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Ruínas esculpidas na montanha de Petra
Ruínas esculpidas na montanha fazem de Petra um dos sítios arqueológicos mais bonitos do mundo (Foto: Alexandre Disaro)

Petra: uma cidade esculpida nas montanhas

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03.02.2023
Alexandre Disaro, colunista de viagens do Archtrends, conta a história e compartilha dicas sobre Petra, na Jordânia, um dos lugares mais visitados do Oriente Médio
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Ruínas esculpidas na montanha, rochas coloridas e um cenário deslumbrante em meio ao deserto. Assim é Petra, um dos sítios arqueológicos e geológicos mais bonitos do mundo. Além de patrimônio mundial da humanidade pela Unesco é, certamente, a imagem mais associada à Jordânia. Um verdadeiro tesouro a ser visitado.

Imagino que você já tenha visto a imagem que ilustra a capa do artigo. Uma grande fachada esculpida diretamente na pedra alaranjada que se revela entre as paredes do cânion. Este é o monumento mais conhecido de Petra, mas apenas uma pequena parte deste fascinante lugar. Cores, texturas, história e arquitetura.

 ruínas de Petra
As ruínas se revelam entre as montanhas pelo olhar de Alexandre Disaro (Foto: Alexandre Disaro)

Há muito tempo eu planejava visitar o lugar. Acabei de passar por lá e me encantei com tanta beleza e história! Gostaria de compartilhar um pouco dessa vivência para colorir o seu dia.

O que é Petra e quem foram os nabateus?

Nos arredores da Terra Santa (Israel, Palestina e parte da Jordânia) encontra-se Petra, um dos lugares mais incríveis e visitados do Oriente Médio.

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Petra é um sítio arqueológico, geológico e um museu a céu aberto. Resquícios indicam que o povoamento na região pode ser traçado em até 10.000 anos. Contudo, foi com o povo nabateu que Petra se tornou conhecida. Não se sabe ao certo quando começou a ser erguida, mas tornou-se a capital do Império Nabateu e prosperou com o comércio de incenso, mirra e especiarias.

onde viveram os nabateus
Alexandre Disaro explora onde viveram os nabateus (Foto: Alexandre Disaro)

Os nabateus habitaram essa vasta região que se estendia pelo noroeste da Arábia Saudita, Sinai, sul da Síria e praticamente toda a Jordânia. Viveram aqui entre os séculos 4 a.C. ao século 5 d.C. Grande parte do seu sucesso se deu pela localização na confluência entre as rotas que conectava a Península Arábica, Europa, Anatólia (atual Turquia), Ásia Central, Pérsia (atual Irã) e China.

Eles eram grandes escavadores e trabalhavam muito bem o arenito da região. Suas casas, templos e tumbas eram escavadas diretamente nas montanhas. De cima para baixo, como se ao mesmo tempo fatiassem e esculpissem a pedra. Foram também excelentes engenheiros hidráulicos, controlando o curso e a captação das águas com o desvio do curso do rio, captação pluvial e a construção de um sistema de irrigação e transporte de água que pode ser visto até hoje.

arquitetura e engenharia produzidas pelos nabateus
Impressiona a arquitetura e engenharia produzidas pelos nabateus há cerca de 2 mil anos (Foto: Alexandre Disaro)

Com o decorrer da história, o povo nabateu foi anexado pelos romanos no começo do século 2 d.C, e mais tarde pelos bizantinos. Continuaram a prosperar até que um grande terremoto no século 4 d.C. mudou seu destino para sempre. Os danos causados pelo terremoto, junto às mudanças das rotas comerciais, fizeram a cidade entrar em declínio e, aos poucos, ao completo abandono. Esquecida pelo tempo, suas ruínas foram redescobertas em 1812 pelo explorador suíço Johannes Burckhardt. A partir daí, a cidade passou a atrair grande interesse pelos pesquisadores.

Vivenciar essa magnitude mexe com a gente. É de arrepiar. A história, a escala dos monumentos e suas cores.

As cores de Petra

Em Petra, a arqueologia e a geologia coexistem em forma de arte. O sítio é também conhecido pelas cores das rochas nas quais tumbas e casas foram esculpidas. Para melhor compreendermos os monumentos, é importante prestarmos atenção na geologia para entender a qualidade das rochas que os escultores tiveram à disposição. Os tipos de arenito presentes no local estão por trás da escala monumental, dos ricos detalhes arquitetônicos e do ótimo estado de preservação que a cidade reteve.

 cores de Petra
Alexandre Disaro explora as cores de Petra (Foto: Alexandre Disaro)

O arenito é uma rocha sedimentar fácil de ser trabalhada. Ao escavá-lo, os nabateus o revestiam com um acabamento para nivelar, impermeabilizar e desacelerar o processo de erosão. Durante os séculos, tanto o estilo arquitetônico quanto às técnicas de entalhe e revestimento foram aprimoradas. Ainda que muitas estruturas se encontrem em bom estado, o tempo deixou sua marca. Ao observar as partes desgastadas encontramos um arco-íris de cores. Vermelho, laranja, amarelo, marrom, bege, preto, azul escuro, verde, rosa, roxo e cinza. Uma profusão de cores que atestam a presença de diversos minerais no poroso arenito.

cores de areia em Petra
As cores se revelam nas camadas do arenito, a rocha da região de Petra (Foto: Alexandre Disaro)

É impressionante estar diante de tamanha beleza por todos os cantos. Petra é uma das grandes maravilhas do mundo, onde história, arqueologia, arquitetura, geologia e arte se encontram em harmonia. Há muito para se conhecer e aprender.

O que ver

Há duas partes principais para se visitar: o museu e o sítio arqueológico.

O museu tem entrada gratuita e fica ao lado da entrada principal do parque. Conta a história da região desde os primeiros vestígios de habitação até os dias atuais. Um panorama geral para melhor compreender o que será visto durante a visita ao sítio.

cânion Siq em Petra
O cânion Siq conecta o museu ao monastério, passando pelo sítio arqueológico (Foto: Alexandre Disaro)

O sítio arqueológico/parque se espalha por todo o vale. Há uma rota principal que conecta a entrada, passando pelo grande cânion Siq até o monastério. Por este caminho se ramificam algumas trilhas para se conhecer outras áreas. Todas valem a pena serem percorridas.

Para se organizar

Petra é um local em contínuo trabalho de escavação e estudo. Ainda assim, é bem preparada para acolher os turistas. A cidade conta com uma zona específica para a hotelaria, assim é possível ficar próximo ao parque; o sítio arqueológico em si conta com mapa e áreas demarcadas com trilhas, banheiros e pequenos comércios para que os visitantes possam aproveitar o dia com tranquilidade.

entardecer em Petra
O lindo entardecer em Petra (Foto: Alexandre Disaro)

Para os com boa condição física e pouco tempo, é possível “ver tudo” em um só dia. O ideal é dedicar de dois a três dias para absorver tudo com calma e apreciar o lugar com a atenção merecida. Dois dias bem aproveitados são o suficiente para a maior parte dos turistas.

Dicas

Para os brasileiros que visitam a Jordânia, é necessário visto e a maioria das atrações no país não são gratuitas. Existe um passe chamado Jordan Pass, que ao ser adquirido abona a necessidade do visto e inclui a entrada em diversas atrações espalhadas pelo país, além de um, dois ou três dias de visita a Petra.

Alugar um carro é o jeito mais prazeroso e confortável de visitar a Jordânia.

trilha em Petra
Trilha alternativa que Alexandre Disaro explorou em Petra (Foto: Alexandre Disaro)

Petra é um local aberto. O clima interfere diretamente no acesso e no tanto que o turista consegue aproveitar. É preciso atenção à época para evitar a maior probabilidade de mau tempo durante o inverno, o calor tórrido do verão e as multidões da alta estação. Por isso é importante uma agenda mais flexível ao organizar uma viagem para Petra.

Ao ficar mais dias em Petra (de dois a três), você consegue lidar com esses imprevistos climáticos e fazer um passeio maravilhoso.

Contrate um guia no primeiro dia para caminhar com você durante as três primeiras horas. Ele compartilha um panorama geral da história ambientada. Ao finalizar você continua dentro do parque explorando por conta própria.

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  1. Q lugar fabuloso, imagino a energia dessas construções, esses coloridos das pedras, viver essa história… 👏🏼👏🏼👏🏼

  2. Parabéns tenho seguido vc e o Lufe adorei cada segundo, obrigada por compartilhar!

  3. Fiquei encantada com a narrativa do Alexandre Disaro, deu vontade de visitar este lugar, as fotos ficaram maravilhosas, obrigada pelas informações e conhecimentos que nos dar.Parabéns, pela matéria.

  4. A profundidade dos textos do Ale são fantásticas. Um privilégio poder conhecer a visão tão delicada dele a lugares tão especiais.

  5. Estou encantada com a coluna do Alexandre Disaro aqui no Archtrends! Suas fotos, seus textos, todas as informações e conhecimento que ele nos traz. Parabéns, Ale! Parabéns, Archtrends!



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