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Como as pessoas vivem as cidades europeias na pandemia?

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06.11.2020
O mundo foi atingido pelo novo coronavírus e começa a se adaptar ao "novo normal". Entenda como a pandemia de Covid-19 afeta as cidades europeias.
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Embora o Brasil ainda não esteja pronto para o pós-pandemia, muitas cidades no país já adotaram um estilo de vida baseado no “novo normal”. Aqui, o coronavírus chegou no final de fevereiro e, infelizmente, ainda contamina em patamar altíssimo. Já as cidades europeias começaram a sofrer com o problema um pouco antes e, no momento, tentam conviver com uma realidade cheia de restrições.

A pandemia ainda parece longe de acabar, mas é preciso reaprender a viver com as limitações que o vírus impõe. O clima, a economia e a situação política do Velho Continente podem ser diferentes, mas também servir de exemplo (positivo ou negativo) para o Brasil. Vamos entender como as cidades europeias vivem o “novo normal” enquanto esperam a chegada da vacina.

Cidades europeias: a vida durante a pandemia

É comum que haja “ondas” de contaminação de viroses. Por isso, muitas cidades europeias já enfrentam uma espécie de “segunda onda” de Covid-19. Veja quais soluções algumas apresentam para tentar seguir a rotina em meio à pandemia e como as pessoas lidam com isso.

Espanha

Aeroporto Adolfo Suarez, em Madri, no dia 24 de março, com a maior parte das fronteiras para a cidade fechadas
Aeroporto Adolfo Suarez, em Madri, no dia 24 de março, com a maior parte das fronteiras para a cidade fechadas (Foto: Nemo)

Com a economia no maior declínio já registrado, o governo espanhol ensaiou uma volta à normalidade em maio, com a abertura de pequenos comércios ainda com restrições e distanciamento.

Empresas com menos de 400 m² poderiam reabrir as suas portas por meio de um sistema de agendamento e sob rigorosas medidas de higiene. Também foram permitidas reuniões de até 10 pessoas mantendo a distância social.

Para preservar os trabalhadores, o governo distribuiu milhões de máscaras na entrada dos metrôs, já que o seu uso era obrigatório em transportes públicos.

Em setembro, a segunda onda chegou antes do previsto em Madri. Trabalhadores construíram arduamente um novo “hospital pandêmico” — apelido dado ao futuro Hospital Isabel Zendal —, com abertura prevista para novembro. No dia 2 de outubro, a cidade se tornou a primeira capital europeia a voltar com o lockdown.

Os moradores estão proibidos de sair da região, exceto para deslocamentos essenciais. Restaurantes e bares reduzirão as suas capacidades pela metade e fecharão mais cedo. Apesar de não ser tão rígido quanto o lockdown anterior, o governo proibiu viagens que não sejam para estudo, trabalho, cuidados de saúde e compras.

Em locais de culto, apenas um terço da capacidade deve ser utilizada, com distância mínima 1,5 m entre os fiéis. Já nas funerárias, o limite máximo é de 10 pessoas em cerimônias fechadas e 15 ao ar livre.

Home office

Entre as cidades europeias, as espanholas se destacaram na adesão ao home office.

Em março, 7 de cada 10 empresas enviaram todos ou parte de seus trabalhadores para casa, fazendo com que mais de 3 milhões de pessoas trabalhassem remotamente durante o confinamento — quatro vezes mais do que antes.

Essa tendência do teletrabalho promete permanecer após a pandemia.

Aluguéis

No geral, as cidades europeias sentiram o baque no turismo e nos aluguéis. Porém, na Espanha, ele foi ainda mais forte: o valor do aluguel caiu nas seis maiores cidades do país.

Portugal

As praias de Portugal foram abertas ao público, mas é necessário respeitar regras de lotação e distanciamento
As praias de Portugal foram abertas ao público, mas é necessário respeitar regras de lotação e distanciamento (Foto: Vitor Oliveira)

No final de abril, foi a primeira vez em mais de quatro décadas que Portugal não celebrou pelas ruas a Revolução dos Cravos. Mesmo com a alta adesão ao isolamento, a capital portuguesa era o centro epidêmico no país.

Em junho, os casos continuaram a crescer — tanto que a tradicional festa de Santo Antônio, padroeiro de Lisboa, também não foi permitida na rua. O governo mobilizou mil policiais para que a população respeitasse as restrições.

O esforço valeu a pena. Com o passar do tempo, o governo se sentiu mais seguro para liberar alguns serviços e habituar a população ao “novo normal”.

A partir das 10h, pequenos comércios, salões de beleza e concessionárias puderam finalmente abrir as portas, mas obedecendo às regras de distanciamento.

Além de comércios, os portugueses foram obrigados a usar máscaras ou viseiras em transportes e prédios públicos. Salões só poderiam atender com agendamento.

Graças a essas medidas, Lisboa se tornou exemplo para outras cidades europeias.

Praias

O calor de julho fez com que várias cidades europeias reabrissem as suas praias. E não seria diferente em Portugal.

Para manter o controle, o município de Oeiras instalou “semáforos” nas entradas das praias. Cada aparelho acende o sinal verde quando a ocupação é baixa, amarelo quando elevada e vermelho na lotação.

Ligados a um aplicativo chamado Info Praia, esses semáforos também informam sobre a lotação para que o usuário possa consultar antes de sair de casa.

França

Conferência Ministerial da Unesco em Paris, no início de março
Conferência Ministerial da Unesco em Paris, no início de março (Foto: Christelle Alix)

Uma das cidades europeias mais visitadas por turistas, Paris viu esse setor ruir por conta do coronavírus. Então, veio uma solução inusitada: investir no turismo para os moradores. Parece sem sentido?

Como a capital é um centro histórico e cultural muito forte, ela pôde voltar os seus esforços para vender a experiência parisiense em cafés, restaurantes, passeios de barco e até museus — uma redescoberta de Paris pelo parisiense.

A população aderiu à ideia. Em julho, todas as reservas do Jules Verne, restaurante da Torre Eiffel, estavam completas. Durante o verão, a entrada para os Bateaux Mouches, barcos que cruzam o Rio Sena, eram gratuitas para menores de 12 anos.

Para oferecer segurança e compensar os dois meses de fechamento, cafés e restaurantes foram autorizados a ocupar calçadas, estacionamentos e até algumas ruas pequenas.

Outra medida interessante foi oferecer cardápios mais em conta. O Le Bistrot d’à côté Flaubert criou um menu a € 24 para clientes e trabalhadores locais, que gerou entre 70% e 80% dos lucros de um mês normal de julho.

Conforto no novo lockdown

Em outubro, bares foram fechados, ginásios esportivos e piscinas públicas liberados apenas para menores de idade e estádios limitados a mil pessoas. Essas medidas foram, em um primeiro momento, limitadas a 15 dias, mas logo depois desse período, o presidente Emmanuel Macron decretou um novo lockdown a partir do dia 30.

A tendência foi a mesma de março: estocar produtos. Mas, nessa segunda onda, o parisiense preferiu tudo o que possa trazer conforto e distração durante o isolamento. Artigos esportivos, velas e até tintas para reformar móveis foram alguns dos itens que sumiram das prateleiras.

Itália

Morador aproveita o sol durante lockdown de março, em Milão (Foto: MLWatts)
Morador aproveita o sol durante lockdown de março, em Milão (Foto: MLWatts)

Ao contrário das cidades europeias anteriores, Milão foi o exato exemplo do que não fazer durante uma pandemia.

Logo no início, o prefeito Giuseppe Sala incentivou que moradores e turistas continuassem circulando normalmente ao compartilhar um vídeo chamado #MilãoNãoPara, quando o país tinha 14 mortos pela Covid-19.

Essa medida, claro, transformou a capital em um centro pandêmico. Exato um mês após a divulgação, o país registrou 919 mortes em 24 horas, somando 9.134 — 5.402 delas (59%) na Lombardia, região norte do país, da qual Milão é a capital.

A mudança de postura do prefeito foi radical. Em 8 de maio, ele se irritou com a movimentação de pessoas em Navigli, área boêmia da cidade, e ameaçou fechá-la, caso não houvesse uma mudança de comportamento. Os cidadãos estavam sentados confraternizando nos canais e bares do local, muitas vezes sem máscara. A cidade havia liberado a visitação de parentes e relações afetivas no dia 4, mas reuniões de amigos e aglomerações continuavam proibidas.

Tecnologia

Apesar do mau começo, a Itália resolveu virar o jogo. Pesquisadores do país utilizaram um sistema de rastreamento desenvolvido em uma parceria entre Google e Apple e desenvolveram o Immuni.

O aplicativo, disponível para Android e iOS, usa um sistema de notificação à exposição para determinar se o usuário de um smartphone passou pelo mesmo lugar que alguém registrado como infectado.

Sustentabilidade

Torino lançou um projeto-piloto para a utilização de carros híbridos com geofencing. Esse sistema, que por meio de GPS ou RFID aciona uma ação ao entrar em um limite geográfico, vai permitir mudar o motor para elétrico assim que o veículo chegar no centro da cidade.

Cinemas

Cinema ao ar livre na Villa Bardini, em Florença
Cinema ao ar livre na Villa Bardini, em Florença (Foto: Luiza Vegini/Archtrends)

Além da contenção, as cidades europeias tentam conviver com o “novo normal” enquanto a vacina ainda não é confirmada.

Uma dessas formas é o cinema ao ar livre — um conceito antigo que perdeu público com o passar das décadas.

Na Villa Bardini, em Florença, as cadeiras do cinema ao ar livre eram posicionadas em duas, com uma distância segura entre um par e outro.

A iniciativa faz parte do Moviement Village, um projeto voltado para a reabertura dos cinemas com segurança e rapidez.

Neste artigo, entendemos como foi o andamento da pandemia em algumas cidades europeias e como elas tentam conter uma segunda onda do coronavírus.

Como visto, o mundo precisou se adaptar às mudanças que a doença exigiu. E uma delas, independentemente de contexto, é crucial para evitar o surgimento de novas patologias pandêmicas.

Entenda por que a sustentabilidade deve ser o foco principal no mundo pós-pandemia!

Foto de destaque: A pandemia do novo coronavírus esvaziou as ruas das cidades europeias (Foto: Lteixeira)

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