21.07.2023
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Jaffa Hotel, arquiteto israelense Ramy Gill
Coletivo Criativo Israel se hospedou no Jaffa Hotel em Tel Aviv, projeto de luxo discreto do arquiteto israelense Ramy Gill (Foto: Mauri Cherobin)

Jaffa Hotel: a casa do Coletivo Criativo em Tel Aviv

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21.07.2023
Na experiência promovida pelo Portobello+arquitetura, o arquiteto israelense Ramy Gill fez uma visita guiada exclusiva apresentando esse incrível projeto, que levou 24 anos e traz preciosidades arqueológicas. A colunista Chris Ferreira, diretora de branding e inovação da Portobello Shop, acompanhou o grupo e compartilha detalhes
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A casa do Coletivo Criativo Isarel em Tel Aviv foi o Jaffa Hotel, que encantou e surpreendeu já à primeira vista.

Mas, nossa sorte foi tanta, que conseguimos uma visita guiada exclusiva com o arquiteto israelense Ramy Gill, autor do projeto. 

Ramy nos contou sobre o idealizador do hotel, um judeu nova-iorquino que tinha o propósito de presentear a cidade com o empreendimento, um tributo à sua origem e uma homenagem ao seu pai, sobrevivente do holocausto. “Foi alguém que pediu uma Mercedes e soube esperar e pagar por ela”, comentou o arquiteto.

Foram 24 anos da ideia à execução, com a liderança do arquiteto Ramy Gill e muitos desafios. 

Saiba mais sobre o Coletivo Criativo Israel:

Como o terreno está na cidade antiga de Jaffa, há muitos artefatos históricos a serem descobertos e preservados, sempre em parceria com a autoridade responsável pela preservação das antiguidades de Israel – ou seja, muitas pesquisas arqueológicas e negociações precederam o projeto.

O estudo arqueológico durou 15 anos e um dos importantes elementos encontrados foi um muro em forma circular, construído pelos cruzados e mantido como um elemento de destaque no lobby do hotel.

projeto de arquitetura do Jaffa Hotel
O projeto de arquitetura do Jaffa Hotel é repleto de interessantes histórias, que foram contadas pelo arquiteto Ramy Gill (Foto: Mauri Cherobin)

A partir desta e de outras descobertas o projeto foi desenvolvido, a partir de quatro pilares conceituais que Gill nos contou e compartilho a seguir:

1. Preservação da história

Estabelecer uma conversa entre o século 19 e o século atual, adicionando todas as modernidades possíveis para facilitar a vida das pessoas e mantendo as marcas do tempo, sem tentar cobri-las com qualquer tipo de “fru-frus”, foi uma premissa do projeto de arquitetura.

O prédio de 1879 foi idealizado por dois amigos franceses, incluindo uma autoridade da Igreja Católica, que peregrinaram pelo local anos antes. Além de perderem um amigo do grupo na viagem, eles constataram a precariedade das instalações da peregrinação, então decidiram formar um fundo para financiar a construção de uma estalagem, que passou por vários usos, incluindo hospital e convento.

capela dessacralizada do Jaffa Hotel
Coletivo Criativo Israel na capela dessacralizada que hoje é o espaço de eventos do hotel (Foto: Mauri Cherobin)

O prédio abrigava também uma capela belíssima, que foi transformada em um espaço para eventos. A capela teve que ter a liberação do Vaticano para ser dessacralizada, fato que ocorreu junto à exumação do corpo do padre que comandava essa igreja e estava sepultado ali.

O grande desafio nessa parte do projeto foi a estruturação para receber mais andares, sem criar elementos que comprometessem a edificação original. Fez parte dessa solução esculpir um volume de 4×4 centímetros em cada canto dos pilares que sustentavam os arcos e preenchê-los com esbeltas estruturas para a nova edificação. Uma inovação que surgiu das reflexões do arquiteto sobre o tema e da colaboração sagaz e inteligente do construtor.

Era necessário que o novo prédio fosse resistente a terremotos e contasse com abrigos anti-bombas. Foram criadas duas torres flexíveis, a partir de tecnologia da indústria automobilística e aeronáutica, onde o prédio foi enganchado para solucionar o tema dos terremotos. Os abrigos foram construídos em estruturas verticais, colocadas de forma a não serem notadas do interior e do exterior do edifício.

Nos quartos, as estruturas atuais foram sobrepostas às paredes antigas, consideradas “sagradas” no projeto, gerando um interior incrível, sofisticado, elegante e solto, como uma ilha no ambiente histórico.

2. A entrada singela

O pequeno acesso da rua através de um corredor prepara para a surpresa e o protagonismo da construção restaurada em forma de U, com um belíssimo pátio fazendo a conexão com o edifício totalmente novo, mais linear.

Estabelecer uma entrada singela foi um pilar importante frente à tentação de criar um lobby monumental, que acabaria por sobrepor-se ao patrimônio histórico. Intencionalmente, essa parte da arquitetura reforça a convivência harmônica entre o novo, o antigo e o antiquíssimo.

3. Paleta discreta

A humildade e a modéstia do projeto levaram a uma cartela de tons apagados, “quase banais”, segundo Ramy, tanto para respeitar a vizinhança, onde as construções são feitas com a pedra de Jerusalém, de tons que vão do cru ao areia, quanto para compor com os tons originais das estruturas antigas, bem pastéis e aconchegantes.

paleta neutra nos tons originais das estruturas antigas nos interiores do Jaffa Hotel
A paleta neutra nos tons originais das estruturas antigas nos interiores do hotel (Foto: Mauri Cherobin)

Alguns ambientes tiveram um trabalho de restauro, removendo camadas de tinta até chegar às superfícies originais.

4. Mood: discrição despojada

Ramy buscou reconhecer que “tinha gente antes da gente” nesse local. Os egípcios, helênicos, romanos, árabes, cruzados, otomanos, ingleses, entre outros, faziam parte desse mesmo espaço, o que levou à abordagem de um nômade como público. A ideia é que o anonimato e a discrição despojada sejam o mood dos hóspedes e moradores.

Arquitetura inovadora e surpreendente

O complexo desenvolvido a partir desses quatro conceitos é de uma beleza simples e extremamente sofisticada, tanto estética, quanto funcionalmente.

São 20 mil metros quadrados construídos, 120 quartos – sendo 40 na área restaurada e 80 na área nova -, além de 30 habitações permanentes de 75 a 1.600 metros quadrados.

São 600 metros quadrados de cozinha.

O background para essa estrutura está, principalmente, no subsolo. São 145 vagas de garagem automatizadas, que não são percebidas, a não ser por um modesto portão de entrada diretamente da rua.

O local tem um aquífero que fornece água para o funcionamento do prédio e do sistema de ar condicionado.

Há dois sistemas de esquadrias, um interno de vidro e um externo de brises de metal, que foram desenvolvidos durante dois anos. O resultado são duas chapas metálicas perfuradas com círculos, de dois tamanhos levemente diferentes, sobrepostos em um ângulo tal que formam uma trama de flores, remetendo aos muxarabis da cultura otomana que por ali passou, além de uma emenda praticamente imperceptível.

O design de interiores do hotel e do residencial teve a colaboração do estúdio inglês John Pawson.

O edifício é repleto de obras de arte, pois o seu proprietário é um dos maiores colecionadores de arte do mundo.

Conhecer os detalhes desse projeto através da visita guiada pelo próprio Ramy Gill foi uma das melhores experiências da viagem do Coletivo Criativo Israel. Uma mente brilhante nos contando uma história única. Um arquiteto por vocação, que também é professor, respondeu de forma modesta, com uma frase da tradição hebraica, sobre como se sentia com esse feito:

“Me sinto como o menor da casa dos meus pais.”

Serviço

The Jaffa Tel Aviv
Reservas: site
Endereço: 2 Louis Pasteur Street, Tel Aviv-Jaffa, Israel

Ramy Gill
Site
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