
Gustavo Penna: arquitetura contemporânea com expressão mineira
"Em Minas, escrever é cortar palavras. Projetar também. Quem faz arquitetura são as palavras, não o ferro e a estrutura." Essa frase, dita por Gustavo Penna, revela muito mais do que uma opinião: ela define uma filosofia. Em um país onde o concreto reina nas grandes cidades, poucos conseguem criar com tanta poesia.
Gustavo Penna, arquiteto mineiro de renome internacional, é um desses raros talentos. Em mais de cinco décadas de atuação, ele construiu não apenas edifícios, mas histórias, símbolos e pontes entre tradição e inovação.
Você conhece o impacto do seu trabalho na arquitetura brasileira? Descubra mais a seguir.

Quem é Gustavo Penna?
Nascido em Belo Horizonte em 1950, Gustavo Penna é um dos arquitetos mais respeitados do Brasil. Formado pela UFMG em 1973, fundou naquele mesmo ano o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados (GPA&A).
Com uma carreira que ultrapassa 50 anos, Penna se destaca por integrar forma, função e emoção em seus projetos. Foi também professor por três décadas, influenciando gerações de novos arquitetos.
Sua arquitetura é fortemente enraizada na cultura mineira, refletindo elementos da paisagem, da história e do modo de vida de Minas Gerais.
No entanto, sua influência ultrapassa fronteiras: suas obras estão presentes em diferentes partes do Brasil e já ganharam destaque em eventos internacionais.
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Conheça as obras e o legado de Gustavo Penna
Falar sobre Gustavo Penna é mergulhar em uma arquitetura que ultrapassa o concreto e o desenho técnico. Suas obras são traduções físicas de ideias, sentimentos e contextos sociais.
Mais do que edifícios, Gustavo Penna deixou uma marca no pensamento arquitetônico brasileiro. Seus projetos revelam uma crença firme na arquitetura como instrumento de identidade, inclusão e transformação social.
Além de atuar como arquiteto, Penna sempre se envolveu com educação, cultura e desenvolvimento.
É membro do Conselho Curador da Fundação Oscar Niemeyer e da Fundação Dom Cabral, e também é um dos fundadores da AEAULP — Academia de Escolas de Arquitetura e Urbanismo de Língua Portuguesa.
Seu legado vai muito além do concreto e do aço. Está presente na forma como entendemos e valorizamos a arquitetura como linguagem, como expressão cultural e como ferramenta de pertencimento.
Entre os trabalhos mais emblemáticos do arquiteto mineiro, destacam-se:
Escola Guignard (Belo Horizonte)

Posicionada junto à icônica Serra do Curral, essa obra é um marco da arquitetura brasileira contemporânea.
Sua forma curva acompanha a topografia da paisagem e traduz, de maneira poética, a fusão entre arte, natureza e educação. O projeto valoriza a criatividade ao mesmo tempo que respeita o território onde está inserido.
Museu de Congonhas (Congonhas, MG)

Localizado próximo ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos — Patrimônio Cultural da Humanidade —, o museu foi concebido para preservar e difundir a história do barroco mineiro.
Com linhas contemporâneas que não competem com o patrimônio histórico, a obra evidencia o equilíbrio entre o antigo e o novo, a tradição e a inovação.
Memorial da Imigração Japonesa (Belo Horizonte)

Construído no Parque Ecológico da Pampulha, o memorial celebra os laços culturais entre Brasil e Japão.
Seu design minimalista e simbólico remete à delicadeza oriental e cria um espaço de contemplação, respeito e homenagem à contribuição da comunidade japonesa à sociedade brasileira.
CarmoCoffees (Carmo de Minas)
Exemplo de arquitetura industrial com identidade e consciência ambiental, o projeto foi premiado internacionalmente por sua proposta arrojada.
O espaço valoriza o processo de produção de cafés especiais e se integra ao cenário montanhoso da região com respeito e sofisticação. É um ponto de encontro entre design, funcionalidade e sustentabilidade.
Biblioteca da Universidade Federal de Goiás (Goiânia)
Com uma volumetria marcante, essa biblioteca é mais do que um repositório de livros — é um centro de convivência e conhecimento. A estrutura convida à permanência, ao estudo e ao encontro, reforçando o papel social da arquitetura nos ambientes acadêmicos.
Memorial Brumadinho (Brumadinho)

Inaugurado em 2025, o Memorial Brumadinho une arquitetura e paisagismo para honrar a memória das 272 vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019.
O espaço, aberto ao público com visitação gratuita, traduz em formas e materiais a profundidade da dor da perda e a busca por sentido diante do maior desastre de trabalho já registrada no Brasil e o segundo maior desastre industrial do século.
Além disso, Gustavo Penna também é autor de projetos como o Monumento à Liberdade de Imprensa, em Brasília, Sant’Ana e Regina Mundi, em Congonhas, Tiradentes e Caeté respectivamente, o SesiLab, requalificação arquitetônica do edifício do Touring Club, projetado por Oscar Niemeyer, em Brasília, a revitalização da Academia Mineira de Letras, dentre outros.
Prêmios
Ao longo de sua notável trajetória, Gustavo Penna colecionou prêmios e reconhecimentos que reforçam sua relevância no universo da arquitetura, tanto no Brasil quanto no exterior.
Sua obra é constantemente celebrada por aliar estética, funcionalidade e identidade cultural de forma única.
Entre as premiações mais emblemáticas estão:
The International Architecture Award
Promovida pelo Chicago Athenaeum Museum of Architecture and Design e pelo European Centre for Architecture Art Design and Urban Studies, a premiação é um dos mais prestigiados reconhecimentos internacionais, que destaca projetos inovadores e impactantes de todo o mundo.
Architizer A+Awards
Conquistado pelo projeto CarmoCoffees, localizado em Carmo de Minas. A obra foi premiada na categoria de arquitetura industrial e chamou atenção pela proposta ousada e sustentável, que valoriza o território e a produção local.
Grande Prêmio da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires
Destacou a relevância da produção arquitetônica do arquiteto no contexto latino-americano.
Destaque na Bienal de Arquitetura de São Paulo
Penna teve diversos projetos selecionados e exibidos ao longo dos anos no evento, consolidando sua influência no debate sobre a arquitetura brasileira contemporânea.
Exposição na Bienal de Veneza
Um dos palcos mais importantes da arquitetura mundial, sua obra foi incluída como parte da representação brasileira, enfatizando a importância do seu trabalho no cenário global.
Além desses, o arquiteto também recebeu prêmios nacionais de instituições como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), e teve seus projetos selecionados em concursos públicos e privados, sempre com propostas que fogem do óbvio e valorizam o contexto histórico e social.
Esses reconhecimentos vão além da estética: eles reafirmam o papel de Gustavo Penna como um arquiteto que projeta com propósito. Seus prêmios refletem não só excelência técnica e criatividade, mas também uma profunda sensibilidade social e cultural.
São conquistas que confirmam seu compromisso com uma arquitetura que transforma, toca e permanece na memória coletiva.
Gustavo Penna é muito mais do que um arquiteto premiado. Ele é um contador de histórias que usa concreto, luz e paisagem como matéria-prima. Sua obra transforma espaços em experiências e revela o poder da arquitetura com alma.
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