01.12.2022
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Mostra de projetos do paisagista Roberto Burle Marx
Mostra de projetos do paisagista Roberto Burle Marx tem vasto acervo de suas produções e ainda conta com experiência imersiva em uma sala escura com projeções e aúdio (Foto: Karim Kahn/SESI-SP/ Divulgação)
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O que fazer em São Paulo em dezembro de 2022

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O último mês de 2022 presenteia o público com exposições imperdíveis em São Paulo para quem é apaixonado pelo universo da arquitetura, paisagismo, design e arte. Aqui, uma seleção com cinco passeios tão belos quanto interessantes. Ao visitar estas mostras, é possível, por exemplo, conhecer mais a fundo a carreira do paisagista Burle Marx, viajar ao Xingu e aprender mais sobre a obra de Lina Bo Bardi - tudo isso sem sair da capital paulista
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1 | Burle Marx na Fiesp

exposição projetos de Burle Marx
A exposição tem especial destaque para os projetos de Burle Marx na capital paulista. Defensor da sustentabilidade e da preservação da natureza, ele falava sobre a necessidade de uma renaturalização das grandes cidades (Foto: Karim Kahn/SESI-SP/ Divulgação)

O mais reconhecido paisagista brasileiro é celebrado na mostra Paisagem construída: São Paulo e Burle Marx. Profissional à frente do próprio tempo e premiado internacionalmente, Roberto Burle Marx pautou seu trabalho por ideias pioneiras e sustentáveis, em uma época em que ainda não se falava sobre o assunto. A longeva carreira de quase 70 anos está resumida na mostra, com ênfase no paisagismo e arquitetura desenvolvidos e executados na cidade de São Paulo. As peças selecionadas para a exposição vão de desenhos, maquetes, plantas de projetos e croquis até fotografias, vídeos, documentos e reportagens. Tudo ressalta a contemporaneidade de seu pensamento e a construção do conceito de ecologia urbana. Preocupado com a intensa impermeabilização do solo e a carência de espaços verdes, Burle Marx apontava a necessidade de uma renaturalização das cidades. A exposição se organiza em três eixos: Ecologista Urbano, em que se evidencia seu ativismo pela sustentabilidade e preservação da natureza;  Obras Icônicas, onde são mostrados seus trabalhos de destaque em espaços públicos (há, inclusive, uma experiência de imersão sensorial em uma sala escura com projeções); e Projetos em São Paulo, que ocupa a área central da mostra com um conjunto de obras assinadas pelo paisagista na capital paulista, em parceria com arquitetos como Rino Levi e Paulo Mendes da Rocha. A curadoria é de Guilherme Wisnik, Helena Severo e Isabela Ono, e a expografia é assinada pelo arquiteto Álvaro Razuk. 

Serviço
Período: até 5 de fevereiro de 2023
Entrada gratuita
Horários: quarta a domingo, das 10h às 20h 
Localização: Avenida Paulista, 1313, Bela Vista

Dica: não deixe de apreciar o Jardim Efêmero, composto por estruturas verticais na entrada do prédio e assinado pelo escritório Burle Marx. Repare também na exibição de uma animação da mostra, projetada na fachada do edifício da Fiesp.

2 |Afrolatinidade no Memorial da América Latina 

Afrolatinidade no Memorial da América Latina 
Criadas sobre suportes feitos de materiais reutilizados, as obras exibem a pluralidade da cultura latino-americana (Foto: Divulgação) 

A afrolatinidade é o tema central da exposição Latinoamerica_negra_contemporânea,  no Memorial da América Latina, em parceria  com a USP. Organizada no Espaço Gabo, a mostra reúne trabalhos do artista visual Wilton Garcia, que relaciona consumo, diversidade, meio ambiente e sustentabilidade em experimentações poéticas, com estética contemporânea. Os trabalhos selecionados para a exposição versam sobre a persona afrolatina, suas cores, diversidade, força e solidez. O artista mineiro radicado em São Paulo misturou  influências conceituais de Artesania, Arte Povera, Arte Naif, Art Pop e Bricolagem para criar as obras e se valeu do reuso de materiais descartáveis, como papéis, madeiras e tecidos – o piso da mostra, por exemplo, foi coberto com uma grande lona antiga de caminhão. A curadoria é de Luciano Maluly, docente na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Serviço
Período: até 4 de fevereiro de 2023
Entrada gratuita
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h
Localização: Avenida Mário de Andrade, 664, Barra Funda (acesso pelos portões 8 e 9) 

Dica: Aproveite a visita ao Memorial da América Latina para visitar também a exposição Orixás, do artista plástico Eury Moreira, em cartaz de 2 dezembro a 8 de janeiro, no Espaço Multiuso. Entrada gratuita.

3 | Produção audiovisual indígena no IMS Paulista

Produção audiovisual indígena no IMS Paulista
A mostra reúne produções audiovisuais dos indígenas do Xingu. Na foto acima, a aldeia Khĩkatxi do povo Khisêtje foi retratada durante queimada provocada por não indígenas (Foto de Renan Suyá/Rede Xingu+)

Após dois anos de pesquisas, a exposição Xingu: contatos, abre ao público no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, com cerca de 200 itens e diferentes perspectivas sobre o Parque Indígena do Xingu. O território, demarcado em 1961 no Mato Grosso, é lar de 6 mil indígenas de 16 etnias, que até hoje enfrentam ameaças e violências – como queimadas, desmatamento e plantações irregulares de soja. A luta dos povos originários do Brasil pelos seus direitos inspirou a exposição, que coloca lado a lado produções audiovisuais dos indígenas e reportagens, imagens históricas e documentos. O objetivo desta aproximação é mostrar novas leituras e olhares sobre a região. Entre os centenas de itens expostos, destaque para seis curtas-metragens criados especialmente para a mostra, de autoria de Divino Tserewahú, Kamatxi Ikpeng, Kamikia Kisêdjê, Kujãesage Kaiabi, Piratá Waurá e do Coletivo Kuikuro de Cinema. A inserção do audiovisual nas comunidades indígenas funciona como instrumento de preservação dos saberes e tradições, além de ferramenta de autorrepresentação. A equipe de curadoria da mostra é formada pelo cineasta Takumã Kuikuro, pelo jornalista Guilherme Freitas e pela assistente de curadoria Marina Frúgoli. 

Serviço
Período: até 9 de abril de 2023
Entrada gratuita
Horários: terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Localização: Avenida Paulista, 2424, Bela Vista

Dica: A pesquisa para esta exposição começou com a produção do podcast Xingu: terra marcada, lançado em abril de 2021 pela Batuta, rádio de internet do IMS, com participação dos curadores Guilherme Freitas e Takumã Kuikuro. A série narra a história da campanha pela demarcação do Parque Indígena do Xingu e seu significado na luta pelos direitos indígenas até hoje. O programa está disponível no site da Batuta, no Spotify, na Apple Podcasts e em outras plataformas.

4 | Lina Bo Bardi e Max Bill na Casa Zalszupin

Lina Bo Bardi posa na poltrona de balanço que criou em 1951
Lina Bo Bardi posa na poltrona de balanço que criou em 1951, mesmo ano em que o artista Max Bill fez sua primeira exposição no Brasil. A intersecção entre a obra de ambos é tema da mostra na Casa Zalszupin (Foto: Arquivo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Divulgação) 

O multitalentoso Max Bill foi um designer, pintor, escultor e arquiteto suíço reconhecido principalmente pelo movimento concretista. Lina Bo Bardi, que dispensa apresentações, foi uma das maiores arquitetas do século 20 no Brasil, além de ter contribuído com cenografia, artes plásticas, desenho de mobiliário e design gráfico. Mas onde as trajetórias destes dois expoentes se cruzam? É esta curiosa história que revela a exposição Diálogo Bardi Bill, em cartaz na Casa Zalszupin. A mostra narra como um terceiro personagem, Pietro Maria Bardi (marido de Lina e diretor do Masp), convidou o suíço para uma exposição no Brasil, que aconteceu em 1951. Assim começou uma relação de mútua admiração e amizade, que inspirou o trabalho de ambos. Além de esculturas e mobiliário, a mostra traz correspondências, fotografias, croquis e documentos. A curadoria é de Francesco Perrotta-Bosch. 

Serviço
Período: até 10 de dezembro
Entrada gratuita mediante agendamento prévio
Horários: segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 14h
Localização: Rua Dr. Antônio Carlos de Assunção, 138, Jardim América

Dica: O agendamento para visitação deve ser feito por meio deste link. Outras informações no site da Casa Zalszupin. 

5 | Cidade, casas e corpo, no Sesc Pompeia

Cidade, casas e corpo, no Sesc Pompeia
A mostra é tátil e convida o público a explorar as casas-corpo (Foto: Monica Cardim/Divulgação)

Antes de habitarmos qualquer casa com paredes, teto e portas, habitamos nosso próprio corpo. Eis a casa original. Foi essa ideia que inspirou a mostra Cidadela Corpo, em cartaz no Sesc Pompeia. Assinado pela premiada artista, cenógrafa e figurinista Maria Zuquim, o projeto é formado por 15 miniaturas de casas que se localizam dentro de casas-corpo estruturadas  com metal, bambu e tecido, dispostas em uma pequena fortificação em formato concêntrico. Para visualizar os detalhes de cada uma é preciso se aproximar e observar seu interior. As casinhas contam histórias e fazem refletir sobre pluralidade, alteridade, inclusão e sustentabilidade. Guiado pelo som do movimento da água, do vento, do pisar na terra e do crepitar do fogo, o percurso é lúdico e instigante especialmente para crianças, mas também encanta adultos. A exposição tátil convida o público a passear pelo território e experimentar as surpresas que surgem pelo caminho. 

Serviço
Período: até 18 de dezembro
Entrada gratuita
Horários: terça a domingo (e feriados), das 10h às 17h
Localização: Rua Clélia, 93, Água Branca

Dica: A exposição está localizada no Espaço de Brincar (Área de Convivência) do Sesc Pompeia. 

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Maria Clara Vieira
Colunista
Colunista

É formada em jornalismo e mestre em comunicação, ambos pela USP. Soma oito anos...

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