15.09.2022
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Guilherme Wentz compartilhou suas inspirações e planos de carreira durante conversa com a equipe do Archtrends (Foto: Portobello)
Guilherme Wentz compartilhou suas inspirações e planos de carreira durante conversa com a equipe do Archtrends (Foto: Portobello)
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Design de móveis e originalidade: Guilherme Wentz no Archtrends Pordcast

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Nome importante do design de móveis, Guilherme fala sobre carreira criativa e o sonho de consolidar sua marca no mercado internacional
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Guilherme Wentz é um nome consolidado do design brasileiro. Natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Wentz começou como designer de produto, se consolidou como diretor criativo e, em 2019, abriu a Wentz, sua marca de design de móveis, luminárias e objetos.

Em entrevista ao podcast do Archtrends, ele comentou sobre sua trajetória, a prospecção de uma carreira internacional e suas inspirações. Confira a seguir.

Carreira criativa e design de móveis

Wentz sempre gostou do universo criativo, mas foi só durante o curso de Administração de Empresas, interrompido posteriormente, que percebeu que essa paixão poderia se tornar uma carreira.

O seu ingresso no mercado criativo começou com o curso de design de produtos e se firmou em 2010, quando ele começou a sua carreira como designer na marca de objetos Riva.

“Lá eu fazia produtos todos os finais de semana para mostrar para eles que tinha mais potencial criativo”, comenta.

Nesse ínterim, ele recebeu o prêmio iF Design Award por seu segundo projeto assinado, a coleção K para a própria Riva. Esse foi o pontapé inicial para que ele desse início ao seu estúdio e começasse a desenhar para diferentes marcas de móveis, luminárias e objetos.

“Pouco depois eu vim para São Paulo trabalhar com design gráfico e em pouco tempo eu me tornei diretor de arte na Decameron e Carbono”.

Durante esse tempo, ele recebeu o prêmio IDEA Brasil por seu primeiro produto no mercado, a escrivaninha Officer, desenvolvida para a Decameron, e foi convidado para um projeto comissionado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP).

Depois de muito tempo conciliando o trabalho autoral para o próprio estúdio, o desenvolvimento de peças para marcas, e de receber nomeações no Prêmio Casa Vogue e pela revista T do New York Times, ele consolidou a marca de design de móveis Wentz em 2019.

Hoje, além de designer, Guilherme é responsável por praticamente toda a gestão operacional do seu estúdio.

“Eu faço a gestão do departamento de produto e união entre todos os departamentos, a gestão geral. Basicamente, estou há 10 anos tentando ser designer, mas hoje isso não ocupa nem 5% do meu tempo”, brinca.

Empreitada internacional

No momento, além de se consolidar cada vez mais no mercado nacional, Guilherme tem a pretensão de cruzar fronteiras com seu design de móveis.

“Gostaria de ter um trabalho relevante para a cena do design internacional, acho que isso justifica bastante a busca por originalidade nos meus trabalhos. Por mais que, nesse caminho, muitas vezes não tenha uma resposta de curto prazo no sentido comercial, eu opto por fazer uma escolha relevante a longo prazo”.

Nesse sentido comercial, Wentz explica que hoje a exportação dos produtos ainda representa uma fatia pequena do faturamento total, mas que esse trabalho é muito importante para o posicionamento da marca.

O designer já teve seu trabalho exposto em mostras internacionais algumas vezes, em especial em exposições que reuniam diversos designers brasileiros. E através desse trabalho fez contatos e o sonho de figurar na cena internacional parece cada vez mais próximo.

“Minhas primeiras aparições no exterior já me trouxeram contatos e até mesmo um sócio. Hoje eu tô trabalhando para que, ao invés de buscar marcas para desenhar produtos, eu consiga levar o meu trabalho autoral para ser comercializado lá fora”, pontua.

Essa empreitada requer alguns cuidados, desde a concepção até o transporte do produto.

“Preciso tomar algumas decisões nesse processo. Primeiro na hora de fazer o produto, na busca por originalidade. Segundo, por ser um produto que faça sentido do mercado externo e terceiro pela parte técnica, que significa atender todos os certificados, embalagem para exportação etc.”.

Linha Planos com a Portobello

Em 2020, Guilherme expôs na Expo Revestir a linha de mesas Planos, feita em parceria com a Portobello. Todos os produtos brincam com o desnível - superfícies que ora sobem, ora descem. Tudo isso gera um visual único, com ambientes decorados por peças despojadas e sofisticadas.

Um dos produtos dessa linha, inclusive, está entre os "queridinhos" de Wentz. "Uma coisa que eu gostei muito de desenhar é a Coluna (mesas mais altas para lavabos) porque eu nunca tinha desenhado nada para banheiros e acho que o resultado ficou bacana".

Ele também contou como foi fazer uma parceria com a Portobello. "Eu não imaginava receber esse convite, mas fiquei muito feliz, principalmente por como aconteceu todo o processo."

A experiência permitiu que Guilherme tivesse uma nova abordagem perante o design de móveis, de acordo com o próprio.

"Vocês (Portobello) tinham um know-how tão grande do produto que eu podia ir apenas para o lado conceitual, o que foi um exercício novo e muito bom. Quando eu crio para a minha própria marca, por exemplo, eu já começo com uma série de questões do traço se adequar ao produto. Na linha Planos isso foi muito mais fácil", finaliza.

Sustentabilidade e Coleção Mar

Wentz segue a linha minimalista na vida pessoal e isso, de alguma forma, impacta na criação de seus produtos e design de móveis.

“Eu sempre pensei e continuo pensando que um produto durar mais tempo já é o primeiro exercício de sustentabilidade. Afinal, isso está ligado ao consumo que vai um pouco para o estilo minimalista que eu levo”, justifica. “Já que vou consumir menos, que sejam coisas mais duráveis”, pontua.

Utilizar um produto sustentável, mas que não entregasse durabilidade, ia na contramão do que o designer pensava.

Em contrapartida, ele se deparou com uma opção um pouco mais durável, mas sem nenhum critério sustentável. “Quando começamos a rodar testes de tecidos para exportação, a gente precisou usar poliéster e isso me incomodou muito por causa do plástico”.

Na busca por um substituto, a equipe encontrou um tecido feito a partir de garrafas pet resgatadas do mar. O material foi o pontapé para a criação da coleção Mar, que resgatou a conexão do designer com o oceano.

“Essa coleção, bem como o filme que produzimos a partir dela, quis mostrar a sensação de estar isolado, ser o mais sensorial possível nessa experiência de solitude que pra mim é muito forte quando estou dentro do mar. Parecem duas vidas completamente diferentes.”

Entre os objetos desenhados, estão uma cadeira de balanço que lembra o balanço do mar e mesas desenhadas para relembrar o movimento das ondas.

Pandemia e refúgio nas inspirações

Para Wentz, a pandemia foi o momento de olhar para dentro. “Eu fiquei três meses direto sem sair de casa. Foi uma época de silêncio. É difícil falar porque existem realidades muito diferentes, mas pra mim foi um momento em que pude me concentrar para fazer o que precisava dentro de casa. Foi uma época que me tornei mais gestor”, comenta.

Se na vida profissional houve poucas mudanças durante esse tempo, uma vez que Guilherme já investia em um modelo híbrido de trabalho, a vida dentro de casa precisou de alguns ajustes.

“A gente (ele e a esposa) percebeu que precisava de móveis”, comenta aos risos. “Nessa linha minimalista, seguimos, nos demos conta que tínhamos apenas uma cama e duas banquetas. No fim a gente pegou algumas coisas da minha loja e compramos uma TV”.

Durante a pandemia, aliás, a TV foi bem utilizada. “Eu assisti pelo menos duas vezes todos os episódios da série Friends”. Quando perguntado sobre uma curiosidade sua, Guilherme diz que é assistir pelo menos um episódio da série todos os dias.

Sobre suas inspirações para o design de móveis e outras criações, Wentz destaca as referências que colheu durante toda a sua trajetória criativa, os diretores de arte e de filmes com quem trabalhou durante os últimos anos e o filme Na Natureza Selvagem, de Sean Penn.

“Esse filme mudou tudo pra mim! Quando eu assisti, comecei a comprar os livros que o personagem lia e levei isso quase como uma religião durante um tempo”, conta.

“Meu grande plano era virar um eremita isolado de tudo, não consegui né, estou aqui em São Paulo trabalhando, mas eu sempre lembro disso e é um lugar que gosto de voltar”, diz, com um sorriso no rosto.

No final das contas, o trabalho de Guilherme Wentz com design de móveis pode ser definido como o resultado do seu talento, a intuição que une referências o tempo inteiro, mas principalmente como uma extensão do seu estilo de vida.

E ele não esconde o sorriso quando questionado sobre isso. “Fico feliz que vocês percebam que existe um lifestyle nas minhas criações”.

Confira mais um episódio do Archtrends Poscast: Rodrigo Ohtake fala sobre legado e inspiração da família

Imagem principal: Guilherme Wentz compartilhou suas inspirações e planos de carreira durante conversa com a equipe do Archtrends (Foto: Portobello)

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