A Milan Design Week 2025 (Semana de Design de Milão) mais uma vez consolidou o seu papel como o principal palco internacional para o lançamento de ideias, estéticas e tecnologias que influenciam os caminhos do design contemporâneo.
Referência para profissionais de arquitetura, interiores e design, o evento não apenas antecipa tendências, mas também dita movimentos criativos que impactam diretamente projetos residenciais, comerciais e urbanos ao redor do mundo.
A Portobello marcou presença com um olhar atento às transformações mais significativas do setor. A marca identificou três grandes direções criativas que se destacaram durante a semana: Embrace, Timelapse e Over Real.
Esses conceitos foram descritos e ilustrados no Trend Report da Milan Design Week 2025, construído em colaboração com arquitetos e designers de interiores da Comunidade Portobello+Arquitetura. Confira na sequência.
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Como nasce o Trend Report da Portobello?

Durante sete intensos dias — de 7 a 13 de abril —, a Milan Design Week 2025 transformou Milão (Itália) em um verdadeiro laboratório criativo a céu aberto. Somando o Salone del Mobile ao Fuorisalone, o evento reuniu mais de 3 mil expositores de 183 nacionalidades e atraiu mais de 670 mil visitantes.
A cidade inteira se converteu em palco para experiências imersivas, encontros inspiradores e instalações provocativas que convidavam a repensar o mundo em que vivemos.
Foi nesse cenário vibrante que nasceu o Trend Report da Portobello. Mais do que identificar tendências, o relatório é fruto de um processo cuidadoso de observação, escuta e interpretação coletiva, alinhado ao Ciclo de Inovação da marca.
A equipe da Portobello, junto a profissionais arquitetos e designers de interiores selecionados pela Comunidade Portobello+Arquitetura, percorreu os pavilhões da feira e explorou os pátios, vitrines, museus e galerias espalhados por Milão, registrando não apenas formas e cores, mas também atmosferas, emoções e modos de habitar.
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Quais são as tendências da Milan Design Week 2025?

Durante a Milan Design Week 2025, a Portobello notou que as tendências refletem mais o presente que o futuro — traduzem sentimentos, comportamentos e transformações da sociedade atual.
Em um mundo marcado por incertezas e fragilidade, o design se torna uma ferramenta de compreensão e conexão com o essencial.
A partir dessa leitura, surgem três grandes movimentos que expressam o espírito do tempo: Embrace, Timelapse e Over Real.
Eles não trazem respostas definitivas, mas apontam caminhos sensíveis para lidar com o presente e imaginar futuros mais humanos.
Embrace: presença como abrigo

Em um mundo marcado pela pressa, Embrace propõe um movimento contrário — o de parar.
Em meio ao excesso de estímulos, a tendência convida a encontrar refúgio no presente, em que o olhar repousa e o toque ganha sentido. É sobre valorizar o agora: a luz que entra devagar pela janela, o silêncio que acolhe sem invadir e os objetos que sustentam sem chamar atenção.
Contudo, Embrace não é sobre ter menos, mas sobre viver com intenção. É nesse tempo mais calmo que as coisas criam raízes e se tornam duradouras. O design se transforma em abrigo sensorial — feito de sutilezas, pausas e gestos que reconectam com o essencial.
Durante a Milan Design Week 2025, essa tendência se revelou em diferentes instalações que despertavam a sensibilidade e o acolhimento. Entenda como elas se traduzem na sequência.
Como Embrace se aplica

- Luz que desacelera: um espaço de luz e vidro, Soaked in Light, da Lasvit, tinha a proposta de recriar o movimento da água sem usar nenhuma gota.
- Sentir a pausa: uma estrutura redonda e cheia de livros tinha iluminação que refletia nos espelhos, nas paredes e no piso A Library of Light, de Es Devlin, contava com diferentes moods de acordo com o horário do dia, mas sem perder a essência de olhar sem pressa.
- Antes da forma vem o toque: imagine sentir o abrigo com as mãos? Nos estofados, tramas densas, superfícies generosas e tonalidades que acalmam apareceram em diversas instalações.
- Conforto conhecido: tons dessaturados e confortáveis, mas sem serem apagados, também estiveram entre as tendências da Milan Design Week 2025.
- Silêncio como matéria: na instalação Nobody Owns the Land, Byoung Soo Cho criou um espaço aberto, com piso vermelho. A ideia era tirar os sapatos e sentir a troca, a conexão.
- Quando o lado de fora chama: ambientes in and out também foram vistos nas instalações. Tudo isso com sofás aconchegantes para passar tempo, sempre com leveza e cor, unindo o simples e o natural à vida que acontece devagar.
- Uma pausa essencial: aliás, a simplicidade foi destaque. Em uma casa pequena da Muji, madeira clara, tecido cru e água que vem do céu foram vistos. Sem luxo, mas com tudo o que realmente importa.
- Estética que permanece: atemporais, espaços com paletas neutras e formas conhecidas tomaram conta da Milan Design Week 2025, que teve menos lançamentos.
- Design ao alcance das mãos: peças duráveis e bonitas foram vistas em marcas como Antonio Lupi.
- Design que atravessa gerações: ainda sobre a atemporalidade, marcas trouxeram materiais e designs consagrados. Foi o caso da Gucci, da Dior e da Cassina.
Timelapse: o tempo como linguagem do design

Tudo está em constante transformação. Isso vale para matérias-primas, formas e detalhes quase imperceptíveis. O que antes era liso agora tem textura. O novo, com o tempo, se desgasta. E é nesse desgaste que surgem as histórias. Marcas de uso, de toque, de vida.
Nesse contexto, Timelapse é a tendência que acolhe a passagem do tempo. Em vez de esconder imperfeições, ela as valoriza. O design deixa de buscar o eterno novo e passa a aceitar o que se transforma. Superfícies ganham camadas de memória, materiais revelam outras funções e cada objeto amadurece com quem o usa.
Essa estética que abraça o impermanente foi vista em diferentes instalações da Milan Design Week 2025. Timelapse nos lembra que viver é acumular camadas: de experiências, de afetos, de tempo. E que o belo pode carregar a memória do que já foi.
Como Timelapse se aplica

- O toque do tempo: Frozen, de Tokujin Yoshioka, foi uma instalação que traduziu as transformações da natureza em design por meio de esculturas que lembram formações de gelo suspensas.
- Cerâmica que ecoa o ontem: nas peças de Rina Menardi, a desaceleração pôde ser vista em formas orgânicas, texturas que respiram e cores que remetem ao soprar do vento.
- Camadas de sentido: entre a arte e a função está a beleza da passagem do tempo e as marcas que ela deixa. Conceito que pôde ser visto no Atelier Vierkant e em Palinsesto, de Paola Lenti.
- O tempo na superfície das coisas: a celebração da passagem do tempo foi vista na Nilufar, que trouxe superfícies oxidadas, materiais naturais e texturas em peças dos anos 70 que dividiram espaço com criações recentes.
- Releituras com alma contemporânea: a atmosfera nostálgica também tomou conta da Milan Design Week com obras de Paola Lenti, Edra e Acerbis que fizeram uma releitura de décadas passadas.
- (Re)encontro: dialogando com o passado, a exposição da YSL propôs um design desacelerado para valorizar o toque artesanal.
- Matéria como início: o que é feito sem pressa permanece. Seja na tapeçaria de Juliana Pippi ou nos entalhes da Zanat, o artesanal ganhou protagonismo.
- O código (não) material: lava bruta se tornou escultura viva na instalação Under the Volcano, da Ranieri, mostrando que o tempo molda, a matéria responde e o design escuta.
- Essência, técnica e intenção: produtos silenciosos e poderosos ganharam um toque humano que não apaga a sua origem. É o caso de matérias-primas como barro e pedra.
- Resíduos como expressão: a transformação dos materiais mostra como o design é uma linguagem viva. Esse processo como manifesto apareceu em criações como as da LabMòlli e da Gandia Blasco.
- Ciclos contínuos: a ATMA INC reaproveitou sobras para criar a base de novas peças, mostrando que nada se perde, tudo se redesenha.
Over Real: entre o real e o imaginado

Over Real é a tendência que dissolve as fronteiras entre o físico e o digital, entre o que é tangível e o que apenas se sente. É o nascimento de mundos híbridos, onde o excesso convive com a dúvida e a fantasia encontra espaço para florescer.
Aqui, o design deixa de ser somente forma e função. Ele passa a brincar com os sentidos, a provocar o olhar e a desafiar o tato. O que parece não ser real, de repente, se torna palpável. Luzes, texturas, sons e imagens se cruzam para criar experiências sensoriais ampliadas, que encantam e intrigam.
Quando o mundo lá fora é incerto, o design sonha. E nos convida a imaginar futuros mais livres, poéticos e, ainda assim, possíveis.
Como Over Real se aplica

- O que é real? A instalação de Lachlan Turczan com o Google criou experiências com luz e som que podiam ser sentidas, mesmo sem haver toque.
- Percepção do espaço: a movimentação dos planos sugere novas formas de ver e habitar. Na instalação Willful Wonder, do Studio INI com a ASUS, a arquitetura se movia com o corpo, como se a matéria tivesse consciência.
- Do plano ao objeto: para projetar ideias, a Hermès criou uma caixa branca que se rompe, transformando o conceito em forma.
- Universo fantástico: imaginação e materialidade se encontraram na Milan Design Week 2025 para contar histórias por meio de objetos.
- Limites do irreal: a cc-tapis, com Patricia Urquiola, Antonio Aricò, In Yeonghye e Dorn Bratcht, propôs formas que escapam da lógica e texturas que parecem de outro mundo.
- Excesso como linguagem: cores vibrantes, formas que se afirmam e padrões que se sobrepõem sem medo foram vistos na Casa Ornella.
- Sinteticamente natural: texturas que parecem reais para embaralhar os sentidos. Assim foi na Alpi, com materiais que são familiares, mas não existem na natureza.
- Cotidiano em cena: móveis da Cassina contracenaram com corpos, sons e imagens em uma releitura do modernismo que trouxe mais cuidado e menos rigidez.
Quer se aprofundar nessas tendências? Baixe gratuitamente o Trend Report da Milan Design Week 2025!