
Uma viagem pelas cidades históricas de Minas Gerais
As cidades históricas de Minas Gerais são um “trem” cheio de cultura e beleza que mistura passado e presente.
As palavras de Guimarães Rosa, os versos de Carlos Drummond de Andrade e as esculturas de Aleijadinho, por exemplo, revelam a riqueza artística desse estado.
Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Diamantina e outras cidades mineiras são verdadeiros museus a céu aberto.
Vamos embarcar nessa viagem e sentir a alma mineira pulsando em cada esquina? Então, continue a leitura.
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Cidades históricas de Minas Gerais: um roteiro imperdível
Minas Gerais é um estado que carrega na sua geografia os traços mais marcantes da história do Brasil.
Berço do ciclo do ouro, palco de revoluções e lar de artistas consagrados, as cidades históricas são como páginas vivas de um livro, em que cada rua de pedra guarda segredos do passado.
Em uma viagem por esses destinos, é possível conhecer o barroco mineiro, entender como se deu a formação cultural e política do país e se encantar com paisagens que unem natureza, arte e arquitetura.
A seguir, conheça as principais cidades históricas de Minas Gerais em um roteiro cuidadosamente preparado.
Sabará: origem do ouro e tradição gastronômica

Nossa jornada começa por Sabará, uma das cidades históricas de Minas Gerais mais antigas, fundada no início do século 18, no auge do ciclo do ouro. O nome vem de uma palavra indígena que significa “olhos grandes brilhantes”, referência às pepitas encontradas na região.
Sabará guarda igrejas que são verdadeiras obras-primas do barroco, como a Igreja Nossa Senhora do Ó, conhecida por seus delicados entalhes, e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com peças atribuídas a Aleijadinho.
Além do patrimônio histórico, a cidade se destaca por sua culinária típica. O Festival da Jabuticaba, realizado anualmente, atrai visitantes de todo o país para saborear receitas criativas feitas com a fruta.
Passear por suas ruas de pedra é como viajar no tempo, com casarões preservados e museus que contam a história de Minas.
Caeté: fé e vistas deslumbrantes

Seguindo viagem, chegamos a Caeté, cidade fundada em 1701 e marcada pela religiosidade.
O destaque é a Capela de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, localizada no alto da Serra da Piedade. Parte do projeto do santuário contou com a contribuição de Aleijadinho.
Além da importância religiosa, o local oferece uma das vistas mais espetaculares do estado, ideal para contemplar o pôr do sol.
Caeté também preserva museus e casarões coloniais. Ainda promove festas tradicionais que atraem visitantes durante todo o ano.
Santa Bárbara: cultura e religiosidade

A próxima parada é Santa Bárbara, fundada por bandeirantes no século 18 e conhecida por sua forte ligação com a mineração e a fé católica. A Igreja Matriz de Santo Antônio é uma joia do barroco mineiro, com altares ricamente decorados.
Santa Bárbara é a cidade natal de Afonso Pena, influente advogado e político, que foi o sexto presidente do Brasil.
O Carnaval Cultural, que mistura tradição e modernidade, é um dos eventos mais marcantes do município.
Com o seu clima acolhedor, Santa Bárbara é ideal para quem busca um passeio tranquilo antes de seguir viagem para destinos mais movimentados.
Catas Altas: charme aos pés da Serra do Caraça

Cercada pela imponência da Serra do Caraça, Catas Altas combina beleza natural com patrimônio histórico. O nome da cidade vem das antigas técnicas de mineração de ouro, quando eram feitas “catas” no solo.
O grande destaque é o Santuário do Caraça, um complexo que já funcionou como colégio e seminário. Dom Pedro II visitou o local no século 19 e hoje ele se tornou uma reserva ambiental com trilhas, cachoeiras e rica fauna.
Além do santuário, a cidade guarda a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, igrejas coloniais e eventos culturais que celebram a tradição mineira. A paisagem bucólica e preservada inspira artistas, fotógrafos e visitantes.
Ouro Preto: patrimônio da humanidade

Seguindo pela Estrada Real, chegamos a Ouro Preto, a cidade histórica mais famosa do Brasil, declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1980.
Fundada como Vila Rica, foi o coração do ciclo do ouro e o centro do movimento da Inconfidência Mineira, que marcou a luta pela independência do Brasil.
Ouro Preto é o berço das obras-primas de Aleijadinho e do pintor Manoel da Costa Ataíde, visíveis em igrejas como São Francisco de Assis e Matriz do Pilar.
Também é um ponto turístico o Museu da Inconfidência, que guarda documentos e objetos ligados ao movimento.
Além de sua importância histórica, a cidade pulsa cultura. Eventos como a Semana Santa e o Festival de Inverno atraem visitantes de todo o país.
Mariana: história e resiliência

A poucos quilômetros de Ouro Preto está Mariana, primeira capital de Minas Gerais e cidade que respira história. As igrejas e os casarões preservam a arquitetura colonial, como a Catedral Sé, que guarda um órgão do século 18 trazido de Portugal.
Em 2015, Mariana enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do Brasil: o rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues. O desastre afetou profundamente a cidade e o seu entorno. Desde então, ela se reconstrói, com projetos de recuperação ambiental e turismo sustentável.
O trem turístico que liga Mariana a Ouro Preto é uma atração imperdível, oferecendo vistas deslumbrantes das montanhas mineiras e conectando os dois municípios de forma charmosa e histórica.
Congonhas: fé e arte em pedra-sabão

Continuando o roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais, chegamos a Congonhas, conhecida mundialmente pelo Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Lá estão os célebres Doze Profetas, esculturas em pedra-sabão criadas por Aleijadinho, consideradas uma das maiores expressões do barroco brasileiro.
Além do santuário, Congonhas preserva igrejas e museus que retratam a vida colonial e a religiosidade mineira. Durante a Semana Santa, encenações da Paixão de Cristo atraem turistas e fiéis, transformando a cidade em um grande palco. O destino é uma síntese da união entre arte e devoção, representando a essência da cultura do estado.
São João del-Rei: história e personagens marcantes

Seguindo pela Estrada Real, chegamos a São João del-Rei, localidade em que tradição e modernidade se encontram. Fundada no século 18, ela foi palco de lutas pela independência e berço de figuras importantes da história brasileira, como Tancredo Neves.
As igrejas da cidade têm uma característica única: os sinos tocam de maneira especial, comunicando mensagens específicas à população. A Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho, é um dos cartões-postais.
Além disso, o trem turístico Maria Fumaça, que liga São João del-Rei a Tiradentes, oferece uma viagem nostálgica e encantadora.
Tiradentes: pequena, charmosa e histórica

A poucos quilômetros de São João del-Rei está Tiradentes, uma das cidades mais charmosas de Minas Gerais. Seu nome homenageia Joaquim José da Silva Xavier, mártir da Inconfidência Mineira.
Com ruas de pedra, casarões coloridos e igrejas barrocas, esse é um polo cultural, abrigando eventos como o Carnaval de Rua e o Festival de Gastronomia, que reúne chefs renomados.
Entre os principais pontos turísticos estão a Igreja Matriz de Santo Antônio, ricamente ornamentada, e o Museu Casa de Padre Toledo, que conta a história da Inconfidência.
Diamantina: berço de Chica da Silva e Juscelino Kubitschek

Chegamos agora a Diamantina, famosa pela extração de diamantes no período colonial. Tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, a cidade encanta com ruas estreitas, casarões e igrejas barrocas.
Essa é a cidade natal de Juscelino Kubitschek, presidente que marcou a história do Brasil. Outro nome ligado à cidade é Chica da Silva, escravizada alforriada que se tornou uma das figuras mais influentes de sua época, inspirando livros, filmes e novelas que exploram a complexidade social da colônia.
Diamantina é conhecida por suas serestas e vesperatas, apresentações ao ar livre que encantam moradores e visitantes, mantendo viva a tradição musical mineira.
Serro: tradição, simplicidade e sabores de Minas

Para encerrar a nossa viagem pelas cidades históricas de Minas Gerais, seguimos até Serro, município que preserva a simplicidade do interior mineiro.
Fundado no século 18, foi importante na extração de diamantes e ouro. Hoje, é conhecido principalmente pelo Queijo do Serro, patrimônio cultural imaterial brasileiro.
O centro histórico da cidade abriga casarões e igrejas conservados, como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Festas populares, como a Folia de Reis e o Carnaval tradicional, reforçam a identidade cultural local.
Serro é o lugar ideal para fechar o roteiro saboreando a culinária mineira e refletindo sobre toda a riqueza histórica e artística descoberta ao longo da viagem.
Não há como não se inspirar com as belezas naturais, os projetos arquitetônicos e a cultura que vibra nas cidades históricas de Minas Gerais!
Continue a viagem agora fazendo uma parada no Memorial de Brumadinho, um verdadeiro símbolo de resistência ao esquecimento.

Parabéns, Minas Gerais pelos 303 anos.
É um estado de cultura muito rica e de muitos artistas que inspiram. Sempre bom saber mais sobre a terra de Aleijadinho, Herculano Ramos, Mestre Juca, Lygia Clark, entre tantos outros.