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Por meio da perspectiva placemaking, o Paley Park se tornou um pequeno refúgio para quem vive e trabalha no centro de Manhattan (Foto: Alessandro Olsen/Flickr)

Placemaking: o que é e como funciona na prática

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24.08.2023
Saiba mais sobre placemaking e como o conceito é usado para planejar espaços urbanos com foco nas pessoas
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Placemaking é um conceito amplo que busca melhorar o ambiente urbano, tendo como foco as pessoas. Por meio da interação coletiva com os espaços públicos, as comunidades podem se tornar mais felizes e saudáveis.

A ideia é que todos possam se apropriar dos locais onde convivem, participando ativamente no processo de planejamento e gestão deles.

Ficou curioso para saber mais?

Então continue lendo para entender como o placemaking funciona. Conheça também exemplos de espaços onde o conceito foi aplicado com sucesso!

O que é placemaking?

Placemaking é uma palavra que, em tradução literal, significa “criar lugares”. Mas o conceito vai muito além dos espaços físicos.

Essa abordagem tem o objetivo de transformar bairros, cidades e regiões. E o foco dessa transformação é a conexão entre as pessoas.

Além disso, a ideia é que espaços públicos possam ser reimaginados coletivamente e reinventados para se tornarem o coração de cada comunidade.

exemplo de placemaking em buenos aires
Um lugar pensado a partir do placemaking, a Feira de San Telmo, em Buenos Aires, reúne milhares de pessoas do mundo inteiro que passeiam pelas barracas de antiquários, dançarinos de tango, cafés, bares e lojas do entorno (Foto: Rogério Tomaz Jr./Flickr)

Ao fortalecer a conexão entre as pessoas e os lugares compartilhados por elas, o placemaking promove um processo de pensar os espaços para as pessoas que envolve a participação direta delas.

O papel ativo da comunidade é fundamental para o conceito. Ao perceber o poder da visão coletiva, as pessoas passam a enxergar novas possibilidades para praças, ruas, parques e outros espaços públicos.

Dessa forma, permite criar espaços públicos de qualidade, com o potencial de contribuir para a saúde, felicidade e bem-estar das comunidades.

Placemaking não é uma ideia nova

Em meados dos anos 1990, o termo “placemaking” passou a ser usado de forma mais consistente pelo Project for Public Spaces (Projeto para Espaços Públicos), organização sem fins lucrativos fundada em 1975 por Fred Kent.

No entanto, as ideias em torno do placemaking já estavam sendo disseminadas desde a década de 1960. Mais precisamente, pelos pesquisadores Jane Jacobs e William H. Whyte, orientador de Kent.

Naquela época, Whyte estudava o comportamento humano em ambientes urbanos e se perguntava como as pessoas interagiam com os novos espaços planejados de Nova York.

Junto de Jacobs, que realizou uma pesquisa sobre o que as pessoas faziam em parques e praças públicas de Nova York, criou um método voltado às pessoas que frequentam os espaços que estão sendo estudados.

Ao criar o Project for Public Spaces, o objetivo de Kent foi justamente popularizar essa metodologia de planejamento de espaços públicos que gera benefícios tanto para as cidades quanto para as pessoas.

Quais qualidades caracterizam espaços públicos de sucesso?

Os melhores espaços públicos são aqueles onde as trocas sociais, culturais e econômicas acontecem.

Mas o que isso quer dizer na prática? O que faz com que alguns lugares deem certo e outros não?

exemplo de placemaking em santiago
Malón Urbano começou como uma festa de bairro e se transformou em feriado nacional no Chile. Uma prova do poder de reivindicar as ruas para o compartilhamento de refeições e outras trocas entre pessoas (Foto: I. Municipalidad de Santiago/Flickr)

Ao avaliar milhares de espaços públicos ao redor do mundo, o Project for Public Spaces identificou quatro qualidades que os locais de sucesso costumam compartilhar:

  1. Acessíveis: possuem conexões físicas e visuais com o entorno para facilitar o acesso e a circulação de pessoas;
  2. Confortáveis e com uma imagem positiva: são seguros, limpos, bem cuidados, possuem lugar para sentar e um visual agradável;
  3. Usos e atividades: oferece e/ou possibilita a realização de atividades (caminhadas, leitura, esportes, etc.) para estimular que as pessoas frequentes o local;
  4. Sociáveis: ser um lugar no qual as pessoas encontram amigos, conhecem pessoas novas e se sentem parte de uma comunidade.

11 princípios do placemaking para transformar espaços de uso público

exemplo de placemaking em sidney
Considerado o coração de Sidney, na Austrália, o Circular Quay abriga a Opera House, o terminal de balsas da cidade, museus, além de ser um ótimo local para caminhar e curtir uma vista deslumbrante Foto: Filipe Castilhos/Flickr

Na prática, o que levar em consideração na hora de planejar ou replanejar espaços comunitários?

Conheça os princípios do placemaking:

1. O especialista é a comunidade

Um ponto de partida para aplicação do conceito é identificar os talentos e recursos dentro da comunidade na qual o espaço público está inserido.

Isso porque sempre existem aqueles que podem oferecer uma perspectiva histórica, insights sobre o funcionamento da área, entendimento sobre as questões mais críticas e o que é mais significativo para as pessoas.

Ao fazer isso logo no início do processo, permite criar um senso de pertencimento ao projeto. Isso é capaz de trazer benefícios para todos.

2. Crie um lugar, não só um design

Para conferir vida à qualquer espaço, só o design não é suficiente. É preciso entender quais elementos físicos tornam o lugar convidativo e confortável para as pessoas.

A partir disso, mudanças no padrão de circulação de pedestres, criação de relações mais efetivas com o entorno, de atividades e formas de uso coletivas se tornam eficientes.

O objetivo é criar um lugar com uma imagem positiva e com um forte senso de comunidade.

3. Busque parceiros

As parcerias são críticas para o sucesso e imagem de um projeto de planejamento de um espaço público.

Esses parceiros podem ser instituições locais, escolas, museus, bibliotecas, entre outros.

Seja no começo do projeto ou pensando em participações futuras, as parceiras têm o poder de trazer apoios importantes. Também podem ajudar a tirar as ideias do papel.

exemplo de placemaking nos estados unidos
Localizado na Filadélfia, Estados Unidos, o Reading Terminal Market é um local acessível que oferece inúmeras opções para quem deseja comer, fazer compras e conhecer mais sobre a história do lugar (Foto: David Saddler/Flickr)

4. Você pode ver muito só observando

Outro ponto importante do placemaking é entender que todos podemos aprender a partir dos sucessos e falhas dos outros.

Isso reforça a importância de olhar para como as pessoas estão usando espaços públicos em outros lugares, o que elas gostam e não gostam. Assim, fica mais fácil entender o que funciona e o que não funciona.

Por meio da observação, os tipos de atividades que a área carece e que podem ser incorporadas ao projeto se tornam mais claros.

Leia mais:

5. Tenha uma visão

Cada comunidade tem um visão. E ela precisa estar integrada ao projeto de espaço público.

No entanto, é sempre fundamental se basear na visão de quais tipos de atividade podem ser realizadas no local. É preciso ter em mente também que o espaço deve ser confortável, ter uma imagem positiva, além de ser um lugar importante, onde as pessoas querem estar.

Afinal, o placemaking valoriza o orgulho das pessoas em viver e trabalhar no entorno dos espaços públicos.

6. Comece pelo o que é mais simples, rápido e barato

O tamanho da complexidade de um espaço público faz com que seja impossível esperar que tudo seja feito corretamente logo de início.

Os melhores exemplos de placemaking mostram que algumas mudanças precisam ser testadas e refinadas ao longo de vários anos.

Mas melhorias em assentos, cafés e lanchonetes, peças de arte, jardins, murais e caminhos de pedestres, por exemplo, podem ser implementados no curto prazo.

exemplo de placemaking em bruxelas
Com mais de 100 anos de existência, a Grand Place de Bruxelas, na Bélgica, continua sendo aprimorada para servir à comunidade local e aos turistas (Foto: maiocutroneo/Flickr)

7. Triangule

A triangulação é um processo pelo qual estímulos externos fazem com que as pessoas interajam com estranhos como se os conhecessem.

Num espaço público, o arranjo dos elementos nele presentes podem ativar o processo de triangulação.

Por exemplo, se um banco e uma lata de lixo estiverem colocados em pontos sem conexão entre eles, é bem provável que sejam menos usados. Mas quando estão dispostos junto de outros, naturalmente farão as pessoas triangular.

Da mesma forma, uma biblioteca infantil e um parquinho lado a lado fazem com que mais atividades aconteçam ali do que se estivessem separados espacialmente.

8. Sempre tem alguém para dizer que “tal coisa não pode ser feita”

Criar espaços públicos envolve obstáculos. E sempre terá quem diga que um projeto não pode ser feito. Mas nem sempre é verdade.

Seja no setor público ou privado, muitas vezes as pessoas não se sentem responsáveis por planejar e pensar os espaços comunitários. Isso porque os profissionais costumam pensar mais em suas funções específicas, não no todo.

Dessa forma, começar a implementar melhorias em pequena escala é uma boa estratégia. Ela serve para mostrar a importância dos lugares e superar obstáculos dessa natureza.

9. A forma apoia a função

As contribuições da comunidade e de potenciais parceiros, o entendimento de como outros espaços funcionam, a experimentação e a superação de obstáculos ajudam a construir o conceito para um espaço.

Assim como o design, esses aspectos permitem mostrar a forma que deve ser delineada para planejar o futuro de um local.

exemplo de placemaking em copenhague
O colorido dos edifícios, o caminho para circulação de pedestres e os barcos do canal Nyhavn, em Copenhague, criam uma atmosfera convidativa e vibrante que faz os visitantes se sentirem parte da cultura escandinava (Foto: Inge Knoff/Flickr)

10. Dinheiro não é o problema

É claro que o planejamento de um espaço público demanda recursos financeiros. Porém, este princípio do placemaking está ligado à ideia de que os custos são o de menos quando comparado aos benefícios.

Uma vez que a estrutura básica de um local está feita, os demais elementos não apresentam um valor tão alto.

Além disso, se a comunidade e parceiros estiverem envolvidos em planejar as atividades e entusiasmados com o projeto, as despesas diminuem.

11. Nunca acaba

Por fim, é preciso ter em mente que o cuidado de um espaço que atenda às necessidades, opiniões e mudanças em curso na comunidade requer atenção contínua.

Afinal, muita coisa acontece no ambiente urbano. E até as necessidades mudam.

Portanto, estar aberto à necessidade de mudanças e ter flexibilidade para realizá-las pode transformar bairros e cidades em ótimos espaços públicos para todos.

Tendo esses princípios em mente, podemos aplicar o placemaking na hora de planejar qualquer espaço de convívio, em que as pessoas estejam no centro de tudo.

Pensar as cidades, levando em conta as necessidades individuais das pessoas, é fundamental. Entenda como a arquitetura e o urbanismo funcionam como ferramentas de inclusão social!

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