06.04.2023
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Detalhe arquitetônico, Granada, Espanha
Detalhes de uma das salas da Alhambra, em Granada (Foto: Ale Disaro)

A presença muçulmana na Espanha e a Reconquista

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06.04.2023
Os muçulmanos estiveram presentes por quase oito séculos na península Ibérica. O colunista Ale Disaro faz uma introdução dessa história e compartilha fotos de sua viagem por Sevilha, Granada, Córdoba e Toledo, algumas cidades que trazem em sua arquitetura um testimonio desse período
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Da chegada à Península Ibérica no ano 711 d.C. até a conquista de Granada em 1492, foram quase 800 anos de presença muçulmana na Espanha. O legado é incontestável e as marcas reverberam na cultura, arquitetura, gastronomia e na língua espanhola. Dediquei uma coluna exclusivamente à arquitetura mudéjar na Espanha.

Para ouvir a coluna completa, clique no play abaixo:

Detalhes da fachada da mesquita-catedral de Córdoba. Sobre o arco muçulmano, contornos góticos em pedra e, ao meio, um brasão episcopal (Foto: Ale Disaro)

Nesta coluna, vamos compreender melhor a história: os diferentes nomes que católicos e muçulmanos tiveram durante este processo histórico; o que foi a Reconquista; conhecer um pouquinho da Alhambra e da mesquita-catedral de Córdoba; e aprender algumas curiosidades linguísticas que herdamos tanto no espanhol, quanto no português.

Um dos salões da mesquita-catedral de Córdoba, evidenciando os arcos da antiga sala de reza da mesquita. Dentro, há diversos estilos arquitetônicos sobrepostos e retrabalhados em mais de 10 séculos de dominação e disputas de poder entre cristãos e muçulmanos. Não há nada igual no mundo. Um dos lugares mais incríveis da Espanha e do mundo (Foto: Ale Disaro)

A história da presença muçulmana na Espanha

Cobrir quase 800 anos da rica história da Península Ibérica é complexo. Há muitos acontecimentos e detalhes numa época marcada por constantes disputas entre católicos e muçulmanos. Por isso, vamos com uma versão mais enxuta para um panorama geral.

A Península Ibérica sempre foi diversa em sua composição, com muitos povos passando por ali. Povos autóctones (população originária), fenícios/cartagineses, judeus, romanos, vândalos, alanos, suevos, vascões, bizantinos, visigodos, árabes-berberes e católicos.

Retábulo da Catedral de Toledo. Em meio à arquitetura gótica do final do século 15, encontramos uma estátua curiosa em uma das colunas. O faquih Abu Walid, que supostamente havia implorado aos seus companheiros muçulmanos que apoiassem a conversão da mesquita em catedral. Lenda ou não, o fato ilustra, de certa forma, o jogo de poderes entre ambas as religiões que por séculos lutaram pela península Ibérica. No caso, a estátua de um muçulmano no atar gótico (Foto: Ale Disaro)

Com a queda do império romano no século 5, parte da Península Ibérica ficou sob o comando dos suevos, parte sob comando dos visigodos e outra parte sob comando dos bizantinos. Todos cristãos. Com o passar dos anos, esse xadrez de poder foi se reconfigurando, até que no começo do século 8 os visigodos passaram a controlar toda a área.

Entretanto, no ano 711 d.C., os primeiros árabes-berberes chegaram à Península Ibérica atravessando o estreito de Gibraltar e estabelecendo ali um novo califado omíada em terras que chamaram de Al- Andaluz.

Cristãos e judeus, então, foram permitidos coexistir sob o domínio muçulmano, mas proibidos de erguer novos templos, cultivar novas terras e fazer proselitismo (catequizar). De todo modo, os cristãos conseguiram preservar boa parte das suas estruturas sociais, políticas e culturais.

Veja mais da viagem de Ale Disaro:

Os muçulmanos foram realizando conquistas graduais que se consolidaram no emirado de Córdoba e posteriormente, em 929 d.C., no surgimento do califado de Córdoba, que permaneceu unido até sua dissolução em 1031 d.C.

Esse período de constante união e expansão coincide com o período de maior progresso dos muçulmanos ibéricos. A era de ouro do islã trouxe grandes descobertas, avanços científicos, prosperidade cultural e deixou sua marca em Al-Andaluz.

Durante todo este processo, o declínio demográfico, social e de importância da comunidade cristã na península se intensifica, resultante do crescimento das conversões ao islamismo, do latim cada vez menos utilizado, das emigrações para o norte (Astúrias e Navarra) e das destruições de seus centros religiosos e culturais.

Ao passo que a cultura cristã empobrecia, acontecia o processo de aculturação. A língua árabe, foi amplamente adotada, assim como a cultura. Os cristãos arabizados adotaram a língua e os costumes muçulmanos. A estes cristãos arabizados deu-se o nome de moçárabes.

O sul se tornava cada vez mais homogênio e mais muçulmano, enquanto o norte concentrava os católicos entre as montanhas na região das Astúrias, Cantábria e Navarra.

Em paralelo, na parte cristã da Península Ibérica, no começo do século 9, foram, supostamente, achados os restos mortais do apóstolo Tiago (Santiago). A cidade de Santiago de Compostela se ergue e prospera em torno de uma série de rotas de peregrinação que levavam até o santuário. O surgimento de Santiago de Compostela como destino de peregrinação se deu neste período propício no qual Roma estava em plena decadência e Jerusalém, nas mãos dos muçulmanos. O padroeiro de Santiago tornou-se o padroeiro da causa-maior da época e do contexto, um padroeiro cavaleiro e matamoros (mata mouros).

Era necessário proteger a Península Ibérica e preservar este novo e importante local de peregrinação católica.

Mesquita-Catedral de Córdoba

Fachada da mesquita-catedral de Córdoba. Vemos diversos elementos da arquitetura andaluza cordobesa (Foto: Ale Disaro)

Aproveito a menção da cidade no parágrafo logo acima para introduzir a mesquita-catedral, um dos monumentos mais espetaculares que já visitei.

Erguida em diversas etapas construtivas e alterada ao longo da história é uma verdadeira colcha de retalhos. Um testemunho da história. Não há nada no mundo igual a este conjunto arquitetônico.

Ela contém em si a preservação e a sobreposição das conquistas e mudanças de poder através da mais primorosa arquitetura. Ali encontramos mosaicos da antiga basílica visigoda, as sucessivas extensões muçulmanas da mesquita, a dominação católica com o processo mudéjar de readequação, a arquitetura católica gótica, renascentista e até barroca.

Desde sua fundação no final do século 8 ao século 18 a estrutura passou por diversas obras que agregaram estilos arquitetônicos da época ao conjunto existente. E mais, com as obras de restauro que se iniciam no século 19 novas descobertas foram feitas lançando luz sobre outras camadas dessa complexa história.

A dissolução do califado de Córdoba

Porém, um novo capítulo da Reconquista se inicia com a dissolução do califado de Córdoba. Al-Andaluz se fragmenta em diversas taifas (reinados, emirados e principados) e descentraliza o poder, dificultando a contenção das conquistas católicas e deixando as taifas mais suscetíveis à dominação por outros califados vindos do norte africano. As décadas seguintes foram marcadas por brigas entre as taifas, assim como por sucessivas tentativas de conquistas católicas.

Alhambra

Outro monumento espetacular desta época é a Alhambra. Construída no topo da colina, o grande complexo murado começou a ser erguido após a queda do califado almoáda com a criação do emirado (reino) de Granada em 1248. O Reino foi o último a ser conquistado pelos católicos e, consequentemente, o último reduto dos muçulamanos na Península Ibérica.

Palácio dos leões, dentro da Alhambra em Granada. Um dos salões mais bonitos do palácio e exemplo da rebusca arquitetura palatina andaluza. Repare no intrincado trabalho de arabescos em estuque (Foto: Ale Disaro)

Granada foi culturalmente próspera. Lá encontramos o ápice do rebuscamento da arquitetura andaluza. Das diversas estruturas presentes dentro da cidadela de Alhambra, o palácio nacérida é o mais impressionante. Há excelentes exemplos de arquitetura moura bem preservadas num dos mais opulentos palácios de arquitetura islâmica do mundo.

O contínuo avanço católico

Todos os reinos ibéricos se beneficiaram do apoio de diversas ordens militares, como a Ordem dos Hospitalários e a Ordem dos Templários, ordens de cavalaria militar e religiosa que tinham como propósito a cristianização e a contenção do avanço muçulmano.

Os reis católicos foram ganhando território através de lutas, alianças, acordos diplomáticos e casamentos entre reinos, confinando os muçulmanos cada vez mais ao sul, sendo o reino de Granada seu último reduto. Com o matrimônio de Isabel I de Castela e Leão e Fernando II de Aragão, os dois reinos se uniram numa dinastia que colocaria fim ao reino de Granada em 1492 e consolidaria a hegemonia católica na península.

Livres do reino de Granada e dentro do contexto histórico do final do século 15, a Espanha também se lança ao mar em busca das novas Índias. A tomada do reino nacérida é a vitória final para que a coroa espanhola pudesse dedicar suas forças e energias às navegações e a uma nova fase da história espanhola.

Detalhe do Portão da Justiça, na Alhambra. Aqui encontramos um dos valores simbólicos mais interessantes, a mão com uma chave na parte de cima do arco (não visível nesta foto) e a chave, visível na foto, ambos símbolos islâmicos, contrastando com a imagem gótica da Virgem e do menino Jesus ali colocadas sob a inscrição árabe fundacional da porte. Logo atrás da porta há também um pequeno altar onde foi rezada a primeira missa após a conquista de Alhambra pelos católicos (Foto: Ale Disaro)

Mouro, moçárabe, mudéjar ou mourisco? Qual a diferença?

Esses quatro termos são encontrados com recorrência ao ler sobre a história da Espanha durante esse período. Vamos entender um a um, sempre lembrando que a arquitetura também reflete a história.

Mouros

Eram os muçulmanos ibéricos. Berberes, árabes e locais miscigenados que habitavam a península.

A arquitetura moura era realizada pelos muçulmanos e para os muçulmanos. É a arquitetura que alicerçou a mudéjar. Há belos exemplares ainda bem preservados, como os palácios nazaries na Alhambra.

Moçárabes

Eram os cristãos arabizados vivendo sob domínio muçulmano, que foram permitidos viver e exercer sua fé. Cristãos que adotaram a língua, hábitos e cultura muçulmanos.

E a arquitetura moçárabe é a arquitetura dos cristãos arabizados, que incorporava elementos muçulmanos às heranças visigodas e bizantinas já existentes na península. A Igreja de Santiago de Peñalba é um ótimo exemplo.

Ainda sobre arquitetura, o elemento decorativo muqarna, geralmente observado em abóbadas e arcos e que cria uma espécie de composição celular, pode também ser chamado de mocárabe. Cuidado para não confundir.

Mudéjares

Eram os muçulmanos autorizados a viver e exercer sua fé sob domínio católico – até um certo ponto na história, quando sua conversão se tornou compulsória e imposta.

A arquitetura mudéjar é a arte construtiva e decorativa comissionada pelos católicos e executada por mouros ou mouriscos, mesclando elementos cristãos e islâmicos. O Real Alcácer de Sevilha, Palácio de Pilatos e a Catedral de Teruel são ótimos exemplos.

Mouriscos

Eram os muçulmanos vivendo sob domínio católico e forçadamente convertidos ao catolicismo.

O que aconteceu com os muçulmanos e judeus?

Detalhe da sinagoga do Trânsito em Toledo. Repare na arquitetura mudéjar usada na construção. Estuques em gesso, arcos lobulados, colunas, teto em madeira, motivos vegetais, símbolos heráldicos e as caligrafias árabe e hebraica juntas! (Foto: Ale Disaro)

Seja sob domínio católico, seja sob domínio muçulmano, por um determinado tempo muçulmanos, judeus e católicos coexistiam, contudo, nem sempre em harmonia. O movimento histórico da reconquista foi feito de forma lenta e ao longo dos séculos.

Sob o domínio católico, muçulmanos e judeus detinham status inferiores e pagavam taxas para permanecerem e praticarem sua fé. Houve períodos de maior tranquilidade entre si e períodos de tensão e consequentemente de perseguição. Com o passar do tempo, tal perseguição forçou a conversão para o catolicismo. Muitos se converteram de fachada por conta do medo, praticando sua verdadeira fé em segredo, dentro de casa.

Contudo, os católicos sabendo disso passaram a desconfiar dos conversos (judeus convertidos) e mouriscos (muçulmanos convertidos). Suspeitavam de heresia e que a prática da sua fé desestabilizava a ortodoxia dentro dos reinos católicos. A Inquisição Espanhola, braço do movimento europeu da Inquisição medieval, se iniciou em 1481 na península.

Em 1492, com a tomada de Granada, a hegemonia católica se consolidou. Aos judeus foram dadas duas opções, ficar e se converter ao catolicismo ou partir da península Ibérica. Se partissem poderiam levar seus bens, com exceção do ouro, prata e dinheiro. Aos muçulmanos foi permitida a permanência, muitos sendo obrigados à conversão, outros expulsos para o norte da África e outros tantos enviados para outras partes do reino. Porém entre 1603 e 1613 os mouriscos foram expulsos de vez.

O que foi a Reconquista?

Detalhes do teto da catedral de Sevilha. (Foto: Ale Disaro)

Este é um termo acadêmico relativamente recente e usado para se referir ao processo de conquista católica da Península Ibérica.

Porém, é necessário clareza ao usá-lo, pois parte de uma ótica cristã ao entender que o cristianismo era a normatividade a ser recuperada. Esquece-se – propositalmente? – que as sucessivas conquistas e invasões eram, de fato, a normatividade da época em toda a Europa.

Inicia-se alguns anos após a invasão árabe da Península Ibérica e finaliza em 1492 com a queda de Granada.

Ao final da reconquista também perpassa à inquisição espanhola.

Curiosidades linguísticas

Durante a viagem, aprendi algumas curiosidades bem legais sobre a história espanhola e o legado muçulmano no país.

O espanhol andaluz

Dentro da Andaluzia existem algumas variedades regionais e um aspecto curioso que reverbera diretamente no espanhol falado na América Latina. O seseo/ceceo é um fenômeno fonético da evolução natural do castelhano antigo no qual a pronúncia de algumas letras se fazem distintas.

No seseo o s, z e o c são pronunciados sem distinção e com som de s /s/ – como em sapo.

No ceceo o s é pronunciado com o som de s /s/ enquanto o z e o c são pronunciados ou com som do th /θ/ em inglês.

Por curiosidade, o espanhol do resto da Espanha faz a distinção na pronúncia entre s que é pronunciado com som de s; e o c e e o z são pronunciados com o som do th /θ/ em inglês.

Em Sevilha essas consoantes têm a mesma pronúncia (som de s). E como Sevilha foi a cidade mais importante durante a época das grandes navegações, de onde sairam as embarcações para as Américas, foi de lá que a variante andaluz do espanhol com o seseo atravessou o Atlântico e se estabeleceu na América Latina.

Influência árabe no idioma

A influência árabe de quase 800 anos na península Ibérica deixou marcas no léxico do português e do espanhol. Apesar de serem línguas latinas e românicas (português, espanhol, francês, italiano e romeno), tanto o espanhol quanto o português têm maior herança, devido à maior exposição ao árabe do que francês, italiano e romeno.

Por exemplo, a palavra arroz em árabe se diz al-ruz (pronuncia-se arruz), em portugês arroz e em espanhol arroz. Repare na vogal a no começo. Já no italiano se diz riso e no francês riz.

Outro exemplo é a palavra açúcar, que em árabe se diz al-sukar (pronuncia-se assukar), em português açúcar e em espanhol azúcar. Em italiano zucchero e francês sucre.

Percebe a maior semelhança entre português e o espanhol?

Azeite, azeitona, almofada, algodão, laranja, oxalá, sorvete, talco, tarefa, cenoura, fulano e outras tantas palavras passam pelo mesmo processo e apresentam maior proximidade entre espanhol e português.

Nomes de rios

Rio Guadalquivir passando pelo centro de Córdoba (Foto: Ale Disaro)

O prefixo guad é muito comum no sul da Espanha e também em diversos lugares na América Latina. Guadalquivir, Guadalajara, Guadiana, Guadalupe, Guadalevin e outros tantos exemplos.

Guad- é a forma hispânica da palavra em árabe (al-)wadi, que significa leito de rio – mais precisamente um tipo de rio sazonal que enche e seca durante o ano. O rio que passa por Cadiz, Sevilha e Córdoba se chama Guadalquivir e vem do árabe (al-)Wad al-kabir (o grande rio).

Com o passar dos anos, palavras em latim e em castelhano também se mesclaram ao prefixo guad e formaram nomes como Guadalupe (wadi al-lupus, rio em árabe e lobo em latim) e Guadix.

Em português (al-)wadi foi aportuguesado para o prefixo od- e em Portugal há rios como o Odeleite, Odemira e o Odeceixe.

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A presença muçulmana na Espanha e a Reconquista

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  1. Mais uma delícia de saberes das culturas abordadas, adorei o paralelo traçado entre as línguas, raiz e sons das palavras. Gratidão Alexandre/Arquitrends

  2. Realmente um prazer viajar por seus conhecimentos e como tudo isso faz outro sentido, ao olharmos a arquitetura desses locais, suas histórias de séculos e séculos…É assim, a coluna sua sai e quem ganha somos nós. Parabéns outra vez Alexandre Disaro👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻…Um prazer te ler 😊❤️

  3. Se faz necessário passear pela história, para perceber detalhes na arquitetura tão rica . Culturas , registradas nas construções.
    Parabéns Alexandre , por suas fotos e relatos.

  4. Adoro a coluna do Ale Disaro, é tão enriquecedora! Farta em informações através de seu texto e abundante em beleza através de suas fotos! Muito obrigada! 💖



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