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Designer de mobiliário: 25 nomes brasileiros de A a Z

As cadeiras Dinna, de Jader Almeida: estrutura em madeira maciça, assento estofado em tecido ou couro e encosto em palha de algodão ou rattan (Projeto: Ariane Rosa Arquitetura e Design)

A jornada criativa do designer de mobiliário no Brasil é marcada por uma busca de conexão com a identidade nacional

Se no início do século passado era comum seguir uma adaptação dos modelos europeus, a partir dos anos 1940 tudo mudou.

O movimento Modernista entrava na sua terceira e última fase (1945-1960), trazendo um forte desejo de ruptura com as influências externas.

O objetivo era um trabalho autoral com identidade genuinamente brasileira e que mesclasse funcionalidade com leveza estética.

O Modernismo deixou um legado de expressão e liberdade artística que se aproximava do popular, tornando-se anos depois uma referência no design contemporâneo.

Nomes como Sérgio Rodrigues, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi transcenderam as fronteiras para ganhar o mundo, assim como suas obras.

Neste artigo, você irá conhecer 25 nomes do design de mobiliário nacional, suas inspirações e peças mais notáveis. Continue a leitura.

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Sala de estar com mobiliário assinado por vários designers
Uma sala de estar que celebra a união entre o clássico e o contemporâneo no mobiliário brasileiro (Projeto: Clara Cruz)

Designer de mobiliário: nomes para conhecer

Ana Neute (1986, São Paulo, SP)

Formada em Arquitetura e Urbanismo, a designer se destaca pela fluidez em suas criações, bem como na relação entre luz, sombra e materialidade.

Seu estilo é minimalista e poético, sempre buscando a essência da forma e da funcionalidade.

A coleção de luminárias Nu é uma das suas obras mais conhecidas, bem como a cadeira Oca, de formas orgânicas e acolhedoras.

Arthur Casas (1961, São Paulo, SP)

Arthur é formado em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mas transita bem na integração com o design.

Suas obras são marcadas pela elegância e uma estética atemporal e sofisticada. Prioriza sempre materiais naturais e linhas limpas.

A poltrona Arraia se destaca pelos seus traços curvilíneos e a mesa de centro Jardim é a combinação perfeita entre madeira e vidro.

Sala de jantar com a integração entre arquitetura e mobiliário
Neste espaço, a arquitetura e o mobiliário criam um diálogo entre épocas: design orgânico e minimalista ao mesmo tempo (Projeto: Carla Felippi / Foto: Henrique Ogata)

Bruno Faucz (1986, Lages, SC)

Sua formação é em Design de Produto, e como designer de mobiliário ostenta uma preocupação com a indústria e a produção em larga escala.

Talvez por isso, sua principal característica é a criação de peças que sejam funcionais, confortáveis e acessíveis.

A poltrona Vaz é um desses exemplos, adicionando o quesito ergonomia, e ainda a cadeira Kora, que traz uma mistura entre metal e madeira.

Carlos Motta (1952, Rio de Janeiro, RJ)

Poltrona Braz, de Carlos Motta
Poltrona Braz, de Carlos Motta: estrutura em madeira peroba rosa reutilizada (Projeto: BST Arquitetura)

Ele é um dos grandes nomes do design sustentável no país, conhecido pelo uso de madeiras de demolição e de manejo florestal.

Os móveis criados pelo designer de mobiliário apresentam um toque rústico e orgânico, que celebram a beleza imperfeita da madeira.

Um dos ícones do design ecológico tem a assinatura dele, a cadeira Astúrias.

Cláudia Moreira Salles (1954, Rio de Janeiro, RJ)

A carioca é formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, e a marca registrada do seu trabalho está na união da tradição com a contemporaneidade.

Suas obras valorizam a matéria-prima, mas também a criação de um acabamento impecável.

Cacho é uma mesa lateral inspirada em elementos da natureza, e o banco Pássaros, uma amostra de delicadeza e simplicidade.

Irmãos Campana (Fernando Campana, São Paulo, SP, 1961-2022; Humberto Campana, 1953, São Paulo, SP)

Cadeira Corallo, assinada pelos irmãos Campanha
Cadeira Corallo, criada pelos irmãos Campana, feita com arame de alumínio dobrado à mão e pintado (Foto: Sailko/Wikimedia Commons)

Fernando era formado em Arquitetura; Humberto é formado em Direito. Em dupla, os Irmãos Campana se converteram em sinônimo de irreverência.

Os dois ficaram famosos por transformar materiais inusitados em peças artísticas, experimentais e cheias de humor.

Feita com 500m de corda, a poltrona Vermelha é a representação fiel desse estilo, assim como a cadeira Favela, fabricada com pedaços de madeira reciclada.

Daniela Ferro (1982, Curitiba, PR)

Ela é mais uma designer de mobiliário que direcionou seu trabalho para o exercício do conforto e da funcionalidade.

Daniela explora o uso de materiais diversos em busca de soluções esteticamente agradáveis, mas também práticas e elegantes.

A poltrona Sua é um desses exemplos, lembrada pelas suas formas curvilíneas.

Domingos Tótora (1952, Maria da Fé, MG)

Imagine transformar papelão reciclado em peças esculturais - este é o trabalho do designer de mobiliário mineiro Domingos Tótora.

O papelão vira massa maleável, que depois ganha design em formas orgânicas com uma inspiração nos elementos da natureza.

Cobogó é um banco sustentável com texturas que lembram a cerâmica, e ainda tem a poltrona Caatinga, que traz referências do sertão brasileiro.

Fernando Jaeger (1957, Rio de Janeiro, RJ)

As peças de Fernando são feitas para durar. Seja pela qualidade dos materiais ou pela atemporalidade no design.

Seu estilo é marcado pelo zelo à marcenaria tradicional e o respeito à funcionalidade, sem perder de vista a elegância.

A poltrona Concha já se tornou um clássico graças ao seu design acolhedor, além da linha de mesas Flamboyant.

Sala de estar com mobiliário assinado por grandes designers brasileiros
O design assinado é destaque no ambiente: peças de Jader Almeida, Sérgio Rodrigues e Zanini de Zanine (Projeto: Alessandra Gandolfi)

Fernando Mendes (1968, Rio de Janeiro, RJ)

Discípulo do mestre Zanine Caldas, ele tem como compromisso resgatar a tradição da marcenaria.

O estilo de Fernando é rústico e autoral, explorando as formas esculturais do próprio material orgânico.

Destaque para a poltrona Canoa, com design imponente, e o banco Pau-Ferro, que traz à tona a beleza natural da madeira.

Giorgio Giorgi (1960, São Paulo, SP)

Apuro técnico e o uso de materiais nobres compõem a identidade de Giorgi, que tem mais de 30 anos de carreira como designer de mobiliário. 

Ele trabalha o design industrial combinado ao trato artesanal, e o resultado é uma peça com alta qualidade e acabamento.

A poltrona Flamboyant impressiona pelo seu design orgânico e fluido, em contraponto com a mesa Cubo, de formas geométricas.

Gisele Breda (1981, São Paulo, SP)

Formada em Arquitetura e Urbanismo, Gisela busca se destacar pela interpretação sensível das formas e texturas.

Seu estilo é simples e minimalista, e se preocupa em criar móveis que funcionam bem entre os diferentes espaços.

Suas obras mais conhecidas são a poltrona Dalia e o banco Pixels, que faz uma releitura criativa da madeira.

Guilherme Wentz (1989, Caxias do Sul, RS)

Linha Planos, de Guilherme Wentz
Design minimalista e sofisticado do lavatório para banheiro, assinado por Guilherme Wentz para a Officina Portobello (Projeto: Mariana Maran / Foto: Isa Rolim)

Designer de mobiliário, um dos mais promissores da nova geração, Guilherme Wentz mescla o estilo minimalista com a poesia.

O metal e o vidro talvez são os seus materiais preferidos para criar peças leves e etéreas.

Vértice é o nome da linha de luminárias com design geométrico, e há ainda a linha Planos, em parceria com a Officina Portobello.

 

Guto Indio da Costa (1964, Rio de Janeiro, RJ)

Poltrona AVA, de Guto Índio da Costa
A poltrona AVA, de Guto Índio da Costa: com traços arrojados, surpreende pela leveza do encosto solto e pela estrutura em forma de tripé (Foto: Arquivo Guto Índio da Costa)

Guto vai de encontro ao conceito artesanal de alguns designers, e traz uma forte referência futurista e industrial.

Para ele, os móveis precisam ter formas arrojadas e por isso se concentra na busca de produtos e processos inovadores.

Tarsila é sua cadeira icônica, que se destaca pela geometria apurada, enquanto a poltrona Sela exibe formas orgânicas.

Guto Requena (1979, São Paulo, SP)

De um lado, a inquietude tecnológica, do outro, a busca incessante por um design poético, capaz de gerar emoção às pessoas.

O designer de mobiliário idealiza peças que ativam a interatividade sem descuidar da inovação, com sensores digitais. Uma experiência de sentidos.

Nó é a sua coleção de luminárias, inspirada nos movimentos do corpo humano, e a poltrona Heartbeat chega a reproduzir os batimentos de um coração.

Hugo França (1954, Rio de Janeiro, RJ)

Ele utiliza troncos, raízes e árvores mortas para criar peças de mobiliário que são verdadeiras esculturas.

Seu interesse pela sustentabilidade é notável ao fazer uso de materiais já disponíveis na natureza até resultar em peças únicas.

O banco Caminho das Águas é um manifesto sustentável da atualidade, esculpido em um tronco de pequiá.

Jader Almeida (1979, Chapecó, SC)

Poltrona May, assinada por Jader Almeida
A versão em vermelho da poltrona May, de Jader Almeida, é ponto de destaque na sala de estar (Projeto: Bianca Rieg / Foto: Fabio Jr Severo)

De Chapecó para o mundo, Jader Almeida é um dos nomes mais influentes do design contemporâneo.

Seus móveis têm rigor técnico, acabamento impecável e um design sofisticado que, com certeza, é capaz de atravessar o tempo.

A cadeira Mia se destaca pelo seu design leve e fluido, enquanto a poltrona Bank é referência em ergonomia e conforto. 

Outro destaque é a linha Sonatta, lavatório para banheiros e lavabos, em parceria com a Portobello, um exemplo de versatilidade que se expande para além do mobiliário.

Jorge Zalszupin (1920, Varsóvia, Polônia - 2020, São Paulo, SP)

Polonês de nascimento, mas radicado no Brasil desde 1949, tornou-se um ícone do modernismo brasileiro.

Seu estilo transita de forma natural entre a elegância e a funcionalidade, com o uso de materiais locais e linhas limpas.

A poltrona Dinamarquesa é um clássico do design nacional, fabricada em jacarandá com estofamento em couro ou tecido.

José Zanine Caldas (1919, Belmonte, BA - 2001, Rio de Janeiro, RJ)

Zanine foi autodidata em marcenaria e fazia uso da matéria-prima bruta para criar móveis esculturais e imponentes.

Conhecido como o “mestre da madeira”, seu estilo era rústico e autoral, valorizando formas orgânicas e primitivas.

A poltrona Z é uma das suas peças mais notáveis, além do banco Três Pés, esculpido em um único bloco de madeira maciça.

Lina Bo Bardi (1914, Roma, Itália - 1992, São Paulo, SP)

Cadeira Tripé, de Lina Bo Bardi
Cadeira Tripé, de Lina Bo Bardi: três pernas em cabreúva encerada ou tubo de ferro e forro solto de lona ou couro (Foto: Sailko / Wikimedia Commons)

A arquiteta italiana Lina Bo Bardi se mudou para o Brasil em 1946, tornando-se referência pela simplicidade e funcionalidade das suas peças.

Ela trouxe à tona o chamado design social e acessível, que valoriza os materiais e a cultura local.

A poltrona Bowl é uma de suas criações mais famosas por conta do formato semi-esférico, e também a Cadeira de Balanço, feita com madeira e palha.

Paulo Mendes da Rocha (1928, Vitória, ES - 2021, São Paulo, SP)

Seus traços mais marcantes são brutalidade, simplicidade e funcionalidade.

Paulo Mendes da Rocha também é conhecido por realizar uma integração perfeita do mobiliário com a arquitetura.

A poltrona Paulistano é um ícone do seu trabalho e do design modernista brasileiro. Outra criação marcante é a poltrona V, feita em madeira e couro.

Rodrigo Almeida (1972, São Paulo, SP)

Inspirado no folclore e na cultura brasileira, Rodrigo Almeida cria peças irreverentes, resultado de uma relação harmoniosa entre arte e design.

Formado em Design de Moda, como designer de mobiliário seu trabalho tem forte apelo visual e criativo.

As cadeiras Barraco e África são uma referência do seu estilo.

Ruy Ohtake (1938, São Paulo, SP - 2021, São Paulo, SP)

Dupla de mesas da coleção Ohtake, de Ruy Ohtake
As peças Sambinha e Frevo, da coleção Ohtake, em parceria com a Officina Portobello (Projeto: Portobello)

Considerado um dos arquitetos mais famosos do país, Ruy Ohtake ficou conhecido pelas suas criações com formas orgânicas e cores vibrantes. 

Nascido em São Paulo e formado pela FAU-USP, Ruy Ohtake faz uso de uma linguagem criativa que prioriza a emoção e a inovação. 

A poltrona Ruy Ohtake é uma de suas peças mais emblemáticas, além da linha Ohtake, parceria com a Portobello composta por mobiliário com traços orgânicos do modernismo brasileiro.

Sérgio Rodrigues (1929, Rio de Janeiro, RJ - 2014, Rio de Janeiro, RJ)

Poltrona Mole, assinada por Sérgio Rodrigues
Em primeiro plano, a poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues: madeira maciça (Projeto: Studio IT Arquitetura)

Ele é considerado o “pai da poltrona” e um dos maiores nomes do design nacional.

Formas orgânicas, valorização da madeira maciça e design acolhedor são suas principais características como designer de mobiliário.

A icônica poltrona Mole, de 1957, tem a assinatura de Sérgio, feita em madeira maciça, couro natural e almofadão estofado.

Zanini de Zanine (1978, Rio de Janeiro, RJ)

Formado em Design Industrial, ele é filho do grande mestre José Zanine Caldas, do qual herdou o gosto pela arte.

Zanini chegou a estagiar com Sérgio Rodrigues, quando produziu seu primeiro móvel. Sempre com estilo contemporâneo.

É de sua autoria a cadeira Moeda, que traz um design clean e minimalista.

Como você acompanhou, a história do design de mobiliário brasileiro é uma jornada de conexão com a nossa própria identidade.

Do rústico ao minimalista, do moderno ao contemporâneo, a criatividade se fez presente na forma de interpretar e reinventar nossos caminhos.

Agora, se você quer aprofundar seu conhecimento e explorar o universo de um dos grandes mestres que uniram arquitetura e design, confira também Paulo Mendes da Rocha: grande ícone da arquitetura brasileira.

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