
Townsizing: o estilo de viagem para encontrar inspirações fora do óbvio
Está com vontade de viajar, mas não quer enfrentar multidões? O townsizing é a solução ideal. Além de visitar locais fora do hype, você ainda conhece culturas, pessoas e soluções arquitetônicas diferentes.
Mas o que é townsizing? Neste texto, você vai entender mais sobre essa forma diferente de viajar, além de sugestões de locais pelo mundo para incluir no roteiro. Continue a leitura.
O que é townsizing?
Townsizing é o turismo fora do óbvio, ou seja, visitar cidades e países que são interessantes, mas não têm uma alta circulação de visitantes. É uma opção interessante para quem deseja viajar para locais menores, com pouca população e visitação.
Para o arquiteto, o townsizing é uma oportunidade de conhecer diferentes formas de arquitetura.
Em um momento no qual o minimalismo domina as construções, inspirações fora do tradicional podem fazer toda a diferença no resultado do seu trabalho.
E viajar, claro, permite conhecer novas culturas e formas de pensar, o que estimula a criatividade — qualidade essencial a um arquiteto.
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Um townsizing para arquitetos: pode onde começar?
Quer um trajeto fora do convencional? Veja lugares interessantes, que nem sempre são lembrados pelos turistas brasileiros:
Milos, Grécia

Conhecida como Ilha das Cores, Milos é uma ilha acessível por avião (próxima a Atenas) ou via navio. Mas muitos turistas dão preferência a pontos mais famosos, como Mikonos ou Santorini.
Para quem deseja fazer um townsizing, Milos traz beleza, conforto e algumas das praias mais bonitas do país.
A cidade traz uma das características mais marcantes da arquitetura grega: as casas pintadas de branco com cores fortes nas portas e janelas (daí vem seu apelido).
Esse hábito regional nasceu porque boa parte das casas das ilhas gregas é construída com pedras escuras, o que faz com que o interior fique muito quente durante o verão.
Outra explicação é que, em 1938, a Grécia passou por um surto de cólera. Ioánnis Metaxás, então primeiro-ministro, ordenou que os habitantes pintassem as casas com cal branco. O calcário da tinta era um poderoso desinfetante, que conseguia higienizar a superfície das residências.
Como o turismo está crescendo, a região já conta com pousadas, hotéis e até casa flutuantes para quem deseja passar uma temporada por lá.
Dallas, EUA

O Brasil é o quarto país que mais envia turistas para os Estados Unidos. Para quem deseja conhecer o país, mas longe da agitação turística, uma opção interessante é Dallas, no Texas.
Dallas não é nem a cidade mais conhecida do seu estado. Porém, é uma das cidades com maior concentração de estruturas arquitetônicas consagradas por quilômetro quadrado do planeta.
Boa parte dos principais escritórios de arquitetura da atualidade tem alguma construção na cidade: seis arquitetos vencedores do Prêmio Pritzker trabalharam lá.
Um exemplo é a Dallas Rolex Tower, projetada por Kengo Kuma para a marca. A torre de vidro, com forma semelhante à de uma escada espiral, é toda envolta por venezianas horizontais revestidas com madeira para atenuar o calor.
Mvoungangomi, Camarões

Provavelmente, os primeiros nomes que vêm à mente quando falamos de arquitetura africana são Egito e Marrocos.
Porém, Camarões é um dos países mais diversos em arquitetura: seus 230 grupos étnicos trazem uma riqueza cultural que se reflete em construções tradicionais e sustentáveis.
Um exemplo é a Aldeia Warka, em Mvoungangomi, comunidade pigmeu Bagyeli. Construída para hospedar 100 pessoas das regiões locais, o espaço, baseado na arquitetura vernacular, tem padrões altos de conforto e higiene.
Para tal, duas torres Warka são construídas para distribuir de 40 a 80 litros de água (coletada do ar) por dia. Seu sistema de saneamento sem descarga funciona por meio da compostagem.
Você pode visitar também as casas Musgum, construções feitas à mão com barro moldado e água. Seu formato e altura reduzem o impacto da chuva sobre as paredes e proporcionam conforto térmico nos dias quentes.
Toulouse, França

Próxima à Andorra e à Espanha está Toulouse. Conhecida como Cidade Rosa, está a 700 km de Paris, portanto é o destino perfeito para um townsizing francês.
La Ville Rose é assim conhecida pelas pedras e azulejos usados em suas construções, que proporcionam o tom rosado de um fim de tarde ensolarado.
Por ter sido uma cidade muito prolífica durante a Renascença, ainda guarda uma série de edificações características da época.

Uma das mais antigas é a Torre de Menagem, conhecida como Torre dos Arquivos. Datada do século XVI, a construção se localiza na Place du Capitole, que também abriga a Prefeitura e o Théâtre du Capitole.
Por fim, a Basílica Saint-Sernim é parada obrigatória. Consagrada em 1096 pelo papa Urbano II e centro de peregrinação na Idade Média, é a maior igreja românica da Europa.
A basílica foi construída em homenagem ao martírio de São Saturnino e, depois do Vaticano, conta com o maior número de relíquias católicas no mundo.
Machu Picchu, Peru

Embora Machu Pichu seja o local mais visitado do Peru — por volta de 1,6 milhão de turistas por ano —, ainda é uma quantidade relativamente baixa quando comparado a outros pontos turísticos.
A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, recebeu 6,8 milhões de turistas apenas no primeiro semestre de 2025.
De 2023 para 2024, o número de turistas brasileiros visitando o Peru aumentou 71%. O país inteiro tem uma arquitetura interessante e que vale a pena conhecer, mas Machu Picchu é o centro histórico-cultural peruano. Um dos principais redutos do Império Inca, a cidade foi toda construída por engenheiros desse povo pré-colombiano.
Para o arquiteto, Machu Picchu é uma excelente opção para townsizing por mostrar como o povo inca foi inovador com relação à tecnologia e arquitetura.
Os andenes (terrenos em forma de escada) nivelavam uma área de plantio e conseguiam aumentar a quantidade de terra cultivável. Além disso, seus engenheiros criaram sofisticados sistemas de irrigação para plantações e uso doméstico.
A seguir, conheça mais opções fora do óbvio para inspirar arquitetos no conceito de townsizing — locais que combinam charme, escala humana, identidade local e ambiente mais calmo:
- Albarracín (Espanha) – vila medieval nas colinas, referência em preservação e uso de materiais locais.
- Matera (Itália) – famosa pelas casas escavadas em pedra (Sassi), mistura de história e adaptação ao relevo.
- Takayama (Japão) – arquitetura tradicional de madeira, ruas preservadas e estética minimalista.
- Hoi An (Vietnã) – harmonia entre arquitetura antiga, luz natural e vida urbana desacelerada.
- Lamu (Quênia) – cidade-ilha com arquitetura swahili, ruas estreitas e ritmo tranquilo.
- Carmel-by-the-Sea (EUA) – charme costeiro, estética orgânica e escala amigável ao pedestre.
- Bruges (Bélgica) – canais, proporções equilibradas e ambiência que valoriza o caminhar.
- Dinan (França) – urbanismo medieval preservado e arquitetura enxaimel em escala acolhedora.
- Évora (Portugal) – patrimônio histórico vivo, com equilíbrio entre passado e contemporaneidade.
- Szentendre (Hungria) – atmosfera artística e colorida, exemplo de identidade visual urbana.
11. Paraty (RJ, Brasil) – ruas de pedra, fachadas coloniais e integração entre arquitetura, mar e montanha.
12. Tiradentes (MG, Brasil) – referência em conservação, harmonia de escala e autenticidade no uso de materiais.
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