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Dos microapartamentos ao coliving, os novos tipos de moradia refletem mudanças no estilo de vida e nas prioridades (Projeto: Rodrigo Aguiar/Foto: Daniel Mansur)

Tipos de moradia que revelam os novos jeitos de viver

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03.08.2025
De coliving a casas flutuantes, conheça cinco tipos de moradia que combinam flexibilidade, economia e sustentabilidade
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Morar está mudando. Os tipos de moradia vão além do modelo tradicional de ter uma casa ou apartamento fixo, grande e exclusivo, que já não atende às demandas de uma vida cada vez mais dinâmica, urbana e conectada

Hoje, experimentações radicais no modo de habitar ganham espaço em diversas partes do mundo, revelando soluções criativas que combinam flexibilidade, economia e comunidade.

Coliving, microapartamentos, habitações móveis e casas flutuantes são alguns exemplos dessas tendências. 

Elas respondem a desafios reais, falta de moradia acessível, necessidade de adaptação às mudanças climáticas e até ao desejo por estilos de vida mais colaborativos. 

No Brasil, essas alternativas começam a sair do papel e inspiram um olhar diferente para o futuro da arquitetura e do morar.

Leia também:

Cinco tipos de moradia para novos modos de viver

1. Coliving (moradia compartilhada)

Colegas de quarto sorridentes em casa. Uma das mulheres está no notebook em uma mesa. Um homem e uma mulher conversam ao fundo na cozinha.
No coliving, cada espaço é pensado para promover conexões, trocas e experiências (Foto: Freepik)

Morar com praticidade, conforto e conexão. Esse é o conceito do coliving, um dos tipos de moradia que está crescendo no mundo e começa a ganhar espaço no Brasil.

Cada morador tem seu quarto, às vezes suíte, mas compartilha cozinha, sala, lavanderia, coworking, academia e lazer. Tudo bem planejado para estimular convivência e troca de experiências.

A alta nos aluguéis, que acumulou avanço médio de 12,9% entre abril de 2024 e abril de 2025 nas grandes cidades, impulsiona essa escolha. O coliving oferece moradia de qualidade, em áreas centrais, com custos mais acessíveis.

Apesar de parecer atual, o conceito nasceu na Dinamarca, nos anos 1960, voltado à vida comunitária. Hoje, ganha cara nova com tecnologia, design e serviços que atendem o estilo de vida urbano e digital.

Empresas como a Roam oferecem colivings em cidades como Miami, Londres, Bali e Tóquio. Os moradores têm quarto privativo e acesso a coworkings, estúdios de yoga e cozinhas profissionais.

No Brasil, além de redes privadas, surgem iniciativas colaborativas. O cohousing Guaxo, em Piracicaba (SP), por exemplo, é voltado para quem busca uma vida mais simples, sustentável e integrada à comunidade.

Mais do que tendência, o coliving é um dos tipos de moradia que reflete uma nova forma de morar, respondendo às mudanças econômicas, sociais e culturais das cidades atuais.

2. Microapartamentos e minicasas

Microapartamento com sala, cozinha e quarto integrados. A paleta de cor consiste em amarelo, cinza e azul
Microapartamentos ganham espaço nas grandes cidades como alternativa acessível e funcional (Projeto: Estudio Kaz - Arq. Renata Munhoz da Rocha)

Nos grandes centros urbanos, o espaço é cada vez mais escasso e caro. Por isso, microapartamentos e microcasas ganham destaque como soluções práticas e acessíveis.

Em São Paulo, apartamentos com menos de 30 metros quadrados têm crescido bastante, principalmente em áreas centrais. São espaços pequenos, parecidos com quartos de hotel.

Morar em um lugar tão compacto exige adaptação. É preciso pensar no essencial e usar móveis multifuncionais para aproveitar cada cantinho.

Esse estilo de vida atrai principalmente jovens profissionais que valorizam estar perto do trabalho e do transporte público.

Nos Estados Unidos, as microcasas também são um dos tipos de moradia que viraram tendência, especialmente depois da crise de 2008.

tiny house
Tiny house, ou "casa pequena", é uma proposta de moradia compacta e minimalista (Projeto: Fabiano Taleb)

Algumas microcasas são móveis, como trailers, mas enfrentam desafios legais e financeiros. Para resolver isso, algumas comunidades criaram contratos longos para o uso do terreno, garantindo mais segurança para os moradores.

Além do preço mais baixo, esses empreendimentos costumam oferecer áreas comuns, como piscinas e cozinhas compartilhadas, para manter a convivência. 

Muitos moradores veem nas microcasas uma forma de economizar e investir em outras prioridades, como viagens.

Por outro lado, essa moradia não é ideal para famílias grandes. Também há dúvidas se é uma solução duradoura para a crise habitacional. Mesmo assim, esse é um dos tipos de moradia que representa uma mudança importante na forma de morar, mais consciente e sustentável.

Aliás, essa tendência deve crescer e se adaptar cada vez mais às necessidades das cidades.

3. Habitações modulares 

Cabana arquitetônica moderna em encosta gramada
Casas modulares se consolidam como solução rápida, sustentável e personalizada na construção civil (Foto: Daniel Wells/Pexels)

Diante de um mundo cada vez mais dinâmico, cresce a busca por moradias que se adaptem com facilidade ao estilo de vida moderno. 

Contêineres adaptados e módulos pré-fabricados surgem como respostas inteligentes a esse desejo por praticidade e flexibilidade.

Essas moradias são pensadas para acompanhar as mudanças. Podem ser desmontadas, transportadas ou ampliadas conforme a necessidade. 

Esta vantagem atrai tanto quem busca uma vida minimalista e nômade quanto comunidades que precisam se reerguer rapidamente após desastres climáticos. 

Um exemplo é o projeto Casa Social, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) do Brasil, que leva soluções modulares para populações em situação de emergência.

Além da flexibilidade, há também ganho em agilidade e economia. As casas modulares são fabricadas em ambientes controlados e depois montadas no terreno, o que reduz prazos, custos e desperdícios. 

O Instituto de Habitação Fabricada (Manufactured Housing Institute) afirma que as casas fabricadas podem custar até 50% menos por metro quadrado em comparação com as casas tradicionalmente construídas.

Vale destacar que esse tipo de construção permite incorporar acabamentos de alta qualidade, como revestimentos cerâmicos, que são fáceis de limpar, resistentes e agregam valor estético e funcional à moradia, deixando o estilo de vida ainda mais prático.

4. Casas móveis

Motorhome de 27 metros quadrados com minicopa, cama de casal e um pequeno banheiro
Casas móveis ganham destaque ao oferecer flexibilidade, permitindo levar o lar para diferentes lugares (Projeto: Doma Arquitetura/ Foto: Mariana Orsi)

Já as casas móveis oferecem a liberdade de levar o lar para onde quiser, reduzindo ainda despesas fixas, como impostos e taxas relacionadas a imóveis tradicionais.

Esse modelo de moradia se tornou ainda mais relevante com a expansão do home office após a pandemia. 

Hoje, é possível trabalhar de qualquer lugar, o que torna a ideia de uma casa sobre rodas alinhada ao desejo de mobilidade e autonomia, ideal para quem tem um estilo de vida mais nômade.

Apenas no Brasil, o mercado de motorhomes (casa motorizada) cresceu entre 30% e 40% desde 2018, segundo a Anfatre (Associação Nacional dos Fabricantes de Trailers, Reboques). 

Além da mobilidade, há também benefícios econômicos e ambientais. Muitas dessas moradias adotam soluções sustentáveis, como o uso de painéis solares, captação de água da chuva e reaproveitamento de materiais, o que contribui para reduzir custos e a pegada ambiental.

quarto de motorhome
Vans convertidas em casas móveis conquistam quem busca liberdade para viajar e morar (Foto: Andrea Davis/Pexels)

No entanto, viver em uma casa sobre rodas também traz desafios. Embora não haja despesas como IPTU ou condomínio, surgem outros custos recorrentes, como combustível, alimentação, manutenção do veículo e taxas de camping. 

E esses valores podem variar bastante. Por exemplo, o preço da gasolina no Brasil oscila: enquanto no Amapá custa menos de R$ 6, na região Sudeste pode ultrapassar R$ 7, o que impacta diretamente no orçamento.

É importante ressaltar que o preço do motorhome também varia muito. Modelos usados começam em R$ 60 mil, e os de luxo passam de R$ 1 milhão. 

A manutenção, como troca de óleo e revisão, custa entre R$ 4 mil e R$ 5 mil a cada 15 mil km. Também há custos com seguro e IPVA.

Há ainda questões práticas no dia a dia. A falta de infraestrutura em algumas regiões, a necessidade constante de encontrar pontos seguros para estacionar e pernoitar, além dos limites de espaço e conforto, podem tornar o cotidiano desafiador. 

5. Casas flutuantes e arquitetura anfíbia

Umas casa de dois andares azul sobre um corpo de água
Casas flutuantes como alternativa para habitação em áreas alagadiças e regiões litorâneas (Foto: Yohan Marion/Unsplash)

Em tempos em que o clima está cada vez mais imprevisível e os níveis dos rios e oceanos não param de subir, a arquitetura vem encontrando soluções para que as populações continuem vivendo com segurança. 

Neste contexto, existem dois tipos de moradia principais: as casas flutuantes de base móvel e as anfíbias.

As móveis se deslocam pela água, como barcos. Já as anfíbias ficam fixas, mas sobem e descem conforme o nível da água. Essa mobilidade ajuda a evitar desastres, mantendo as pessoas seguras.

As casas anfíbias geralmente ficam próximas a rios e lagos. Elas recebem água, energia e esgoto por tubulações flexíveis que acompanham o movimento da casa.

Enquanto as flutuantes móveis costumam ser autossuficientes, com painéis solares e sistemas próprios para energia e água.

O segredo para elas não afundarem está no equilíbrio entre peso e volume, além de estruturas feitas para estabilidade. Materiais como aço, madeira e até garrafas PET ajudam a manter tudo firme, como em balsas.

Casa flutuante simples em um rio do Amazonas
As casas flutuantes dos ribeirinhos brasileiros são uma solução tradicional e eficaz para enfrentar as variações dos rios (Foto: Lucia Barreiros Silva/Pexels)

No Brasil, muitas comunidades ribeirinhas já usam essas construções para viver perto da água sem o risco constante de perder tudo em enchentes. Em Maquiné (RS), um projeto do Minha Casa Minha Vida – Reconstrução propõe moradias flutuantes para pescadores, como solução resiliente às enchentes.

Para o turismo, as casas flutuantes oferecem experiências únicas, mas precisam de infraestrutura para funcionar bem. 

Construir sobre a água não é barato. Exige tecnologia, conhecimento e materiais especiais, por isso é mais comum em regiões com muitos rios e mangues. As palafitas tradicionais ainda são uma opção mais simples e econômica.

A ideia de viver em casas flutuantes não é nova. Desde a antiga história da Arca de Noé, o ser humano já busca formas de enfrentar inundações. Hoje, com o avanço da tecnologia, essas moradias ganham espaço como resposta real para os desafios climáticos.

Além de proteger contra as águas, essas casas ajudam a preservar o solo e o meio ambiente. Elas causam menos impacto do que construções tradicionais e podem até favorecer a vida marinha, servindo de abrigo para plantas e animais.

Embora ainda haja desafios, como segurança e custo, projetos acessíveis começam a surgir. Em lugares como a Índia, há iniciativas para levar casas anfíbias a quem mais precisa. 

É o caso do projeto Amphi Nest, desenvolvido pela startup NestAbide, sediada em Kerala. Após as enchentes de 2018, a empresa criou uma casa com fundação flutuante que sobe e desce conforme o nível da água. 

Além disso, a startup também desenvolveu o projeto NAAVA, que oferece moradias anfíbias acessíveis e sustentáveis, utilizando materiais locais e técnicas vernaculares.

Com tantos tipos de moradia ganhando espaço, é natural se perguntar como serão as casas do futuro. Quer descobrir? Leia sobre o futuro das moradias

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