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Espaço interno da biblioteca da escola primária projetada por Francis Keré, arquiteto burquinês ganhador do Prêmio Pritzker (Foto: GandoIT/Wikimedia Commons)

África: protagonista do presente e do futuro

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02.03.2023
Veja como a África se insere nas macrotendências mundiais e o que faz o continente ser a grande aposta para o futuro da humanidade
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É cada vez mais evidente o papel central da África e o impacto das influências do continente africano na arquitetura e em tantas outras áreas. E esse protagonismo parece ter chegado para ficar.

Das questões sociais até tecnologia e inovação.

Tudo isso tem elevado a importância da produção de conhecimento, arte e cultura de diversos países da África, considerada o berço da humanidade.

Quer ficar por dentro dos destaque e dos atuais e futuros impactos advindos de lá? Então continue lendo!

África inserida nas macrotendências mundiais

moodboard trendbook portobello
Moodboard da macrotendência We Manifesto (Imagem: TrendBook 2023 Portobello)

Dentre as macrotendências apontadas pelo TrendBook 2023 da Portobello, We Manifesto é aquela que coloca o social no foco.

Isso quer dizer que diversidade de raças e tipos de corpos, pautas identitárias, ancestralidade e decolonialismo são temas que ganham ainda mais visibilidade no mundo.

Diante disso, a África traz toda sua potencialidade, uma vez que esses temas estão intimamente ligados à existência dos povos africanos.

Existir é entender quem somos, assumir responsabilidade por nossos atos e reconhecer que nossa postura individual tem consequências coletivas.

Afinal, mais do que enxergar e celebrar nossas diferenças, We Manifesto mostra que é preciso se posicionar e se engajar. Não basta entender ou apenas reconhecer as questões sociais.

Chegou a hora de o mundo ampliar o olhar e dar espaço para novas reflexões. De que adianta alguns celebrarem enquanto outros são excluídos?

Além de dizer não à intolerância e incluir por incluir, estamos vivendo um período em que as estruturas sociais, os conceitos de coletividade, as relações humanas e o papel do indivíduo dentro dessas estruturas devem ser repensados.

Bienal de Arquitetura de Veneza 2023 lança olhar para África

A Bienal de Arquitetura de Veneza irá realizar a sua 18ª edição entre os dias 20 de maio e 26 de novembro de 2023. Trata-se de um dos eventos mais importantes de design e arquitetura do mundo.

Neste ano, o tema escolhido foi “O Laboratório do Futuro”, lançando um olhar para o continente africano.

A arquiteta ganense-escocesa Lesley Lokko foi nomeada curadora da 18ª Bienal de Arquitetura de Viena
A arquiteta ganense-escocesa Lesley Lokko foi nomeada curadora da 18ª Bienal de Arquitetura de Viena
(Foto: Cortesia da Bienal de Arquitetura de Viena)

A ideia é instigar as pessoas a olhar para o passado, refletir sobre a nossa ancestralidade para, assim, construir um futuro diferente. Um futuro em que ninguém tenha sua existência diminuída por conta de sua identidade.

É justamente por isso que a África recebe um destaque especial nesta edição do evento.

Na perspectiva antropológica, todos somos africanos. Entretanto, é por lá que questões de raça, medo, equidade e esperança se unem.

Embora seu protagonismo tenha sido ofuscado historicamente pelo Ocidente, os povos africanos são maioria global. Mais do que isso, têm o potencial de imaginar e construir um futuro diferente.

Diante disso, a Bienal de Arquitetura de Veneza convidou profissionais para mergulhar nessa laboratório e ocupar espaços do Giardini, Arsenale e outros pontos da cidade.

Serão abordados, por exemplo, temas políticos, conflitos territoriais, além de temas culturais ligados a identidades, globalização e migração. Na verdade, serão o ponto de partida para a extração de ideias.

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Ancestralidade e tecnologia são aliados no afrofuturismo

representação do afrofuturismo
“Serengeti Cyborg” é uma representação artística do afrofuturismo (Imagem: Solen Feyissa/Wikimedia Commons)

O afrofuturismo é um movimento que valoriza o passado ancestral ao mesmo tempo em que projeta o futuro a partir de uma visão estética hi-tech.

E, claro, tem o povo negro como protagonista de narrativas poucos convencionais.

Pouco convencional pelo fato de o povo negro ter sido desprezado na maioria das histórias que ouvimos. Isso nada mais é do que reflexo do preconceito racial e étnico que há tanto tempo domina o pensamento ocidental.

No afrofuturismo, por meio de contos ficcionais, a cultura negra é exaltada e pensada de forma livre.

Além dos personagens, o autor negro se torna protagonista, uma vez que as histórias são contadas a partir do olhar dele. Ou seja, a partir de uma perspectiva afrocentrada.

Embora o movimento tenha surgido durante os anos 1960, ganhou o status de movimento cultural em 1994, com a publicação do ensaio “Black To The Future: ficção científica e cybercultura do século XX a serviço de uma apropriação imaginária da experiência e da identidade negra”, de Mark Dery, que definiu a estética afrofuturista.

Desde então, o afrofuturismo tem se expressado cada vez mais por meio da música, da moda, da literatura, do cinema, da pintura e da arquitetura.

Afropresentismo: uma narrativa diferente sobre a África

Como uma espécie de desdobramento do afrofuturismo, o afropresentismo reivindica o espaço do negro no presente, no aqui e agora.

É um movimento que encara a realidade atual através do olhar da cultura negra.

O termo foi criado em 2017 por Neema Githere, pesquisadora da cultura afrodiaspórica na Universidade de Yale. Seu entendimento sobre o que seria o que chamou de afropresentismo foi sendo lapidado com o tempo.

Segundo Githere, “o conceito é ao mesmo tempo uma estética e um verbo”.

A ancestralidade é canalizada por meio das diversas tecnologias que temos à disposição hoje e transformada num portal que nos leva para onde precisamos estar: o agora.

Em vez de situar o futuro como uma utopia escapista, como o afrofuturismo, o afropresentismo reivindica espaço no tempo presente, que é o futuro dos ancestrais.

Na África, tecnologia e inovação andam de mãos dadas

Não é de hoje que os países da África são grandes pioneiros na produção de conhecimento. Foi lá que surgiram a matemática, a astronomia, a escrita, entre tantas sabedorias essenciais.

Ainda que nem todos saibam, os países do continente africano têm sido responsáveis pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas revolucionárias.

Moçambique, Gana, Tanzânia e Quênia são alguns dos países que chamam atenção do mundo por conta das soluções tecnológicas que estão sendo desenvolvidas.

Edifício da Biblioteca Nacional de Moçambique
Edifício da Biblioteca Nacional de Moçambique (Foto: Claus Wonnemann/Wikimedia Commons)

Isso depende de investimento em educação, já que a ampliação do uso de determinadas tecnologias gera demandas de manutenção.

No quesito capacitação, Ruanda é um grande exemplo. O país tem investido na contribuição de universidade e centros de desenvolvimento de tecnologia, servido de modelo para outros países da África.

Como consequência, o investimento em educação favorece o surgimento de inovações capazes de diminuir as desigualdades no país.

Na África do Sul, por exemplo, a empresa Kgatlhanye desenvolveu uma mochila que produz luz a partir da energia solar: as Repurpose Schoolbags. As mochilas, feitas de sacolas de plástico recicladas, contam com painéis solares.

Enquanto os alunos estão estudando, as mochilas podem ser carregadas. Assim, as crianças que não têm energia elétrica em casa usam a luz da mochila para fazer a lição ou caminhar pelas ruas escuras de onde vivem.

Esse é apenas um dos exemplos de iniciativas inovadoras reconhecidas mundialmente.

Há ainda diversas outras, como robôs médicos usados durante a pandemia de Covid-19, sondas espaciais, trem-bala e até um dos primeiros sistemas de transferência de dinheiro por telefone.

A África e o futuro da humanidade

Se até um tempo atrás, o desafio era conter o crescimento populacional no planeta, hoje o cenário é outro.

Com a maior participação das mulheres no mercado de trabalho, a criação de novos métodos contraceptivos, entre outros fatores, a taxa de fecundidade caiu drasticamente.

E agora, com a taxa de fecundidade abaixo do nível necessário para repor a população, a projeção é de encolhimento da população mundial.

áfrica
O continente africano tem a população mais jovem do mundo (Foto: Desola Lanre-Ologun/Unsplash)

Num primeiro momento, esse parece ser um caminho mais sustentável para o planeta. Porém, os países vêm enfrentando o desafio de se manterem ativos com uma população cada vez mais envelhecida e com menos jovens.

Mas o que a África tem a ver com tudo isso?

Em vez de encolher, como em outras partes do mundo, a população africana está crescendo, mais rápido do que na Ásia e na América Latina.

Isso porque a maior parte da população africana é formada por jovens. Dessa forma, o continente deve desempenhar um papel central na formação da população mundial.

Portanto, além de berço da humanidade, a África tem potencial para protagonizar o futuro também.

Quais as características da arquitetura africana?

Por se tratar de um continente formado por vários povos, com culturas diferentes, a arquitetura da África também é bastante diversa.

Por muito tempo, a arquitetura africana foi associada à escassez. Essa interpretação equivocada se deve ao uso de técnicas e materiais locais e do diálogo que as construções estabeleciam com o entorno.

Hoje, a arquitetura africana e vários arquitetos africanos vêm se destacando mundialmente. Francis Kéré, Mokena Makeka, Kunlé Adeyemi, Thabisa Mjo são alguns nomes.

Entre as principais características se destacam o uso da geometria e estruturas fractais, cores vibrantes e materiais sustentáveis.

arquitetura da áfrica
Escola primária, projetada por Francis Kéré em Buskina Faso, recebeu o Prêmio Aga Khan de Arquitetura
(Foto: Helge Fahrnberger/Wikimedia Commons)

Em 2022, o arquiteto Francis Kéré, nascido em Burkina Faso, foi o primeiro negro a receber o prêmio Pritzker de Arquitetura. Num dos países mais pobres do mundo, Kéré conseguiu empoderar comunidades por meio da arquitetura de suas construções.

Conhecer um pouco do trabalho inovador que arquitetos africanos como Kéré vem desenvolvendo é uma maneira de se aprofundar no universo do continente.

Para quem se preocupa com o futuro, isso é fundamental. Afinal, como tentamos mostrar ao longo do artigo, a África tem mostrando toda sua força para liderar as grandes transformações do mundo daqui para frente.

Quer saber mais sobre como o contexto mundial influencia as tendências do futuro? Leia sobre a macrotendência We Manifesto.

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