A vegetação no topo de prédios e casas já é realidade nos quatro cantos do Brasil. Apesar de projetos com telhado verde não serem exatamente uma novidade, o conceito ganha cada vez mais adeptos com a crescente necessidade de sermos sustentáveis.
O telhado verde é uma oportunidade de dar vida a esse espaço, tornando a área útil e reduzindo os impactos do desenvolvimento urbano ao meio ambiente.
A cobertura com vegetação diminui a temperatura no interior da construção e melhora a qualidade do ar. Dessa forma, traz efeitos positivos tanto para a edificação em si quanto para a comunidade ao redor.
Além disso, pode ser um espaço de convivência e lazer bastante interessante em grandes cidades, pois gera contato com a natureza.
Na sequência, você entenderá o que é, vantagens, desafios e como construir um telhado verde. Continue a leitura!

O que é o telhado verde?
Também conhecido como ecotelhado, telhado ecológico e cobertura vegetal, o telhado verde é uma técnica que consiste em preencher a cobertura da casa com vegetação.
Grama, canteiros de flores, hortas e até árvores de pequeno porte podem embelezar e levar mais sustentabilidade aos projetos.
O telhado verde deriva da arquitetura verde, que engloba ainda outras medidas para aproveitar melhor os recursos naturais, como o reuso de materiais durante o processo de construção e a escolha por fontes de energia renováveis.
Portanto, contribui para reduzir os impactos ambientais, economizar energia e aumentar a biodiversidade da região, tornando as cidades mais verdes.
E o melhor: um ecotelhado pode ter diferentes finalidades e padrões, ser aplicado em construções novas ou antigas.
Claro que, no segundo caso, vai depender de uma avaliação técnica. Mas é importante conhecer essa possibilidade.
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Onde surgiu o telhado verde?
Há evidências de jardins suspensos desde antes de Cristo, na época babilônica. Acredita-se que a técnica tenha surgido na Mesopotâmia, onde as estruturas arquitetônicas eram constituídas por vegetação.
Os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo, é a obra mais famosa da Antiguidade com o uso do telhado verde.
Já no Brasil, o primeiro registro de um ecotelhado é o terraço-jardim do Edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, de 1943. Enquanto a estrutura do prédio ficou por conta de Lúcio Costa, o telhado verde é obra de Roberto Burle Marx.

Quais são as vantagens de investir em um telhado verde?
Um telhado verde oferece diferentes benefícios para uma construção, seja ela uma casa, um prédio comercial ou residencial. A seguir, listamos as mais importantes:
Redução da temperatura e do barulho
A vegetação serve como barreira tanto para o calor quanto para o frio.
Atualmente, com o planeta batendo recordes de temperatura anualmente, é essencial investir em recursos naturais para equilibrar a temperatura.
Um estudo mostrou que o telhado verde consegue diminuir em 17 °C a temperatura em uma laje, o que também afeta a parte interna da residência.
Já segundo a Environmental Protection Agency (EPA), o uso de telhados verdes em cidades pode moderar o efeito da ilha de calor, fenômeno climático que faz com que as áreas urbanas sejam consideravelmente mais quentes que as rurais.
Segundo a agência, a temperatura de um ecotelhado costuma ser entre 16 e 22 °C mais baixa do que os telhados convencionais e pode reduzir a temperatura ambiente da cidade em até 2,7 °C.
Em temperaturas frias, porém, a vegetação cria um isolamento térmico e proporciona mais conforto.
Os benefícios do telhado verde, porém, não se limitam à temperatura. A camada de vegetação também funciona como uma proteção contra o barulho, algo essencial nas grandes cidades.
Economia de água e dinheiro
O mesmo estudo mostrou que, com o frescor interno, a casa precisa utilizar menos ventilador e ar-condicionado. Consequentemente, há uma economia de 6% na conta de energia elétrica.
Caso haja a implementação de um sistema de reuso da água da chuva, você pode utilizá-la em descargas, limpeza da casa e jardinagem.
E se puder investir em processos de purificação, o líquido pode se tornar potável. Além de economia nos gastos com água, sua casa será ainda mais sustentável.
Possibilidade de manutenção automatizada

Como dito, um telhado verde demanda manutenção. Obviamente, o profissional qualificado dirá qual a frequência de ajustes necessária para manter seu jardim suspenso sempre bonito. Mas é possível unir o projeto a tecnologias que automatizem boa parte do trabalho.
Um sistema de irrigação, por exemplo, pode fazer a rega conforme o clima ou horário (por exemplo: uma vez por semana).
A tecnologia conseguirá manter as plantas saudáveis mesmo em época de seca. Dessa forma, o jardineiro responsável poderá se concentrar apenas na poda.
Outra solução inteligente é a inclusão de um sistema de energia solar, que embora não esteja ligada à manutenção, é uma forma sustentável de utilizar a luz natural para produzir energia elétrica.
Os telhados verdes ajudam a equilibrar a temperatura para que as placas fotovoltaicas funcionem plenamente.
Aumento do contato com a natureza
Há vários estudos abordando os benefícios da biofilia na arquitetura. A tendência gera impactos positivos na saúde física e mental, já que é uma forma de trazer a natureza para dentro de casa.
O telhado verde traz ainda mais benefícios quando se torna um espaço de lazer, já que possibilita que o morador fique mais tempo na área.

Maior biodiversidade
Nem toda cidade conta com espaços verdes para circulação. O telhado verde não é apenas o cultivo de plantas, e sim um ambiente de lazer, descanso e prática de algumas atividades físicas, como tai chi chuan e ioga.
Outro fator importante é com relação ao surgimento de outras espécies. A vegetação atrai pássaros, borboletas e até abelhas, responsáveis pela polinização. Para a população, o contato com a biodiversidade é uma questão de saúde.
Segundo avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, pelo menos quatro espécies de abelhas estão em risco de extinção no Brasil por conta dos agrotóxicos. Ter uma vegetação limpa é uma forma de auxiliar essas espécies a sobreviverem.
Aparência única e personalizada
No Brasil, o telhado verde mais comum é o extensivo. É um tipo de suspensão que não permite plantas muito longas e pesadas. Contudo, é possível, sim, construir diversidade e, principalmente, um desenho personalizado.
Um bom projeto de jardinagem distribuirá adequadamente a vegetação, considerando a radiação solar e as plantas que mais suportam o calor.
Mas não apenas isso: é possível criar um layout único, vivo e personalizado. Se o prédio for comercial, o telhado verde pode formar a logomarca da empresa, por exemplo.
Redução do risco de enchente
O telhado verde também é uma excelente solução para evitar enchentes nas grandes cidades. Além de auxiliar no equilíbrio da temperatura local, o jardim suspenso consegue reduzir a velocidade de vazão da água das chuvas.
Qualidade do ar

As plantas renovam o ar por meio da fotossíntese. Ao absorver dióxido de carbono e liberar oxigênio, a vegetação melhora a qualidade do ar ao redor e, consequentemente, auxilia na qualidade de vida dos moradores.
Segurança alimentar
Segurança alimentar é o direito que todo cidadão tem à alimentação adequada. O problema é que, com a facilidade de acesso e o rápido preparo de ultraprocessados, o consumo de refeições saudáveis é comumente esquecido.
Segundo estudo solicitado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), só em 2019 ocorreram cerca de 57 mil mortes prematuras pelo consumo de ultraprocessados.
Um telhado verde extensivo pode receber uma horta, por exemplo. É uma forma de facilitar o acesso dos moradores a alimentos de qualidade, além de incentivar o cultivo próprio.
Cada morador pode plantar, colher e compartilhar — só será preciso tomar cuidado, claro, com o peso total da plantação na estrutura.
Quais os entraves do telhado verde?
Claro, o telhado verde não tem apenas vantagens. Para alcançar um projeto sustentável, é preciso abrir mão de alguns pontos e investir um pouco mais.
Porém, o custo elevado para ter um telhado verde compensa por causa dos benefícios que ele traz — não só para as pessoas, mas também para o meio ambiente.
Uma das desvantagens do telhado verde é o tempo para a finalização da obra. Com todos os processos de montagem, o prazo para ter a construção totalmente pronta é maior.
Um projeto com telhado verde também pode demorar mais para ser aprovado na prefeitura. Isso porque nem todos os órgãos o conhecem a fundo, o que tende a causar entraves e atrasos.
Além disso, por ser um conceito que ganha espaço e envolve o uso de tecnologias, a mão de obra qualificada pode ter custo mais elevado.
Mas não se preocupe: no Brasil, há empresas e profissionais capacitados, caso você queira incluir no projeto um telhado verde bonito e sustentável de verdade.
7 camadas: passo a passo para construir um telhado verde
Ter um telhado verde não é simplesmente encher essa área de plantas. Por trás, tem muita engenharia e tecnologia. E até o tipo de vegetação influencia.
Parece um processo muito distante ou custoso, mas a verdade é que montar um telhado verde pode ser mais fácil do que você imagina.
No entanto, é preciso contar com o trabalho de profissionais especializados, que vão construir a base para receber o ecotelhado, o sistema de drenagem e as plantas apropriadas para aquela estrutura.

Antes de investir em um telhado verde, é fundamental se a construção consegue comportá-lo. Considere questões como a resistência e a impermeabilização da estrutura.
Em seguida, selecione as empresas certas para fornecer todo o material necessário para a construção do ecotelhado.
A montagem de um telhado verde inclui diferentes etapas. Cada uma delas tem uma função importante para atingir os objetivos do projeto, como aproveitar a água da chuva e reduzir o calor. Ainda é preciso pensar na estética. Afinal, um telhado verde bonito faz toda a diferença!
A construção de um telhado verde passa por diversas camadas. Elas podem ser divididas em sete, com base nos seguintes guias e estudos:
- Telhado verde — o guia completo
- Guia para implantação de coberturas verdes, da Universidade do Mato Grosso do Sul
- Guia de coberturas verdes — para Campo Grande-MS
- Revista da Graduação — UNIGOIÁS — ISSN 2675-9705
1. Telhado ou lajota
A primeira etapa é a construção da laje, que pode seguir o tradicional modelo com tijolos e concreto. Também existe a opção de colocar telhas, que serão revestidas de plantas.
Nessa fase, é fundamental calcular a resistência da estrutura para suportar todas as camadas que virão para compor o ecotelhado. Em alguns casos, é preciso reforçar a laje para receber as outras camadas.
2. Membrana à prova d’água
O revestimento com manta de PVC (6 mm) ou asfáltica é muito importante para impedir que a umidade das plantas passe para a construção ou gere infiltrações. Essa camada se fixa com uma solda específica em toda a extensão.
3. Barreira contra raízes

As raízes das plantas também podem afetar a construção. Elas crescem de maneira natural, mas precisam ser limitadas, de modo a manter o projeto dentro do planejado.
Para isso, é preciso ter uma barreira, que fará com que cresçam de forma estável, mas sem danificar a membrana impermeável.
4. Sistema de drenagem
Como a água é fundamental para a manutenção do telhado verde, é necessário contar com um desses.
O sistema será responsável por escoar ou drenar a chuva, impedindo que o local alague, por exemplo. Em alguns casos, é possível usar essa água para irrigar as plantas e dar descarga.
Para assentar o sistema de drenagem, geralmente utiliza-se argila expandida ou britas de granulometria alta.
Após 45 dias de irrigação, a laje forma uma lâmina de água sobre sua superfície (geralmente, de 50 L/m²). Drenos a cada 20 m² levam o excesso a uma calha.
5. Tecido permeável
Sua função é separar a terra e a camada de drenagem, evitando que a primeira entre nos espaços vazios da segunda e dificulte a passagem de água.
Feito geralmente em TNT reciclado, o tecido permeável é uma espécie de base por cima da grelha para receber a terra.
6. Terra
Finalmente, é hora de colocar o substrato. Essa camada é importante, pois absorve a água da chuva que cai sobre a vegetação. E, como vai ficar sempre exposta, precisa ser mais forte. Sob o substrato, a manta geotêxtil deixará a água passar sem afetar a terra.
O composto orgânico tem por volta de 3,5 cm de altura. Arbustos e árvores pedem espessura maior para instalação. Já o tipo de solo dependerá da vegetação adotada e do tipo de telhado verde escolhido.
7. Vegetação
Por fim, é só plantar as plantas escolhidas, como grama ou boldo. É importante entender quais espécies são nativas da região, pois se adaptarão com mais facilidade.
Além disso, a escolha por alternativas de baixa manutenção faz diferença. Outra ideia é apostar em árvores de até 3 m, formando uma floresta particular.
Aposte principalmente em grama, arbustos, árvores baixas e plantas que possam receber alta incidência solar.

Também é possível apostar em uma oitava camada: para impermeabilizar sumidouros e parapeitos, invista em uma membrana de poliuretano. Essa proteção extra permite vedar todo o telhado verde.
Quais são os tipos de telhado verde?
Apesar de seguir uma estrutura de camadas, o telhado verde se diferencia pela profundidade de sua camada vegetal. Conheça os principais:
Extensivo

É o telhado verde de baixa manutenção. Conta com substrato de até 15 cm e, por consequência, plantas de pequeno porte.
É essencial respeitar esse limite, pois o peso total da cobertura não deve ultrapassar os 150Kg/m². O crescimento é mais lento e baixo, contudo mais em conta e de fácil cuidado.
Normalmente, o telhado extensivo cultiva gramíneas e xerófitas, que aceitam as variações de chuva e, consequentemente, exigem pouca rega e poda.
O telhado verde extensivo também exige menos esforço na construção das estruturas de sustentação. Portanto, é mais recomendado em coberturas já existentes.
Semi-intensivo
É o modelo cujo substrato tem entre 15 e 25 cm. Seu peso não pode ultrapassar os 200 Kg/m².
O ecotelhado semi-extensivo exige manutenção periódica e tem custo mais alto. Porém, você consegue colocar plantas maiores, arbustos e ervas.
Com o semi-intensivo, é possível cultivar hortas na cobertura — uma vantagem pois, além de todos os benefícios que o telhado verde já proporciona, também é possível colher alimentos saudáveis, sem agrotóxicos.
Mais comum em restaurantes, shoppings e estabelecimentos que desejam produzir o próprio alimento, o telhado semi-intensivo é uma oportunidade real de marketing verde, fugindo do greenwashing praticado por muitas empresas.
Intensivo
Por fim, o ecotelhado intensivo é o que exige mais investimento financeiro e manutenção mais constante, mas permite plantas maiores, como plantas de médio porte. A estrutura precisa de um reforço ainda maior para aguentar a sobrecarga.
É preciso, portanto, repetir: não faça um telhado verde por conta própria. Além de precisar de camadas, você deve ter certeza de que a cobertura aguentará o peso das plantas e quais as espécies adequadas para aquela edificação.
Quanto custa um telhado verde?
Um telhado verde extensivo, que exige menor investimento, costuma variar entre R$ 150 e R$ 350 por m². Já um projeto semi ou intensivo, que exige mais reforço e vegetações mais extensas, pode chegar a mais de R$ 600/m².
Quanto tempo dura um telhado verde?

Apesar de exigir manutenções constantes, um telhado verde durará pelo menos 40 anos. Suas estruturas, porém, são criadas para aguentar por décadas.
Quais são os principais cuidados com esse ecotelhado?
Os cuidados com o telhado verde giram em torno das plantas que você escolher.
Naturalmente, elas crescem e precisam ser podadas. Além disso, cada espécie tem uma necessidade diferente em termos de água, iluminação e adubo.
Por conta de tudo isso, o telhado verde precisa ser de fácil acesso, o que é um ponto de atenção no projeto.
Outros equipamentos ou materiais usados no telhado verde são pensados para ficarem expostos ao tempo. Sendo assim, você não vai precisar se preocupar com a manutenção frequente.
Em média, a visita de um profissional duas vezes ao ano é suficiente para manter o ecotelhado funcionando perfeitamente.
Telhados verdes pelo mundo
Conheça alguns exemplos de ecotelhados espalhados pelo planeta:
Edifício Matarazzo (São Paulo)

No Brasil, um prédio famoso com o telhado verde é a sede da Prefeitura de São Paulo. Inaugurado em 1939, o Edifício Matarazzo (também conhecido como Palácio do Anhagabaú) começou a receber seu jardim suspenso nos anos 60, graças ao trabalho do jardineiro Walter Galera. Desde 2015, o local é aberto à visitação.
Koowloon Station (Hong Kong)

Outro exemplo interessante e recente é o terminal Express Rail Link West Kowloon, em Hong Kong. Projetado por Andrew Bromberg (Aedas) e inaugurado em 2015, ele traz áreas de lazer e um anfiteatro aberto. Tudo isso em um telhado ecológico que se destaca pela beleza.
Chicago City Hall (EUA)

O City Hall é o telhado da prefeitura de Chicago. Em 2001, 3.600 m² do telhado no topo da ala oeste foram tomados por uma cobertura verde. Esse ecotelhado serviu como um projeto-piloto para avaliar o impacto nas ilhas de calor em áreas urbanas, escoamento de águas pluviais e clima.
Atualmente, o telhado verde conta com 20 mil plantas de mais de 150 espécies, incluindo arbustos, vinhas e duas árvores. Os apicultores colhem aproximadamente 91 kg de mel a cada ano de colmeias instaladas no telhado.
ACROS Fukuoka (Japão)

O arquiteto Emilio Ambasz transpôs um parque de quase 100 mil metros quadrados para o ACROS Fukuoka Prefectural International Hall.
Localizado em Fukuoka, o edifício propõe uma nova solução poderosa para um problema urbano comum: unir o uso lucrativo de um local com a necessidade do público por espaço verde aberto.
O ACROS é um modelo agro-urbano inovador: em formato de arquibancada, cada \"degrau\" do edifício é coberto por um jardim contínuo que termina no terraço superior.
O telhado verde vai além da estética, ele cuida da cidade e da comunidade. Sua manutenção constante gera benefícios imediatos e a longo prazo.
Você já ouviu falar em arquitetura da felicidade? Esse conceito deixa clara a relação entre as obras e as pessoas, que são afetadas por cores, materiais e outros aspectos. Saiba mais sobre o assunto!