13.06.2022
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Painel de abertura da Bienal Arquitetura 2022
Mostra cultural acontece em dois endereços na Avenida Paulista (Foto: Alisson Sbrana)
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Bienal de Arquitetura de São Paulo reflete transformações

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Aberta ao público até 17 de julho, a mostra traz práticas sociais, arranjos espaciais e possibilidades de sobreviver e transformar a realidade em áreas urbanas e rurais
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A 13ª edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo convida para uma reflexão a partir de um contexto que exigiu esforços intensos de organização das dinâmicas urbanas, sociais e profissionais pela sobrevivência: as transformações geradas pela pandemia da Covid-19.

A mostra de 2022, intitulada Travessias, foi construída por um coletivo colaborativo, que reuniu integrantes brasileiros e de outros países. O time conta com a curadoria de Sabrina Fontenele. A Bienal de Arquitetura é realizada pelo IAB-SP - Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de São Paulo, desde 1973 e é considerada um dos principais eventos de arquitetura do Brasil.

Painéis da Bienal de Arquitetura
Instalações são um convite à reflexão (Foto: Alisson Sbrana)

Valorização da cultura que vivia à margem

Travessias mostra que a pandemia reforçou desigualdades socioespaciais que já se estabeleciam, não só no país, como no mundo, compreendendo que essas estruturas sofrem fragmentação, tanto físicas quanto simbólicas, enraizadas nos violentos processos de colonização e apagamentos históricos. Como consequência, provocam inúmeras manifestações de opressão – como o racismo, o sexismo, o capacitismo e a colonialidade – no Brasil e em diversos territórios pelo mundo.

A equipe curatorial partiu do conceito do trabalho da historiadora Maria Beatriz Nascimento, sergipana radicada no Rio de Janeiro. Através de sua literatura, ela investigou o que do passado colonial e das diásporas permaneceu e o que se alterou nestes deslocamentos das populações pelo mundo.

“Travessias também podem ser entendidas como percurso: as migrações forçadas dos povos africanos sequestrados de seus países de origem, as fugas para os quilombos ou os deslocamentos do campo para a cidade. Travessia é, portanto, um movimento que implica corpos e territórios e, se realizada coletivamente, o compartilhamento de experiências, de memórias e de identidade. Os territórios são marcados por desigualdades sociais, temporais e geográficas e, no caso brasileiro, foram conformados por disputas que envolvem o desejo de permanência e de movimento”, completa a curadoria.

Sesc Av Paulista recebe a mostra
Até dia 17 de julho com entrada gratuita (Foto: Alisson Sbrana)

Instalações e trabalhos da 13ª Bienal de Arquitetura 

A 13ª Bienal de Arquitetura reúne 33 trabalhos e instalações artísticas que ficam expostos no Sesc Avenida Paulista e no Centro Cultural São Paulo. Não espere apenas por projetos de arquitetura, mas diversas expressões artísticas desenvolvidas por profissionais criativos de várias áreas - muitos deles, fora do circuito tradicional.

Além das exposições será possível participar de conferências, mesas temáticas e performances que acontecem no Sesc, Itaú Cultural e Instituto Moreira Salles, todos na Avenida Paulista.

A cerimônia de abertura aconteceu em 27 de maio com conferência de Joice Berth,  Arquiteta e urbanista pela Universidade Nove de Julho e pós-graduada em Direito Urbanístico pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Ela é autora do livro O que é Empoderamento? (2018), da coleção Feminismos Plurais, e pesquisa o direito à cidade sob a perspectiva de raça e gênero.

Já a abertura no Centro Cultural São Paulo, aconteceu em 4 de junho, com performance de Uýra, também convidada para a exposição.

Confira quem faz parte da programação na 13ª Bienal de Arquitetura

A equipe curatorial priorizou trabalhos que trazem à tona narrativas de povos e grupos que são e foram historicamente violentados no país e no mundo. Os dez convidados que farão instalações artísticas são: 

Arquitetura na Periferia (Minas Gerais - Brasil)

mulheres construindo casas
Mulheres que modificam suas realidades (Foto: Pedro Thiago Silva)

Projeto social que visa a melhoria da moradia para mulheres que moram em periferias, por meio de um processo em que elas são apresentadas às práticas e técnicas de projeto e planejamento de obras e recebem um microfinanciamento para que conduzam com autonomia e sem desperdícios as reformas de suas casas. Arquitetura na Periferia tem a missão de produzir e ampliar a informação e o conhecimento coletivamente, para fortalecer vínculos comunitários por meio do protagonismo da mulher em toda a sua diversidade.

Grupo Banga (Angola)

obra angolana de tons amarelos um homem segura uma figura
Expressão angolana de arte e pertencimento (Foto: Grupo Banga)

Banga refere-se a um grupo de cinco arquitetos angolanos que visam promover a cultura e arquitetura angolana através de projetos e eventos artístico-culturais. O grupo Banga procura, com projetos autorais, refletir sobre o estado da arquitetura em Angola, bem como pensar a concepção e morfologia das comunidades, sempre atentos aos sinais da vida cotidiana da sociedade. Na base de trabalho deste coletivo é claro o uso da técnica de colagem, fotomontagens, ilustrações, entre outros recursos gráficos.

Christophe Hutin (Paris, França)

Retrato do Arquiteto francês
Arquitetura sustentável em Paris e no mundo (Foto: Philippe Ruault)

Christophe Hutin é arquiteto e professor-pesquisador na Ecole Nationale Supérieure d’Architecture de Bordeaux. Especializado em arquitetura sustentável baseada na economia da construção, realizou diversos projetos na área de habitação, mas também de equipamentos públicos culturais. Christophe Hutin foi nomeado curador do pavilhão francês na Bienal de Arquitetura de Veneza 2021 em torno de seu projeto Communities at work. Ele também foi um colaborador da Bienal de Arquitetura de Chicago 2021.

Coletivo Coletores (São Paulo, Brasil)

Retrato dos dois artistas paulistas
Duo trabalha diferentes linguagens para criar suas obras (Foto: Toni Baptiste)

Coletivo de arte/intervenção urbana, formado em 2008, na periferia da Zona Leste da cidade de São Paulo pelos artistas e pesquisadores Toni Baptiste e Flávio Camargo, que têm a cidade como suporte para as suas ações. O coletivo propõe a discussão de temas urgentes como o direito à cidade e o combate ao racismo e à exclusão. O duo trabalha com diferentes linguagens, como o grafite, a fotografia, a videoprojeção, instalação e game art. Um processo importante para o coletivo é ressignificar os espaços e trabalhar com a memória.

Dele Adeyamo (Nigéria/Reino Unido)

Retrato do diretor criativo
Diretor criativo e teórico urbano expõe em todo o mundo (Foto: Arquivo pessoal)

Dele Adeyemo é um profissional transdisciplinar espacial, diretor criativo e teórico urbano. Sua prática criativa e pesquisa interrogam os condutores subjacentes à produção do espaço, localizando-os na lógica racionalizante dos processos logísticos que orquestram os padrões de vida planetários. Os projetos de Adeyemo foram apresentados internacionalmente, inclusive na Bienal de Arquitetura de Veneza (2012) e na World Design Capital (Helsinque, 2012). Em 2020, seu trabalho The Cosmogony of (Racial) Capitalism foi exibido na 5ª Bienal de Design de Istambul.

Francis Kéré (Gando - Burkina Faso)

retrato arquiteto Kéré
Prêmios marcam a história de Kéré, que realiza para sua comunidade (Foto: Urban Zintel)

A pesquisa de Francis Kéré, Prêmio Pritzker 2022, envolve a valorização de métodos construtivos e de artesanatos originários, inclusive em forma de mutirões. Após anos estudando no exterior, Kéré retornou à sua comunidade natal com o intuito de construir espaços com materiais e técnicas locais, resgatando sabedorias ancestrais. Ainda como estudante em Berlim, criou uma associação que levantou fundos para a construção da primeira escola primária para a aldeia de Gando. Esse projeto fez Francis Kéré receber o prêmio internacional Aga Khan, em 2004 – honra destinada a reconhecer obras islâmicas, sobretudo com conotação social.

Jaime Lauriano (São Paulo - BR)

Retrato Jaime Lauriano
Sua obra lança luz para problemáticas relações de poder (Foto: João Sal)

A produção do artista visual busca trazer à superfície traumas históricos relegados ao passado, aos arquivos confinados, em uma proposta de revisão e reelaboração coletiva da História. A obra de Lauriano evidencia como as violentas relações de poder e controle do Estado e do sujeito moldam o processo de subjetivação da sociedade. O artista realizou inúmeras exposições individuais e sua obra está presente em importantes exposições no Brasil e no exterior.

Mona Rikumbi (São Paulo - Brasil)

Mulher sorridente em cadeira de rodas com roupas típicas de sua cultura
Mulher negra, cadeirante e atuante (Foto: Kika de Castro)

Enfermeira, atriz, bailarina, performer e ativista das causas raciais e das pessoas com deficiência. Foi a primeira mulher negra cadeirante a dançar no Theatro Municipal de São Paulo e participou da construção do movimento negro no país. Tem na religiosidade de matriz africana uma forma de entender o mundo e viver nele. Militante das causas da mulher negra, mãe e cadeirante, Mona já foi tema de documentário. A moradora da periferia de São Paulo é frequentemente convidada para participar de palestras e workshops em todo o país.

Mouraria 53 (Bahia - Brasil) 

ambiente interno de um casarão reformado
Espaço baiano, que é de todos, foi ressignificado pelo coletivo criativo (Foto: Manuel Sá)

Mouraria 53 é um coletivo interdisciplinar formado pelo processo de reforma e ocupação de uma ruína-casarão no centro antigo de Salvador/ BA. Mutirões, pedagogia, reuso de materiais, relações entre construção e habitação, e processos de arquitetura são temas que, a partir da experiência da casa, guiam outras pesquisas. Funcionando como uma rede de amigos e projetos, o grupo se une em trabalhos a partir da memória da cidade e da investigação de suas mudanças.

Uýra (Amazonas - Brasil)

Retrato da ativista Uýra em seu personagem
Performance chama atenção para educação e conscientização (Foto: Selma Maia)

Drag queen, artista visual multimídia, performer, bióloga e arte-educadora amazonense, Uýra busca levar conscientização não apenas ambiental sobre a vida, mas todo seu caráter social e humano de resistência, da travesti, preta e periférica. Uýra, além de participar de exposições importantes, como a 34ª Bienal Internacional de São Paulo, viaja com frequência para pequenas comunidades fluviais para educar sobre conservação ambiental por meio da arte. Graduada em Biologia, desenvolveu pesquisas científicas sobre a conservação de anfíbios e répteis amazônicos.

Serviço

Confira todas as instalações e participações nos endereços onde acontece a 13ª Bienal de Arquitetura de São Paulo. A entrada é gratuita.

SESC Av. Paulista

Até 17 de julho 

Horário: terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30

Local: Avenida Paulista, 119, 5º andar, Bela Vista

Centro Cultural São Paulo

Até 17 de julho 

Horário: segunda a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30

Local : Rua Vergueiro, 1000, Paraíso

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