07.03.2025
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Liu Jiakun, vencedor do Pritzker 2025, transforma a arquitetura em narrativa (Foto: Cortesia da Fundação Hyatt/Prêmio Pritzker de Arquitetura)

Liu Jiakun é laureado com o Prêmio Pritzker 2025

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07.03.2025
Vencedor do Pritzker 2025, Liu Jiakun une tradição e inovação na arquitetura, criando espaços comunitários com conexão e significado
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No encontro entre tradição e inovação, onde a arquitetura vai além da forma e se torna narrativa, Liu Jiakun construiu o seu legado. Vencedor do Prêmio Pritzker de 2025, a maior honraria da arquitetura mundial, o arquiteto chinês está à frente do Jiakun Architects. 

Seu trabalho se destaca pela fusão entre elementos tradicionais e design contemporâneo. No entanto, as suas criações transcendem o simples ambiente construído, alcançando uma profundidade que une dimensões culturais, históricas, emocionais e sociais. 

“A arquitetura deve revelar algo — precisa abstrair, destilar e tornar visíveis as qualidades inerentes das pessoas. Ela tem o poder de moldar o comportamento humano e criar atmosferas, oferecendo uma sensação de serenidade e poesia, evocando compaixão e misericórdia, e cultivando um senso de comunidade compartilhada”, expressa Liu.

Essa abordagem é a razão pela qual o arquiteto não segue um estilo arquitetônico específico, mas adota estratégias adaptativas que atendem às necessidades específicas de cada espaço. Seu objetivo é equilibrar áreas públicas e privadas, criando ambientes que estimulam a empatia e fortalecem a conexão.

“Liu pega realidades presentes e as manipula a ponto de oferecer, às vezes, um cenário totalmente novo da vida cotidiana. Além do conhecimento e das técnicas, o bom senso e a sabedoria são as ferramentas mais poderosas que ele adiciona à caixa do designer”, afirma a citação do Júri de 2025.

Leia também:

Liu Jiakun: o arquitetar da identidade coletiva

Espaço contemplativo com um estilo arquitetônico chinês em meio a um espelho d\'água, no distrito Tianbao Cave, na cidade de Erlang
Renovação do distrito Tianbao Cave, na cidade de Erlang, conduzida por Jiankun (Foto: Cortesia de Arch-Exist)

Nascido em Chengdu, em 1956, Liu Jiakun seguiu um caminho inovador, desafiando as convenções da arquitetura tradicional. Formado em Engenharia de Arquitetura pela Universidade de Chongqing, em 1982, ele fez parte da primeira geração encarregada de reconstruir a China no pós-revolução.

No início de sua carreira, trabalhou no Chengdu Architectural Design and Research Institute e, em seguida, se ofereceu para se mudar temporariamente para Nagqu, no Tibete, onde, além de exercer a arquitetura, se dedicou à literatura.

Embora tenha considerado abandonar a área, a sua paixão foi reacendida em 1993, após visitar uma exposição de seu antigo colega Tang Hua. O evento o inspirou a romper com a estética tradicional e usar a arquitetura como expressão pessoal, marcando o começo de sua trajetória.

Tianbao Cave, estrutura arquitetônica integrada ao ambiente natural de um penhasco. O edifício combina materiais modernos, como aço e vidro, com pedras
Tianbao Cave incorpora elementos da estética chinesa, mas utilizando técnicas contemporâneas em seu design (Foto: Cortesia de Arch-Exist)

Em 1999, Liu fundou a Jiakun Architects, em Chengdu, defendendo a arquitetura como algo que vai além da forma, sendo também um reflexo de comunidade, espiritualidade e tradição. Ele acredita que a identidade está ligada tanto ao indivíduo quanto ao senso coletivo de pertencimento a um lugar. 

De acordo com o Júri do Prêmio Pritzker 2025, o arquiteto revisita a tradição chinesa de maneira inovadora, sem nostalgia, criando uma arquitetura que é, ao mesmo tempo, histórica, funcional, paisagística e pública.

Além de ser um arquiteto renomado, Liu também é escritor. Suas obras publicadas, como The Conception of Brightmoon (2014), Narrative Discourse and Low-Tech Strategy (1997), Now and Here (2002) e I Built in West China? (2009), refletem a sua visão abrangente e o seu profundo interesse pela condição humana, que inspira o seu pensamento arquitetônico.

A arquitetura como conexão

Centro Cultural de Songyang, edifício moderno de um pavimento, com estrutura envidraçada e linhas retas, situado em um ambiente urbano que mistura arquitetura tradicional e contemporânea. O prédio possui uma ampla cobertura plana que se estende além da estrutura
O Centro Cultural de Songyang apresenta uma arquitetura que fomenta a convivência (Foto: Cortesia de Arch-Exist)

Por meio de seus projetos, Liu Jiakun busca mais do que apenas edificar estruturas; ele cria narrativas visuais e espaciais que conectam história, comunidade e experiências pessoais, formando ambientes onde a identidade compartilhada é central.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse compromisso é o Centro Cultural de Songyang. O projeto é uma celebração do espaço público e do pertencimento coletivo, colocando as pessoas no centro do design. 

Mais do que um simples ponto de encontro, a iniciativa é uma tentativa de reconectar a comunidade à sua história e à sua identidade cultural, construindo um lugar que, ao mesmo tempo, serve à vida contemporânea e preserva as tradições.

West Village, um grande complexo arquitetônico de formato retangular, com um espaço aberto no centro, repleto de vegetação e quadras esportivas
West Village é um amplo pátio ao ar livre, convidando os visitantes a caminhar e explorar livremente (Foto: Cortesia de Chen Chen)

Esse mesmo idealismo permeia outros de seus projetos, como o pátio do West Village, em Chengdu. Em um cenário urbano denso, Liu desafia a ideia convencional de que, para acomodar grandes populações, é preciso abrir mão dos espaços abertos. 

Pelo contrário, ele os transforma em ambientes públicos acessíveis, criando vastos caminhos para pedestres e ciclistas que incentivam a interação social e o engajamento comunitário. Com largas vias e áreas comuns, além dos espaços verdes, é mais que um edifício: é uma extensão da vida pública.

Liu Jiakun transforma limitações em oportunidades

Vista aérea do Departamento de Escultura do Instituto de Belas Artes de Sichuan, um edifício moderno com um design arquitetônico distinto. A estrutura combina concreto cinza e um tom avermelhado, com uma fachada inclinada e janelas dispostas de forma irregular
Departamento de Escultura do Instituto de Belas Artes de Sichuan (Foto: Cortesia de Arch-Exist)

Em um cenário urbano cada vez mais desafiador, Liu Jiakun se destaca por sua habilidade em transformar limitações de espaço em oportunidades, maximizando o uso do metro quadrado. Um exemplo disso é o Departamento de Escultura do Instituto de Belas Artes de Sichuan, em Chongqing. 

Diante do terreno apertado e da necessidade de maximizar a funcionalidade, o arquiteto recorreu a soluções criativas, implementando estruturas em balanço que criam áreas abertas, acessíveis e funcionais, mas sem comprometer a estética. 

Departamento de Escultura do Instituto de Belas Artes de Sichuan, um edifício com uma arquitetura assimétrica. A fachada é composta por uma combinação de concreto cinza e uma estrutura avermelhada, com um design inclinado e janelas
Departamento de Escultura do Instituto de Belas Artes de Sichuan (Foto: Cortesia de Arch-Exist)

“Em um mundo que tende a criar periferias infinitas e monótonas, ele encontrou uma maneira de construir lugares que são edifício, infraestrutura, paisagem e espaço público ao mesmo tempo. Seu trabalho pode oferecer pistas impactantes sobre como enfrentar os desafios da urbanização, em uma era de cidades em rápido crescimento”, comenta Alejandro Aravena, presidente do Júri e laureado do Prêmio Pritzker 2016.

Em cada um de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que a arquitetura é muito mais do que apenas erguer estruturas físicas. Ela é, antes de tudo, uma ferramenta para escrever uma história comum, para fomentar a convivência e para promover o sentimento de pertencimento.

Além de Liu, outro arquiteto chinês também incorpora as raízes de sua cultura em sua arquitetura. Se você é apaixonado pela fusão entre tradição e inovação, descubra como Ai Weiwei utiliza suas obras para questionar e refletir sobre a sociedade contemporânea!

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