12.11.2025
Avaliação 
Avalie
 
Sem votos
Avaliar
Townsizing estimula viagens para locais fora do óbvio, como a cidade Toulouse, na França (Foto: Didier Descouens/Wikimedia Commons)

Townsizing: o estilo de viagem para encontrar inspirações fora do óbvio

 minutos de leitura
calendar-blank-line
12.11.2025
Entre o ritmo calmo das pequenas cidades, o townsizing surge como inspiração para arquitetos que buscam novas maneiras de projetar a vida urbana
minutos de leitura

Está com vontade de viajar, mas não quer enfrentar multidões? O townsizing é a solução ideal. Além de visitar locais fora do hype, você ainda conhece culturas, pessoas e soluções arquitetônicas diferentes.  

Mas o que é townsizing? Neste texto, você vai entender mais sobre essa forma diferente de viajar, além de sugestões de locais pelo mundo para incluir no roteiro. Continue a leitura. 

O que é townsizing? 

Townsizing é o turismo fora do óbvio, ou seja, visitar cidades e países que são interessantes, mas não têm uma alta circulação de visitantes. É uma opção interessante para quem deseja viajar para locais menores, com pouca população e visitação. 

Para o arquiteto, o townsizing é uma oportunidade de conhecer diferentes formas de arquitetura. 

Em um momento no qual o minimalismo domina as construções, inspirações fora do tradicional podem fazer toda a diferença no resultado do seu trabalho. 

E viajar, claro, permite conhecer novas culturas e formas de pensar, o que estimula a criatividade — qualidade essencial a um arquiteto. 

Leia também: 

Um townsizing para arquitetos: pode onde começar? 

Quer um trajeto fora do convencional? Veja lugares interessantes, que nem sempre são lembrados pelos turistas brasileiros:  

Milos, Grécia 

ilha de milos, na grécia
Milos carrega as principais características da arquitetura residencial grega (Foto: Olivier Aumage/Wikimedia Commons)

Conhecida como Ilha das Cores, Milos é uma ilha acessível por avião (próxima a Atenas) ou via navio. Mas muitos turistas dão preferência a pontos mais famosos, como Mikonos ou Santorini. 

Para quem deseja fazer um townsizing, Milos traz beleza, conforto e algumas das praias mais bonitas do país. 

A cidade traz uma das características mais marcantes da arquitetura grega: as casas pintadas de branco com cores fortes nas portas e janelas (daí vem seu apelido). 

Esse hábito regional nasceu porque boa parte das casas das ilhas gregas é construída com pedras escuras, o que faz com que o interior fique muito quente durante o verão. 

Outra explicação é que, em 1938, a Grécia passou por um surto de cólera. Ioánnis Metaxás, então primeiro-ministro, ordenou que os habitantes pintassem as casas com cal branco. O calcário da tinta era um poderoso desinfetante, que conseguia higienizar a superfície das residências. 

Como o turismo está crescendo, a região já conta com pousadas, hotéis e até casa flutuantes para quem deseja passar uma temporada por lá. 

Dallas, EUA 

centro da cidade de dallas
Downtown, centro financeiro de Dallas (Foto: Wikipédia

O Brasil é o quarto país que mais envia turistas para os Estados Unidos. Para quem deseja conhecer o país, mas longe da agitação turística, uma opção interessante é Dallas, no Texas. 

Dallas não é nem a cidade mais conhecida do seu estado. Porém, é uma das cidades com maior concentração de estruturas arquitetônicas consagradas por quilômetro quadrado do planeta. 

Boa parte dos principais escritórios de arquitetura da atualidade tem alguma construção na cidade: seis arquitetos vencedores do Prêmio Pritzker trabalharam lá. 

Um exemplo é a Dallas Rolex Tower, projetada por Kengo Kuma para a marca. A torre de vidro, com forma semelhante à de uma escada espiral, é toda envolta por venezianas horizontais revestidas com madeira para atenuar o calor. 

Mvoungangomi, Camarões 

aldeia em Mvoungangomi, Camarões
Construções da Aldeia Warka se destacam pelo sistema de saneamento e conforto térmico (Foto: Bruno Trédez/Wikimedia Commons) 

Provavelmente, os primeiros nomes que vêm à mente quando falamos de arquitetura africana são Egito e Marrocos. 

Porém, Camarões é um dos países mais diversos em arquitetura: seus 230 grupos étnicos trazem uma riqueza cultural que se reflete em construções tradicionais e sustentáveis. 

Um exemplo é a Aldeia Warka, em Mvoungangomi, comunidade pigmeu Bagyeli. Construída para hospedar 100 pessoas das regiões locais, o espaço, baseado na arquitetura vernacular, tem padrões altos de conforto e higiene. 

Para tal, duas torres Warka são construídas para distribuir de 40 a 80 litros de água (coletada do ar) por dia. Seu sistema de saneamento sem descarga funciona por meio da compostagem. 

Você pode visitar também as casas Musgum, construções feitas à mão com barro moldado e água. Seu formato e altura reduzem o impacto da chuva sobre as paredes e proporcionam conforto térmico nos dias quentes. 

Toulouse, França

Torre de Menagem
Conhecida como Torre dos Arquivos, a Torre de Menagem é um exemplo de construção rosada, característica de Toulouse (Foto: Didier Descouens/Wikimedia Commons) 

Próxima à Andorra e à Espanha está Toulouse. Conhecida como Cidade Rosa, está a 700 km de Paris, portanto é o destino perfeito para um townsizing francês. 

La Ville Rose é assim conhecida pelas pedras e azulejos usados em suas construções, que proporcionam o tom rosado de um fim de tarde ensolarado. 

Por ter sido uma cidade muito prolífica durante a Renascença, ainda guarda uma série de edificações características da época.

Basílica Saint-Sernim
A Basílica Saint-Sernim sobrevive há quase um milênio (Foto: Didier Descouens/Wikimedia Commons) 

Uma das mais antigas é a Torre de Menagem, conhecida como Torre dos Arquivos. Datada do século XVI, a construção se localiza na Place du Capitole, que também abriga a Prefeitura e o Théâtre du Capitole. 

Por fim, a Basílica Saint-Sernim é parada obrigatória. Consagrada em 1096 pelo papa Urbano II e centro de peregrinação na Idade Média, é a maior igreja românica da Europa. 

A basílica foi construída em homenagem ao martírio de São Saturnino e, depois do Vaticano, conta com o maior número de relíquias católicas no mundo. 

Machu Picchu, Peru 

Machu Picchu
Vista aérea das ruínas de Machu Picchu (Foto: Eddie Kiszka

Embora Machu Pichu seja o local mais visitado do Peru — por volta de 1,6 milhão de turistas por ano —, ainda é uma quantidade relativamente baixa quando comparado a outros pontos turísticos. 

A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, recebeu 6,8 milhões de turistas apenas no primeiro semestre de 2025. 

De 2023 para 2024, o número de turistas brasileiros visitando o Peru aumentou 71%. O país inteiro tem uma arquitetura interessante e que vale a pena conhecer, mas Machu Picchu é o centro histórico-cultural peruano. Um dos principais redutos do Império Inca, a cidade foi toda construída por engenheiros desse povo pré-colombiano. 

Para o arquiteto, Machu Picchu é uma excelente opção para townsizing por mostrar como o povo inca foi inovador com relação à tecnologia e arquitetura. 

Os andenes (terrenos em forma de escada) nivelavam uma área de plantio e conseguiam aumentar a quantidade de terra cultivável. Além disso, seus engenheiros criaram sofisticados sistemas de irrigação para plantações e uso doméstico.

A seguir, conheça mais opções fora do óbvio para inspirar arquitetos no conceito de townsizing — locais que combinam charme, escala humana, identidade local e ambiente mais calmo:

  1. Albarracín (Espanha) – vila medieval nas colinas, referência em preservação e uso de materiais locais.
  2. Matera (Itália) – famosa pelas casas escavadas em pedra (Sassi), mistura de história e adaptação ao relevo.
  3. Takayama (Japão) – arquitetura tradicional de madeira, ruas preservadas e estética minimalista.
  4. Hoi An (Vietnã) – harmonia entre arquitetura antiga, luz natural e vida urbana desacelerada.
  5. Lamu (Quênia) – cidade-ilha com arquitetura swahili, ruas estreitas e ritmo tranquilo.
  6. Carmel-by-the-Sea (EUA) – charme costeiro, estética orgânica e escala amigável ao pedestre.
  7. Bruges (Bélgica) – canais, proporções equilibradas e ambiência que valoriza o caminhar.
  8. Dinan (França) – urbanismo medieval preservado e arquitetura enxaimel em escala acolhedora.
  9. Évora (Portugal) – patrimônio histórico vivo, com equilíbrio entre passado e contemporaneidade.
  10. Szentendre (Hungria) – atmosfera artística e colorida, exemplo de identidade visual urbana.

11. Paraty (RJ, Brasil) – ruas de pedra, fachadas coloniais e integração entre arquitetura, mar e montanha.

12. Tiradentes (MG, Brasil) – referência em conservação, harmonia de escala e autenticidade no uso de materiais.

Pronto para fazer townsizing e, de quebra, descobrir abordagens variadas da arquitetura pelo mundo? Então conheça agora Singapura, um exemplo arquitetônico e urbanístico para o futuro.

Compartilhe
Avaliação 
Avalie
 
Sem votos
VOLTAR
ESC PARA FECHAR
Minha avaliação desse conteúdo é
0 de 5
 

Townsizing: o estilo de viagem para encontrar...

Townsizing: o estilo de viagem para encontrar inspirações fora do óbvio

  Sem votos
minutos de leitura
Em análise Seu comentário passará por moderação.
Você avaliou essa matéria com 1 estrela
Você avaliou essa matéria com 2 estrelas
Você avaliou essa matéria com 3 estrelas
Você avaliou essa matéria com 4 estrelas
Você avaliou essa matéria com 5 estrelas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Não perca nenhuma novidade!

Assine nossa newsletter para ficar por dentro das novidades de arquitetura e design no Brasil e no mundo.