08.06.2025
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A arquitetura brasileira conta com referências de diferentes estilos e culturas (Foto: Marinelson Almeida)

Arquitetura brasileira: o que nossas construções revelam sobre nós?

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08.06.2025
Da mistura de diferentes culturas, surge a arquitetura brasileira, que ajuda a contar a história do nosso país. Saiba mais
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A arquitetura brasileira tem uma história rica e diversificada, que se mescla aos acontecimentos no país ao longo de séculos.

Por isso, ao contrário de outras partes do mundo, ela não conta com características homogêneas, que podem ser reconhecidas logo de cara.

O que tende a parecer uma identidade cultural fraca, com a falta de um conjunto padrão de atributos, na verdade, é justamente o oposto.

Com a contribuição marcante de etnias distintas, não poderíamos esperar nada que não fosse a expressão dessas influências na nossa língua, artes, música, culinária e, também, na arquitetura.

Para conhecer e assimilar essas referências, leia este artigo. Vamos falar um pouco sobre todas as experiências que um amante da arquitetura terá se explorar os diferentes cantos do país!

Leia também: 

Qual é a história da arquitetura no Brasil?

Largo do Pelourinho, com poucas pessoas na rua e construções coloridas em estilo colonial
Largo do Pelourinho, em Salvador (Foto: Cleide Isabel)

Da mistura de diferentes povos, culturas e histórias, surgiu a arquitetura brasileira. Afinal, o país ganhou influência de indígenas, africanos e europeus, desde que os portugueses chegaram ao Brasil.

Cada um deles tinha técnicas de construção distintas, que começaram a moldar o que hoje conhecemos como a arquitetura nacional.

Por isso, mesmo que no momento pós-descobrimento o português tenha se tornado o proprietário das terras e o comandante das construções, a arquitetura brasileira desse período não simplesmente reproduz a portuguesa. 

A prova disso é que, enquanto em Portugal eram comuns as casas minhotas, serranas, de xisto e palheiros, as edificações no Brasil são diferentes.

Um exemplo foi o surgimento do pau a pique, um tipo de construção chamado também de taipa de mão, de sopapo ou de sebe. Embora não haja um consenso sobre ela, especialistas afirmam que a técnica surgiu da confluência entre conhecimentos de portugueses, indígenas e africanos — justamente os povos que formaram a base do país.

No entanto, mesmo esse pensamento ainda é limitado. Ao falar sobre a influência do \"europeu\", na verdade, estamos nos referindo a uma série de grupos: portugueses, franceses, holandeses, alemães e italianos. 

Povos que costumam ser tratados de forma homogênea, como indígenas e africanos, também são formados por etnias muito distintas. Sem contar outras culturas que chegaram mais tarde, como árabes e japoneses, entre outros imigrantes.

O reflexo de toda essa miscigenação não poderia deixar de se manifestar na nossa arquitetura. Como se isso não bastasse, esse caldeirão cultural foi influenciado pelas tendências que surgiram ao longo de mais de 500 anos de transformações sociais e revoluções tecnológicas. 

O resultado é uma variedade imensa de construções surpreendentes que compõem a arquitetura brasileira, com as suas características particulares, que você confere na sequência.

Quais são as principais características da arquitetura brasileira?

A arquitetura portuguesa se uniu, principalmente, às de povos indígenas e africanos para dar origem a um novo estilo: a arquitetura brasileira. Descubra quais são as suas principais características.

Forte influência religiosa

Fachada da Igreja do Carmo, em Olinda
Igreja do Carmo, em Olinda, Pernambuco (Foto: Andressavieira)

Ao longo do período colonial, a Igreja Católica desempenhou um papel central no desenvolvimento urbano. 

Muitas cidades foram organizadas ao redor de praças centrais dominadas por igrejas matrizes. Esse modelo, conhecido como "redução jesuítica", ainda é evidente em diversas localidades, especialmente no interior do país. Ele começou a ser criado aqui durante a tentativa portuguesa de impor o trabalho forçado aos indígenas. 

Funcionava da seguinte maneira: havia uma construção principal, que era a residência dos padres, e uma capela. À frente, ficava uma ampla área aberta, onde os indígenas eram convocados para as reuniões. A praça era o centro da vida social e religiosa dessa população. Em volta dessas duas estruturas, os indígenas viviam em tendas.

Várias cidades brasileiras se desenvolveram a partir desse modelo de arquitetura religiosa. Por muito tempo, praças com uma igreja matriz em frente concentraram grande parte da sociabilidade das comunidades. Finalmente, ao redor delas foram construídos os estabelecimentos comerciais e as casas da população.

Outra prova da influência do catolicismo é o design brasileiro dos templos protestantes e evangélicos. Estes últimos não costumam ter torres e sinos, diferentemente do que podemos ver na Europa e nos Estados Unidos. 

Isso se deve ao fato de que, durante boa parte do período colonial, foi proibida a construção de qualquer outro templo que não fosse da Igreja Católica Apostólica Romana em nosso território. Quando os ingleses (anglicanos) chegaram com D. João VI ao Brasil, ainda príncipe regente, em 1808, eles foram autorizados a realizar cultos. Porém, os prédios deveriam ser discretos, sem características distintivas.

Mistura do clássico com o contemporâneo

Edifício Martinelli, em São Paulo, visto de baixo para cima
Edifício Martinelli, em São Paulo (Foto: F J Jarabeck)

Em muitas cidades brasileiras, o clássico convive com o contemporâneo sem nenhum conflito. Esse é o caso do centro de São Paulo, onde o visitante vê construções centenárias ao lado de prédios recentes. 

O Pateo do Collegio, por exemplo, foi fundado em 1554. Embora tenha sido reinaugurado em 1979, o projeto foi baseado na arquitetura típica do século 17.

Por outro lado, temos na mesma região edifícios muito mais modernos e até contemporâneos. Essa mistura na arquitetura brasileira pode ser observada nos seguintes prédios:

  • estilo art déco: Banco de São Paulo, 1938;
  • arquitetura moderna estilizada: Edifício Triângulo, 1955, projetado por Oscar Niemeyer e com um painel de Di Cavalcanti;
  • arquitetura eclética: Palacete Tereza Toledo Lara, 1910;
  • estilo art nouveau: Edifício Guinle, 1916;
  • arquitetura eclética: Edifício Sampaio Moreira, 1924;
  • arquitetura eclética: Edifício Martinelli, 1929, o maior da América Latina quando foi construído;
  • estilo neocolonial: Faculdade de Direito do Largo São Francisco, 1930.

Toda essa diversidade está em uma pequena área do centro antigo de São Paulo, mas poderíamos dar muitos outros exemplos nessa mesma cidade ou por todo o país.

Forte influência do barroco e do rococó

Interior da Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, com revestimento em ouro, bancos em madeira e cortinas vermelhas
Interior da Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, Minas Gerais (Foto: Samory Santos)

Durante o período colonial, muitos edifícios foram construídos de acordo com estilos da arquitetura europeia. Por isso, vários desses prédios apresentam características neoclássicas ou barrocas.

O neoclássico é visto com frequência em construções oficiais e urbanas. No entanto, no interior do Brasil, o barroco e o rococó tiveram uma grande influência.

O barroco pode ser facilmente identificado na arquitetura religiosa do Brasil, em especial na segunda metade do século 16. 

As igrejas católicas têm características relacionadas a esse estilo, sendo que ele abriu espaço para o surgimento de grandes artistas nacionais, entre eles o renomado mestre Aleijadinho.

A primeira região do Brasil a ser influenciada pelo barroco foi o Nordeste. Especialistas afirmam que, até cerca de 1650, as fachadas e os frontões eram as principais partes das edificações que o refletiam.

Já no século 18, essa situação mudou. Com a prosperidade conquistada com a exploração do ouro em Minas Gerais, as famílias começaram a investir em arquitetura para ostentar a sua riqueza.

Embora as paredes das construções fossem feitas com uma técnica bem brasileira e bastante simples — taipa ou adobe —, elas eram ornamentadas com detalhes impressionantes. Madeira, pedra-sabão e ouro foram usados para a confecção de estátuas e outros elementos decorativos.

Além disso, os telhados eram compostos por muitas águas, com vários planos inclinados para escoamento da chuva. Isso significa que essas coberturas não têm o formato triangular tradicional, pois as telhas são dispostas em níveis e ângulos diferentes.

Traços diferentes em cada região do país

Devido à vasta extensão territorial e à diversidade climática, a arquitetura brasileira se adapta às especificidades regionais. 

Por exemplo, na Amazônia, as casas de palafitas são construídas elevadas do solo para prevenir inundações durante as cheias dos rios, demonstrando uma integração harmoniosa com a natureza.

Em Minas Gerais, que foi o centro econômico do país no período da mineração, existem sinais claros desse momento histórico na arquitetura local, sobretudo nas igrejas, que se destacam na paisagem.

Já as casas enxaimel, muito comuns no Sul do Brasil, são uma consequência da colonização alemã. Trata-se da diversidade cultural refletida em estilos diferentes para as edificações.

Permanência da natureza em meio à selva de pedra

Monumento no Parque Ibirapuera, em São Paulo
Parque Ibirapuera, em São Paulo (Foto: Alexanpaulo)

Projetos arquitetônicos no Brasil frequentemente buscam uma conexão profunda com a natureza.

Casas com grandes aberturas — que privilegiam a luz natural e a ventilação cruzada — são comuns, criando uma sensação de continuidade entre os espaços internos e externos.

Mesmo as cidades densamente povoadas ainda abrem espaço para a permanência da natureza na arquitetura brasileira. Ela é vista não só em parques, mas em muitos bairros e ruas. 

Em São Paulo, por exemplo, existem mais de 194 milhões de m² de áreas verdes. Esse número corresponde a 16 m² por habitante, o que ultrapassa o mínimo recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Renovação constante nas preferências do público

Apesar da convivência com esse passado, não nos prendemos a ele. O público continua aberto a tendências e tecnologias. Além disso, aceita a incorporação de novos edifícios à paisagem urbana. 

Portanto, a arquitetura brasileira se renova constantemente e dá espaço para cidades cada vez mais diversificadas e surpreendentes.

Quem são os arquitetos brasileiros mais importantes?

Na arquitetura brasileira, vários profissionais se destacaram ao longo desses séculos de história. Aqui, vamos destacar quatro dos principais nomes. No entanto, vale também a menção a outros, como:

  • Lúcio Costa (1902–1998): arquiteto e urbanista, é o idealizador do plano urbanístico de Brasília e um dos grandes expoentes do modernismo no Brasil.
  • Affonso Eduardo Reidy (1909-1964): pioneiro da arquitetura moderna no Brasil. Projetou o icônico Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
  • Vilanova Artigas (1915-1985): um dos fundadores da Escola Paulista de Arquitetura. Projetou o edifício da FAU-USP e influenciou gerações de arquitetos.
  • Paulo Mendes da Rocha (1928-2021): referência no estilo brutalista, vencedor do Prêmio Pritzker e autor do Sesc 24 de Maio e da reforma da Pinacoteca de São Paulo.
  • João Filgueiras Lima – Lelé (1932-2014): especialista em arquitetura industrializada, desenvolveu projetos inovadores para hospitais e escolas no Brasil.
  • Ruy Ohtake (1938-2021): conhecido por formas ousadas e cores vibrantes, assinou projetos como o Hotel Unique e o Instituto Tomie Ohtake.
  • Isay Weinfeld (1952-): famoso pelo minimalismo sofisticado e pela elegância atemporal. Assina obras como o Hotel Fasano de São Paulo.
  • Marcio Kogan (1952-): destaca-se pela arquitetura contemporânea de alto padrão, com linhas simples e integração entre espaços internos e externos.

Oscar Niemeyer

Praça dos Três Poderes, em Brasília
Brasília tem projeto assinado por Oscar Niemeyer (Foto: Chris Jackson)

É o profissional de maior destaque na arquitetura brasileira. 

Oscar Niemeyer era um apaixonado por curvas. Segundo ele, elas retratavam as montanhas, o curso sinuoso dos rios, as nuvens do céu e as ondas do mar de seu país, além do corpo da mulher preferida. Por isso, o seu trabalho consegue ser, ao mesmo tempo, simples e surpreendente.

Desenhou as curvas do Complexo da Pampulha (MG), o Edifício Copan (SP), a Casa das Canoas (RJ) e vários prédios de Brasília, como o Palácio do Planalto, a Catedral, o Congresso Nacional, o Palácio da Alvorada, a Praça dos Três Poderes e o Supremo Tribunal de Justiça.

Fez parte de uma comissão de arquitetos que projetou a sede da ONU em Nova York. Deixou um legado imenso para a arquitetura brasileira.

Lina Bo Bardi

Fachada do MASP em foto tirada do outro lado da rua, em São Paulo
MASP, em São Paulo (Foto: Vânia Wolf)

Se hoje as mulheres enfrentam grandes desafios para se destacar no mercado de trabalho, a luta era ainda maior no tempo da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi

Atuando em uma época marcada por desigualdades de gênero, ela conseguiu deixar um legado memorável para os fãs da arquitetura moderna. Suas obras não foram muitas — menos de dez. No entanto, elas são reconhecidas como ícones de uma época.

Com certeza, a criação mais famosa de Lina Bo Bardi é o Museu de Arte de São Paulo (MASP), encravado no coração da Avenida Paulista. Ele se destaca por suas formas e pelo vão livre, responsável por uma vista urbana encantadora.

Severiano Mário Porto

Apesar de ser mineiro, se destacou por desenvolver obras de grande porte na Amazônia. Ele deu visibilidade internacional à arquitetura do Norte valorizando a cultura regional em seus projetos. 

Para fazer isso, buscava inspiração na moradia dos caboclos e usava os materiais disponíveis no local, de forma racional e eficiente. Aproveitava a ventilação e a iluminação naturais para combinar estética e funcionalidade.

Severiano foi um dos pioneiros das construções sustentáveis. Criou o Centro de Proteção Ambiental de Balbina, a Igrejinha do Cavaco e o Restaurante Chapéu de Palha, que recebeu um prêmio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

Roberto Burle Marx

Visão da Baía de Guanabara para o Aterro do Flamengo
Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro (Foto: Leandro Neumann Ciuffo)

Reconhecido como um verdadeiro mestre do paisagismo, o premiado arquiteto Roberto Burle Marx tinha a capacidade de integrar áreas verdes e urbanas de forma inovadora. 

Entre as suas muitas obras, estão o Parque Ecológico do Recife, o projeto do Eixo Monumental de Brasília e da Embaixada do Brasil em Washington.

Além disso, é responsável pelos jardins da Cidade Universitária da Universidade do Brasil (RJ), do Museu de Arte Moderna (RJ) e do Aterro do Flamengo, entre outros.

Quais são as construções mais famosas da arquitetura brasileira?

Não poderíamos concluir este artigo sem mostrar alguns exemplos da arquitetura brasileira. 

Devido à diversidade, seria impossível abordar todos os tipos de construções presentes no país, mas selecionamos algumas das principais de cada região.

Tentamos apresentar opções além dos destinos mais conhecidos. Então, confira as nossas sugestões.

Nordeste: patrimônio histórico de Alcântara

Ruínas da Matriz de São Matias, no Maranhão
Ruínas da Matriz de São Matias, em Alcântara, Maranhão (Foto: Joao Vicente)

No Nordeste, um dos destaques é o patrimônio histórico de Alcântara, no estado do Maranhão. No centro da cidade, o visitante encontra a arquitetura típica do período colonial, preservada em muitas casas.

Então, prepare-se para ver construções em estilo português com os azulejos típicos, que eram trazidos da Europa para decorar as residências dos ricos barões e comerciantes que exploravam a agricultura da região.

Ainda na cidade, o visitante encontra obras como o Palácio Negro, que era o antigo mercado de escravos. Também é possível avistar palacetes de barões, como os de Mearim, São Bento, Grajaú e Pindaré. Na mesma rua, está a casa do imperador.

Na Praça da Matriz, está o cartão-postal de Alcântara. Trata-se da Igreja de São Matias, que foi construída no século 17, mas nunca foi finalizada. 

À frente fica um pelourinho, usado no período colonial para açoitar os escravos desobedientes. Esse castigo público era um "exemplo" para inibir rebeliões. No mesmo local, o visitante encontra o Museu Histórico de Alcântara.

Norte: Centro de Proteção Ambiental de Balbina

Fachada cor de rosa do Teatro Amazonas, em Manaus
Teatro Amazonas, em Manaus (Foto: Antonio Campoy)

Teatro Amazonas e o famoso Mercado Ver-o-Peso, em Belém do Pará, são dois símbolos da arquitetura da região Norte do país. No entanto, vamos destacar uma construção completamente diferente, criada por Severiano Mário Porto no Amazonas.

O arquiteto, conhecido como o "poeta da arquitetura amazonense", conseguiu usar os recursos disponíveis localmente e executar obras de alta qualidade com a adequação de técnicas modernas. Foi assim que ele construiu o Centro de Proteção Ambiental de Balbina (CPAB).

A cobertura em madeira, os pilares e os conjuntos de treliças atraíram visitantes de todos os lugares. A obra fez de Severiano um ícone nessa área e deu visibilidade internacional à cidade. O projeto fica em Presidente Figueiredo e foi erguido em 1984 como compensação devido à construção da hidrelétrica.

Severiano partiu do princípio de que "primeiro se cobre a edificação, para depois construí-la". Para isso, ele criou panos de cobertura que protegem a área do sol da região e, então, desenvolveu o restante do projeto. 

No CPAB, o resultado é um exemplo surpreendente da arquitetura brasileira. Aliás, vale a pena conhecer também a Igrejinha do Cavaco, em Rio Preto da Eva.

Sudeste: Museu do Amanhã

Parte de trás do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro
Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (Foto: Rodrigo Soldon Souza)

Já falamos sobre a diversidade de estilos presente no centro de São Paulo. Por isso, aqui decidimos destacar uma obra de outro estado do Sudeste — o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Inaugurada em 2015, essa construção futurista proporciona uma experiência extraordinária aos seus visitantes.

Apesar de ser assinado por um espanhol, o arquiteto Santiago Calatrava, o prédio foi idealizado de acordo com os traços históricos e culturais da capital carioca, além de aspectos nativos da flora e da fauna do país. 

O edifício tem mais de 15 mil m² de área construída. Em seus dois andares, além da zona de exposições, há ambientes educativos, auditório, café, restaurante, bilheteria e loja.

Os perfis metálicos que formam a cobertura têm um formato parecido com o casco de um navio invertido. Essas estruturas são móveis e mudam de posição segundo a incidência de luz solar. O objetivo é fazer com que o ambiente seja iluminado naturalmente e alimente a usina fotovoltaica que gera parte da energia utilizada.

Esse projeto foi pensado de acordo com critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. Sempre que possível, foram utilizados materiais de baixa toxicidade e alta durabilidade, para evitar desperdício. Além disso, muitos itens foram reciclados.

Centro-Oeste: Palácio Conde dos Arcos

Fachada branca com detalhes azuis do Palácio Conde dos Arcos, em Goiás
Palácio Conde dos Arcos, em Goiás (Foto: Sarah Yasmin Pereira Marques)

No Centro-Oeste, Brasília se destaca e foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade. No entanto, é possível conhecer outros projetos interessantes na região. 

Um exemplo da arquitetura brasileira é o Palácio Conde dos Arcos, localizado na Cidade de Goiás, construído em estilo barroco. Embora ela tenha sido a residência oficial dos governadores do estado até 1937, hoje o visitante encontra nessa edificação um museu, inaugurado em 1961.

Nele, há uma exposição permanente sobre a história dos ex-governadores de Goiás. Seu acervo conta com pertences deles, o que inclui peças dos séculos 18, 19 e 20, como pratarias, moedas do tempo do Império, móveis, objetos decorativos e armas, entre outros.

Existe ainda um fato curioso a respeito do Palácio Conde dos Arcos: todo ano, durante as comemorações de aniversário da Cidade de Goiás, ele volta a ser sede do governo do Estado. Nesse período, a cidade também é considerada novamente a capital, mesmo que por apenas alguns dias.

Sul: Museu Oscar Niemeyer

Monumento no Museu do Olho, em Curitiba
Museu do Olho, em Curitiba (Foto: Leonardo Shinagawa)

Em Curitiba, os apaixonados por arquitetura podem encontrar o Museu Oscar Niemeyer. Ele também é conhecido como o Museu do Olho, devido ao seu formato original. 

São 35 mil m² de construção, sendo que 17 mil deles são destinados à área de exposição. Ele foi inaugurado em 1978, mas com outra finalidade — foi a sede de secretarias do Estado do Paraná.

O prédio é um ícone do estilo modernista. Formada por três andares, a sua estrutura de concreto protendido foi construída a partir de linhas retas. Abriga bilheteria, loja, café e 12 salas expositivas, além de um salão de eventos. 

Em seu subsolo, há uma exposição permanente sobre Oscar Niemeyer. Lá, o visitante vê fotos, projetos e maquetes de obras desenvolvidas pelo arquiteto.

Selecionar apenas alguns exemplos da arquitetura brasileira chega a ser um desafio injusto. São séculos de história, criatividade e inovação que não podem ser resumidos em poucas linhas.

Mesmo que qualquer profissional ou entusiasta da área goste de viajar para diversos lugares do mundo para ampliar o seu repertório, o fato é que temos aqui referências ricas e surpreendentes, capazes de inspirar inovações.

Inclusive, a brasilidade está em alta por todo o planeta! Conheça a tendência Brazilcore e saiba como ela se aplica.

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  1. A miscigenação fez o brasileiro morar em ocas de palha igual os índios. Parabéns pela descrição "racial" da arquitetura brasileira.



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