03.08.2025
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Entre névoas e montanhas norueguesas, a Igreja de Madeira de Borgund se impõe como uma das igrejas pelo mundo com arquitetura única (Foto: Ramon Perucho/Pexels)

6 igrejas pelo mundo com arquitetura única

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03.08.2025
Conheça seis igrejas pelo mundo em que a arquitetura ultrapassa o sagrado e transforma fé, cultura e paisagem em verdadeiras obras-primas
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As igrejas pelo mundo todo revelam mais do que devoção: são verdadeiras obras-primas da arquitetura. 

Independentemente de credo religioso, há algo profundamente inspirador na forma como as igrejas pelo mundo sintetizam arte, técnica e simbolismo. Elas contam histórias, experimentam estruturas audaciosas, desafiam os limites dos materiais e dialogam com o entorno natural ou urbano com rara sensibilidade. 

É por isso que arquitetos e admiradores do design buscam nesses templos uma fonte inesgotável de referências, inovação e emoção estética.

Continue conosco e aprecie algumas das igrejas pelo mundo com arquitetura única.

Leia também:

1. Capela do Bâlea Lake Ice Hotel

 Capela de Gelo do Bâlea Lake Ice Hotel, inteiramente construída com blocos de gelo e neve compactada.
Um templo esculpido no silêncio do inverno: a Capela de Gelo do Bâlea Lake brilha sob o sol das montanhas, unindo arte efêmera e espiritualidade congelada (Foto: Untravelledpaths/Wikimedia Commons)

No coração das montanhas Făgăraș, na Romênia, ergue-se — por um breve e mágico período, a cada inverno — a Capela do Bâlea Lake Ice Hotel, uma das igrejas pelo mundo mais efêmeras e surpreendentes.

Situada próxima ao pitoresco Lago Bâlea, a capela faz parte de um complexo inteiramente construído em gelo, que inclui um hotel de 12 quartos, um restaurante e um bar, todos esculpidos com impressionante precisão artística.

A cada ano, quando as temperaturas despencam e o lago congela, artesãos e artistas locais entram em ação: cortam blocos translúcidos de gelo diretamente do lago e começam a moldar, com esmero, paredes, altares e colunas geladas.

A igreja é totalmente esculpida em gelo, com detalhes inspirados nas formas orgânicas e abstratas do escultor modernista romeno Constantin Brâncuși, nascido nas proximidades.

Mais do que um espaço religioso, a capela se transforma em uma instalação artística imersiva, em que o frio se mistura ao silêncio e à luz filtrada pelo gelo, criando uma atmosfera de espiritualidade congelada e efêmera.

Aberta geralmente entre dezembro e março, ela derrete com a chegada da primavera, o que só intensifica a sua aura de impermanência e beleza sublime.

2. Igreja de São Jorge

Vista aérea da Igreja de São Jorge, em Lalibela, Etiópia — escavada diretamente na rocha vulcânica em forma de cruz, cercada por uma vala profunda e acessada por escadarias.
Esculpida direto nas entranhas da terra, a Igreja de São Jorge parece brotar do solo sagrado de Lalibela (Foto: Sailko/Wikimedia Commons)

No alto planalto da Etiópia, entre vales escarpados e paisagens de tirar o fôlego, está uma das expressões mais extraordinárias da arquitetura de igrejas pelo mundo: a Igreja de São Jorge, ou Betä Giyorgis, em Lalibela.

Esculpida diretamente em uma única rocha de tufo vulcânico, de cima para baixo, como uma inversão poética da arquitetura tradicional, essa construção do século XII impressiona tanto pela sua engenharia quanto por sua carga simbólica.

Encomendada pelo rei Gebre Mesqel Lalibela, da dinastia Zagwe, a igreja foi concebida após uma visão mística em que São Jorge e o próprio Deus teriam instruído o monarca a erguer uma “nova Jerusalém” em solo etíope.

Assim, as onze igrejas monolíticas de Lalibela foram organizadas para refletir a geografia espiritual: um grupo representando a Jerusalém terrena, outro a Jerusalém celestial, separados por uma trincheira que simboliza o rio Jordão. E, no ponto central, como se ligasse céu e terra, está a magnífica Igreja de São Jorge.

Vista aérea da Igreja de São Jorge, em Lalibela, Etiópia, mostrando sua planta em cruz grega esculpida diretamente na rocha vulcânica abaixo do nível do solo.
Como se tivesse sido cravada no coração da terra, a Igreja de São Jorge revela sua planta em cruz perfeita (Foto: Bernard Gagnon/Wikimedia Commons)

Com 25 metros de profundidade e acessível apenas por um cânion artificial em espiral, Betä Giyorgis parece ocultar-se no solo, como um segredo sagrado.

Vista de cima, a sua planta em formato de cruz grega é perfeitamente simétrica. Internamente, o espaço é modesto e solene, com um santuário dedicado ao santo padroeiro da Etiópia e uma réplica da Arca da Aliança protegida por véus sagrados.

Reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, a igreja é, até hoje, um dos principais destinos de peregrinação do cristianismo ortodoxo etíope, e uma obra-prima absoluta da arquitetura esculpida na rocha.

3. Igreja de Madeira de Borgund

Vista da Igreja de Madeira de Borgund, na Noruega, construída por volta de 1150 em estilo medieval.
Com telhados que lembram escamas de dragão e formas que ecoam a tradição viking, a Igreja de Madeira de Borgund parece saída diretamente de uma saga nórdica (Foto: Simo Räsänen/Wikimedia Commons)

Entre as paisagens montanhosas e os vales verdejantes de Lærdal, na Noruega, encontra-se a magnífica Igreja de Madeira de Borgund, um dos mais fascinantes exemplares da arquitetura sacra medieval escandinava. 

Construída por volta de 1150, ela é considerada a stavkirke (igreja de madeira) mais bem preservada do país, entre as 28 que ainda resistem ao tempo.

A cristianização da Noruega, ocorrida entre os séculos X e XI, levou à necessidade de erguer templos cristãos, mas ao contrário de outras regiões da Europa, os noruegueses mantiveram a tradição da construção em madeira.

Sendo assim, carpinteiros que dominavam a arte de fazer barcos vikings aplicaram tal habilidade à arquitetura religiosa, criando estruturas únicas, com encaixes complexos, sem uso de pregos, e formas que ecoam a estética das embarcações nórdicas.

Borgund é um exemplo marcante desse legado. O telhado em múltiplos níveis, com cruzes e cabeças de dragão entalhadas, evoca o imaginário mitológico dos povos nórdicos. 

A planta em nave tripla e o uso do estilo arquitetônico Sogn garantem uma aparência austera e ao mesmo tempo encantadora. Lá dentro, o silêncio e o aroma da madeira antiga transportam os visitantes para uma atmosfera quase mística.

4. Catedral Ortodoxa Russa da Santíssima Trindade

Fachada da Catedral Ortodoxa Russa da Santíssima Trindade, em Buenos Aires, com cinco cúpulas em forma de cebola, vitrais ornamentais e um mosaico sacro acima da entrada principal.
Com suas cúpulas azul-celeste cravejadas de estrelas douradas, a Catedral Ortodoxa da Santíssima Trindade traz um pedaço da Rússia imperial para Buenos Aires (Foto: Andres Alaniz/Pexels)

No tradicional bairro de San Telmo, em Buenos Aires, uma construção azul e dourada salta aos olhos como um fragmento de São Petersburgo em solo argentino, destacando-se na lista de igrejas pelo mundo. 

Trata-se da Catedral Ortodoxa Russa da Santíssima Trindade, uma joia arquitetônica que combina o esplendor do estilo russo do século XVII com a delicadeza da adaptação local.

Com cinco cúpulas em forma de cebola, pintadas de azul-celeste e cravejadas com estrelas douradas, a igreja é uma presença singular e encantadora na paisagem portenha.

Projetada originalmente pelo arquiteto Mikhail Preobrazensky, do Santo Sínodo da Rússia, a igreja teve sua construção iniciada em 1898 e foi finalizada em 1901, sob os cuidados do arquiteto norueguês radicado na Argentina, Alejandro Christophersen, e do engenheiro Pedro Coni.

Financiada com recursos do Império Russo, a catedral foi erguida como símbolo da fé ortodoxa e da presença russa na América do Sul.

A edificação em estilo neobizantino e neo-russo ocupa 716 m² e apresenta uma composição rica em símbolos.

A fachada exibe um belo baixo-relevo em bronze da própria igreja. Nas laterais, murais retratam o “Batismo da Rússia” e passagens sagradas com Jesus, a Theotokos e São João.

O templo principal fica no segundo andar, acessado por uma entrada ornamentada. Lá dentro, destaca-se o ícone da Santíssima Trindade, voltado para o leste, conforme a tradição.

5. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador, com torres simétricas, janelas emolduradas em pedra e pintura azul-celeste.
Com sua fachada azul vibrante e história marcada pela fé e resistência negra, a Igreja do Rosário dos Pretos transforma o Pelourinho em um altar de ancestralidade e celebração (Foto: Paul R. Burley/Wikimedia Commons)

O Brasil também abriga algumas das igrejas pelo mundo com arquitetura única — não apenas pelas formas e materiais, mas sobretudo pelas histórias que guardam e pelas culturas que atravessam.

No alto da Ladeira do Pelourinho, em Salvador, encontra-se um templo que carrega no corpo a fé católica e na alma as raízes africanas: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Erguida lentamente a partir de 1704, por mãos negras, de escravizados e libertos, que doavam tempo e trabalho à irmandade, essa igreja é um dos mais potentes símbolos do sincretismo religioso e da resistência cultural afro-brasileira.

Dedicada à padroeira dos negros no Brasil Colônia, a construção levou quase um século para ser concluída, devido às limitações financeiras da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, formalizada em 1685.

Memorial do Cemitério dos Escravizados, nos fundos da Igreja do Rosário dos Pretos, em Salvador, com vitrine protegida exibindo imagens devocionais e painel azul e branco ao fundo.
Um espaço de memória e reverência: o Cemitério dos Escravizados preserva a história silenciada daqueles que, mesmo em cativeiro, deixaram sua fé e ancestralidade como legado eterno (Foto: Paul R. Burly/Wikimedia Commons)

A fachada só ganhou seu desenho definitivo, com torres e frontões ondulados, a partir de 1780. 

Por dentro, os azulejos portugueses do século XVIII, os altares neoclássicos e as imagens de santos negros como São Benedito e Santo Antônio de Categeró revelam a profundidade histórica e simbólica do lugar.

Nos fundos da igreja, repousa um antigo cemitério de escravizados. Já no altar, a missa ecoa tambores: uma herança viva do Candomblé.

Em meio ao casario colorido do Pelourinho, este templo é mais que um monumento: é um testemunho arquitetônico da ancestralidade que moldou o Brasil.

6. Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores

Fachada da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, em Porto Alegre, com escadaria monumental e torres simétricas em estilo eclético.
Elevando-se sobre a cidade com imponência e história, a Basílica das Dores mistura fé, arte e lenda, e parece tocar o céu com suas torres brancas e elegantes (Foto: Jorge Juno Goi Bengochea/Wikimedia Commons)

O Brasil também revela a sua genialidade arquitetônica de igrejas pelo mundo por meio de construções que, além de ricas em estilo e história, carregam camadas de fé, política, lendas e memória coletiva. 

Um exemplo singular é a Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, em Porto Alegre, a mais antiga igreja da capital gaúcha ainda de pé.

Localizada na Rua dos Andradas, em um ponto alto do Centro Histórico, ela domina a paisagem com sua escadaria monumental e torres imponentes. Mas por trás dessa beleza há também um enredo marcado por fé popular, disputas sociais e até uma suposta maldição.

Iniciada em 1807 pela Irmandade de Nossa Senhora das Dores, composta pela elite porto-alegrense da época, a construção do templo levou quase um século para ser concluída.

Uma das explicações para tanta demora está na famosa Lenda de Josino, escravizado acusado injustamente de roubo, que antes de ser enforcado teria lançado uma praga: “As torres da igreja nunca serão concluídas”. 

Anos depois, problemas misteriosos atrasaram repetidamente as obras. Dizem que só em 1901, com a instalação de um cruzeiro entre as torres por um prior negro, a “maldição” teria sido quebrada.

Interior da Basílica das Dores com forro em caixotões pintados por Germano Traub, varandas com grades ornamentadas e decoração em estilo barroco tardio com elementos neoclássicos.
Detalhes dourados, pinturas celestiais e varandas ornamentadas transformam o interior da Basílica das Dores em um espetáculo visual de fé e arte barroca tardia (Foto: Heylenny/Wikimedia Commons)

Arquitetonicamente, a basílica é uma fusão entre estilos. A fachada eclética, assinada por Júlio Weise, contrasta com o interior marcado pela talha dourada em estilo barroco tardio, altares neoclássicos e pinturas do artista Germano Traub.

Um conjunto de esculturas barrocas em tamanho natural, trazidas de Portugal em 1871, representa os passos da Paixão de Cristo — raro acervo no Brasil.

Em 2022, o templo recebeu do Papa Francisco o título de Basílica Menor, consagrando o seu valor espiritual, artístico e simbólico.

Vale a pena conhecer essas e outras igrejas pelo mundo com arquitetura única! Portanto, não deixe de colocar os templos religiosos em seus roteiros de viagens e passeios. Certamente aí, na sua cidade, também há monumentos incríveis para serem visitados.

Fique por aqui e leia agora o nosso artigo com 11 igrejas brasileiras com arquitetura inesquecível.

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