abordagens interdisciplinares. 

A proposta é que arquitetos, cientistas, artistas, artesãos, filósofos e profissionais de diversas áreas dialoguem para repensar como habitamos o planeta.

A Bienal de Veneza 2025 conta com mais de 300 contribuições e 750 participantes, incluindo arquitetos, engenheiros, programadores, agricultores, artistas e designers. Todos unidos por um espírito de colaboração.

Em vez de focar apenas em obras acabadas, a Bienal apresenta instalações, protótipos e laboratórios vivos espalhados por Veneza, transformando a cidade em um verdadeiro \"Living Lab\".

O Pavilhão do Brasil e o conceito de (RE)INVENÇÃO

Imagem interna no Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza 2025
Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza 2025 é dividido em dois atos (Foto: Lucas Capuano / cortesia La Biennale di Venezia)

Na Bienal de Veneza 2025, o Brasil será representado pela exposição “(RE)INVENÇÃO”, que ocupará o pavilhão nacional com uma proposta instigante e profundamente conectada ao território e à ancestralidade.

A curadoria é assinada pela arquiteta Luciana Saboia e pelos arquitetos Eder Alencar e Matheus Seco, integrantes do grupo Plano Coletivo, que se destaca por uma prática crítica e colaborativa, voltada para temas como habitação, infraestrutura e justiça socioambiental.

Inspirado em recentes descobertas arqueológicas que revelaram infraestruturas complexas desenvolvidas por povos indígenas na Amazônia há mais de 10 mil anos, o projeto propõe uma reflexão sobre como saberes ancestrais podem ajudar a pensar caminhos para o presente e o futuro da arquitetura.

Ao evocar essas tecnologias milenares de adaptação e manejo do ambiente natural, o pavilhão questiona paradigmas modernos de urbanização e oferece novas possibilidades para a construção de cidades mais sustentáveis e sensíveis ao território.

Visão da fachada do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza 2025
Além de valorizar o saber ancestral, Pavilhão do Brasil propõe novas soluções (Foto: Lucas Capuano / cortesia La Biennale di Venezia)

A mostra será organizada em dois atos complementares, compondo uma narrativa que atravessa o tempo:

  • O primeiro ato revisita o passado profundo da Amazônia. Ele destaca como povos originários transformaram as paisagens ao seu redor com sofisticadas infraestruturas de ocupação, manejo de solo e gestão da água. Essa inteligência natural e coletiva será apresentada como um legado técnico e cultural relevante para os desafios contemporâneos.
  • O segundo ato projeta esse olhar para o presente e o futuro. O foco é no Brasil contemporâneo e nas possibilidades de ressignificação urbana a partir de pesquisas, processos colaborativos e práticas arquitetônicas experimentais. São apresentados projetos que dialogam com questões como habitação social, resiliência urbana, infraestrutura verde e justiça territorial.

Entre os elementos expositivos que se destacam está a Plataforma-jardim, uma estrutura linear inicialmente pensada com necessidade de irrigação contínua, mas que foi reinventada ao incorporar espécies vegetais nativas e adaptadas ao clima do Brasil Central.

A instalação simboliza a transformação do modo como compreendemos as infraestruturas urbanas, apontando para soluções que integram design, ecologia e saberes locais.

Mais do que uma vitrine da produção arquitetônica nacional, o Pavilhão do Brasil em 2025 assume um papel crítico e propositivo. 

O projeto revela a potência de práticas que desafiam a centralidade das tecnologias importadas e valorizam o conhecimento produzido a partir das relações com o território, com as comunidades e com a natureza.

Nesse contexto, a exposição (RE)INVENÇÃO se alinha perfeitamente ao tema da Bienal de Veneza de 2025, mostrando como a arquitetura brasileira pode contribuir com visões plurais, criativas e conectadas à urgência climática e social global.

Yawanawá Sacred Village também destaca Amazônia

Fachada do Pavilhão Central da Bienal de Veneza 2025
Instalação assinada por brasileiros fica no Pavilhão Central da Bienal de Veneza (Foto: Francesco Galli / cortesia La Biennale di Venezia)

Entre os projetos em destaque na Bienal de Veneza 2025, um deles chama atenção pela força simbólica e pelo caráter profundamente transformador: trata-se da Yawanawá Sacred Village (Aldeia Sagrada Yawanawá), apresentada no Pavilhão Principal da mostra, dentro da seção Inteligência Coletiva.

A proposta representa uma nova forma de pensar arquitetura: enraizada no território, orientada por saberes tradicionais e guiada por um espírito de colaboração entre culturas.

O projeto é fruto da aliança entre o cacique Nixiwaka Yawanawá, liderança do povo Yawanawá na Amazônia brasileira, e os profissionais André Corrêa do Lago, Marcelo Rosenbaum, Fernando Serapião, Guilherme Wisnik e Pedro Bracante.

Projeto Yawanawá Sacred Village está dentro do Pavilhão Principal da Bienal (Foto: Andréa Avezzù / cortesia La Biennale di Venezia)

Juntos, eles desenvolveram uma proposta que une conhecimento indígena e pesquisa científica para propor soluções sustentáveis de habitação na floresta. E não apenas como abrigo, mas como expressão cultural e espiritual.

Apresentada como um exemplo de “arquitetura situada”, a Yawanawá Sacred Village dialoga diretamente com o tema da Bienal de Veneza 2025, indo além da mitigação ambiental. 

O projeto foi escolhido por sua capacidade de expressar múltiplas formas de inteligência, valorizando o saber indígena como pilar essencial para o futuro do habitar.

O projeto \"Terra Preta\" é pensado como um espaço de reconexão com a terra e com o espírito, concebido em colaboração com os próprios Yawanawá, respeitando sua cultura, modos de construção vernaculares e visão de mundo.

Trata-se de um ambiente vivo, que funciona como espaço espiritual, habitacional, educacional e simbólico, fortalecendo a identidade do povo Yawanawá e inspirando outros territórios a seguirem caminhos semelhantes.

A inspiração vem da própria terra preta de índio, um dos maiores legados ecológicos da América Pré-Colombiana, evidência de uma forma sofisticada de manejo e enriquecimento do solo. 

No projeto, esse conceito é expandido para o campo da arquitetura, como metáfora de fertilidade cultural e de inovação regenerativa.

Conheça os responsáveis pelo projeto

Marcelo Rosenbaum com camisa branca em frente a parede com cerâmica com relevo
Marcelo Rosenbaum é um dos responsáveis por projeto da Bienal de Veneza 2025 (Foto: Guto Campos)

Ao propor um encontro entre mundos, a Yawanawá Sacred Village traz uma mensagem potente: não há futuro para a arquitetura sem escuta, colaboração e respeito aos saberes da terra.

Mais do que um projeto arquitetônico, trata-se de um gesto de reconhecimento da potência indígena como inteligência ativa na construção de futuros mais justos e sustentáveis.

Para isso, foi necessário reunir os conhecimentos dos seguintes profissionais:

  • Cacique Nixiwaka Yawanawá: líder espiritual e político do povo Yawanawá, defensor dos direitos indígenas e articulador de parcerias entre seu povo e instituições culturais e ambientais. Tem atuado no fortalecimento da identidade e do território Yawanawá.
  • André Corrêa do Lago: diplomata, crítico de arquitetura e atual Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty. É membro do júri do Prêmio Pritzker e tem promovido a articulação entre cultura, sustentabilidade e política internacional.
  • Marcelo Rosenbaum: arquiteto e designer reconhecido por seu trabalho com comunidades tradicionais e seu envolvimento com o projeto A Gente Transforma. Defende uma arquitetura que promova pertencimento, dignidade e sustentabilidade. Em parceria com a Portobello, desenvolveu o projeto Sururu: Conchas que Transformam, levando desenvolvimento para uma comunidade de Alagoas.
  • Fernando Serapião: arquiteto, crítico e editor da revista Monolito, atua como curador e articulador de iniciativas culturais. Tem um olhar atento para a arquitetura brasileira e sua inserção no debate internacional.
  • Guilherme Wisnik: professor da FAU-USP, crítico de arquitetura e autor de livros sobre urbanismo e cultura brasileira. Foi curador da 10ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e tem ampla atuação acadêmica e curatorial.

A Bienal de Veneza 2025 como catalisadora de transformações

Presidente Buttafuoco falando em palco para platéia em cerimônia de premiação
Buttafuoco, presidente da Bienal de Veneza 2025, em cerimônia de premiação (Foto: Andrea Avezzù / cortesia La Biennale di Venezia)

A edição 2025 da Bienal de Arquitetura de Veneza se posiciona como uma resposta articulada às crises globais, propondo um novo papel para a arquitetura: o de agente ativo na regeneração do planeta, das cidades e das comunidades.

Com uma curadoria visionária, projetos engajados e uma diversidade de vozes, o evento promete ser uma das edições mais impactantes de sua história.

O Brasil, com sua pluralidade cultural, ambiental e social, se insere nesse contexto como um país capaz de oferecer soluções que unem inovação, tradição e coletividade. 

O Pavilhão brasileiro e o projeto Yawanawá evidenciam que o caminho para o futuro pode (e deve) passar pelo resgate de saberes ancestrais e pelo envolvimento direto das comunidades na construção do espaço que habitam.

Para os arquitetos que desejam refletir sobre o presente e projetar o futuro com responsabilidade, a Bienal de Veneza 2025 será não apenas uma vitrine, mas um território de escuta, experimentação e transformação real.

Além da Bienal de Veneza 2025, a Portobello também marca presença em outros eventos importantes ao redor do mundo, reunindo insights valiosos. Confira o Trend Report com as tendências da Milan Design Week 2025.

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