14.09.2022
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banheiros modernos
Banheiros inclusivos mostram como o desenho universal pode ser colocado em prática (Projeto: Portobello S.A.)
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Desenho universal na arquitetura: como projetar espaços para todos

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Conheça mais sobre o conceito de desenho universal e como colocá-lo em prática em projetos
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A partir da necessidade de democratização dos espaços, sejam eles prédios públicos, mobiliários urbanos ou residências privadas, nasceu o desenho universal, conhecido também como arquitetura para todos ou design que inclui.

Para ouvir o artigo completo, clique no play abaixo:

Este é um conceito essencial para a arquitetura, já que ela é uma das ferramentas mais importantes na construção de uma sociedade mais inclusiva. Quando os projetos são pensados para acolher todos os públicos, torna-se comum a convivência com vários tipos de pessoas e há menos episódios de preconceitos, limitações e restrições para determinados grupos.

Basicamente, o desenho universal possibilita que ambientes e objetos sejam usáveis por todos: crianças, adultos, gestantes, idosos, pessoas altas, baixas, pessoas com nanismo, obesos, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Desenho universal e acessibilidade

A Lei da Acessibilidade, vigente em todo território nacional, assegura que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida tenham fácil acesso e comunicação em todos os espaços urbanos.

Suas diretrizes, portanto, são baseadas em dois principais pontos. O primeiro é a eliminação de obstáculos e barreiras - escadas como único meio de acesso, banheiros não adaptados, ônibus sem elevadores, situações que impeçam ou dificultem o recebimento de mensagens etc. Já o segundo é a adaptação do mobiliário urbano, como semáforos, postes de sinalização, lixeiras, bancos etc. para que todos possam receber as mensagens passadas da mesma forma.

O piso tátil é um recurso para auxiliar a acessibilidade de pessoas com deficiência visual (Projeto: Portobello S.A.)

Já o desenho universal não é um recurso utilizado somente por pessoas com deficiência. Sua criação parte justamente da vontade de que todos os locais sejam construídos já pensados para todos os tipos de públicos, sem necessidade de adaptação ou modificação a longo prazo. Como dito anteriormente, esse público também estende-se a crianças, mulheres grávidas, obesos e até pessoas com carrinhos de bebê.

Entretanto, é evidente que as práticas se conversam, afinal possuem o objetivo em comum de fomentar a autonomia. Dessa forma, podemos considerar a acessibilidade um braço do desenho universal. No mais, vale frisar a importância do decreto da Lei da Acessibilidade, que foi e continua sendo um passo essencial para que a sociedade entenda e inclua pessoas com deficiência e mobilidade reduzida em todos os espaços.

Como aplicar o conceito de desenho universal?

Depois de entender um pouco mais sobre o conceito do design que inclui, vale a pena saber como aplicá-lo nos projetos.

Um fator interessante neste tópico é que não é necessário ser arquiteto, engenheiro ou projetista para começar as boas práticas, já que algumas mudanças podem ser realizadas em casas comuns.

Um exemplo simples é reduzir o excesso. Observe se a casa possui muitos móveis que dificultam a passagem, tapetes por toda parte, quinas e prateleiras. Quanto maior o espaço de circulação na casa, mais chance de idosos caminharem com autonomia, crianças circularem com segurança e visitas de pessoas com algum tipo de deficiência e baixa mobilidade sem desconforto.

As rampas são itens clássicos na aplicação da lei da acessibilidade e do desenho universal (Projeto: Portobello S.A.)

Camas baixas, armários da cozinha na altura dos braços, portas com maçanetas alavancas e piso antiderrapante também são algumas boas práticas que contemplam o conforto e a segurança de crianças, adultos e idosos. Lembre que um dos fundamentos do desenho universal é o uso de objetos e ambientes sem necessidade de mudança e pelo maior número possível de situações.

Em situações mais complexas vale substituir escadas, retirar desníveis perigosos, instalar campainhas de segurança nos quartos e banheiros, optar por janelas com visibilidade, calcular a altura de tomadas e programar o timer para aquecedores e fogões.

À primeira vista pode parecer que são muitas mudanças difíceis de serem realizadas. Mas vale lembrar que elas não precisam ser feitas da noite para o dia e vão garantir uma melhor qualidade de vida para você e toda a sua família a longo prazo.

Enquanto o público em geral pode realizar mudanças pontuais, os arquitetos, engenheiros e projetistas precisam estar atentos ao conceito mais aprofundado da arquitetura para todos. Por isso é tão importante o conhecimento dos sete princípios do desenho universal.

Definidas em 1997 por um grupo de arquitetos, designers de produtos e engenheiros da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, essas diretrizes tornaram-se fundamentais na construção de um projeto que visa total acessibilidade. Confira quais são:

1. Uso igualitário

Também conhecido como equitativo ou equiparável, define recursos que podem ser utilizados por pessoas de diferentes capacidades. Alguns exemplos são portas com sensores automáticos, rebaixamento completo da via - que favorece condições iguais para travessia de todos os pedestres - e assentos adaptáveis em cinemas e teatros.

2. Uso flexível

Também chamado de adaptável, contempla produtos ou espaços que se adaptam a todas as necessidades, como tesouras que podem ser utilizadas por destros e canhotos, computador com teclado, mouse e programas especiais e caixa eletrônico com reconhecimento visual, tátil e auditivo.

3. Uso simples

Intuitivo e óbvio, é de fácil entendimento para qualquer pessoa, independentemente da experiência, conhecimento, nível de concentração etc. Exemplos: sanitários femininos e masculinos para pessoas com deficiência, escadas rolantes ou esteiras e manuais com desenhos no lugar de textos.

banheiro, desenho
Banheiro com barras de apoio que atendem pessoas com mobilidade reduzida e idosos (Projeto: Portobello S.A.)

4. Informação de fácil percepção

Quando o design possui uma informação transmitida que considera todos os tipos de receptores, ou seja, pessoas com dificuldade de visão, audição, estrangeiras etc. São exemplos clássicos os mapas de shoppings e outros espaços de lazer em alto relevo, palavras em outros idiomas e recursos sonoros, e sinalização em aeroportos e estações de metrô que utilizam recursos visuais, comunicação por voz e materiais táteis.

5. Uso seguro

Conhecidos também como tolerantes ao erro, são espaços que minimizam riscos e acidentes, como elevadores com sensores em diversas alturas que impedem o fechamento repentino e chaves de carro que podem ser facilmente inseridas de quaisquer lados.

6. Uso de baixo esforço físico

Objetos que podem ser utilizados facilmente, de forma confortável e o mínimo de fadiga. Um conhecido exemplo são as maçanetas do tipo alavanca que podem ser acionadas com o cotovelo - esse tipo de artifício é de suma importância principalmente em casos de incêndio ou outros incidentes. Uma vez que não é necessário girar a mão, torna-se mais fácil a abertura por qualquer pessoa.

7. Uso abrangente

Espaços que estabelecem dimensões suficientes para o acesso, alcance e uso, independentemente do tamanho do corpo e da mobilidade do usuário. Portanto, atende pessoas com nanismo, obesos, gestantes, cadeirantes, pessoas com carrinhos de bebê e bengalas.

Quais são os ganhos ao aplicar o desenho universal?

Evidentemente, o maior benefício para a sociedade é proporcionar mais qualidade de vida e independência para pessoas com diferentes graus de habilidade e idade.

Essa, aliás, deveria ser uma preocupação constante, pois com os avanços da medicina a população do Brasil e do mundo está envelhecendo. Atualmente, a média de vida do brasileiro sem nenhum tipo de deficiência chega a 76 anos, enquanto 24,8% das pessoas com deficiência têm mais de 60 anos, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo IBGE. Além disso, também segundo essa pesquisa, 32,4% das pessoas começam a apresentar algum sinal de deficiência a partir dos 40 anos.

Outro cenário que se beneficia com a adoção do desenho universal é o corporativo - e de duas formas: na venda de produtos e na contratação de talentos.

Empresas que desenvolvem produtos pautados na arquitetura para todos acabam angariando um número mais diverso de clientes, e um cliente satisfeito pode-se tornar divulgador do serviço para outros potenciais clientes.

Já uma empresa que fornece condições estruturais pautadas no desenho universal tem a possibilidade de contratar talentos de várias situações e habilidades, formar um time mais diverso e apoiar a inclusão de pessoas de todos os tipos dentro do mercado de trabalho. O resultado natural é uma imagem pública favorecida, funcionários motivados e engajados.

Após aprender um pouco mais sobre o conceito do desenho universal, compartilhe esse artigo com as pessoas que você conhece. Afinal, a busca por uma sociedade mais inclusiva começa na informação.

Você tem um projeto com desenho universal interessante? Divulgue gratuitamente no Archtrends. É só se cadastrar.

Imagem principal: Banheiros inclusivos mostram como o desenho universal pode ser colocado em prática (Projeto: Portobello S.A.)

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