
Faye Toogood celebra o que é ser mulher em sua profissão durante a Maison&Objet de 2025
Uma exaltação do que é ser mulher no design. Assim pode ser definida a instalação lúdica “Womanifesto: ceci n’est pas une chaise!”, da britânica Faye Toogood, eleita Designer de 2025 pela Maison&Objet. A mostra parisiense abriu as portas na última quinta-feira (16/01) com mais de duas mil marcas apresentando as tendências do ano.
Com projeto expográfico conceitual, Faye se inspira também em “Sur/Reality”, tema da edição da Maison&Objet, para destrinchar o seu processo criativo e apresentar peças do seu acervo nas artes, moda e design.

Partida de uma formação em História da Arte, a carreira de Faye começou na revista World of Interiors, em Londres, no fim dos anos 1990. Em 2008, abriu marca própria e fez o debut no London Festival, em 2010, com a coleção Assemblage 1, de objetos e mobiliário.

O seu maior sucesso surgiu em 2014. Trata-se da poltrona Roly-Poly, peça de assento arredondado, como uma concha, e quatro pés cilíndricos. Versátil, disponível em várias cores, a cadeira caiu nas graças dos descolados e redes sociais. Ali, Faye emplacou um best-seller e alcançou fama mundial.
Suas obras foram adquiridas para coleções permanentes de instituições como os museus de arte da Filadélfia e de Dallas, nos Estados Unidos, além do russo Fabergé, em São Petersburgo. Colaborou para marcas como cc-tapis, Maison Matisse, Tacchini e Poltrona Frau. Nesta semana, ela abriu a exposição “Assemblage 7: Lost and Found”, na Friedman Benda - galeria que a representa -, em Nova York.

Na exibição Womanifesto, exemplares da Roly-Poly descansam ao lado de outros móveis e roupas assinados por Faye, em ambientes decorados batizados como “Desenho”, “Material”, “Escultura” e “Paisagem”. Esses setores desenrolam uma reflexão sobre etapas da criação e como o seu escritório baseado em Londres funciona hoje.

O espaço “Escultura” foi todo revestido em preto, mesma cor que banha peças de arquivo e objetos esculturais. “Material” celebra a biblioteca do estúdio Toogood com uma série de cabeças esculpidas e itens representando o amor de Faye por materiais inesperados e não convencionais.

O setor “Desenho” parece a representação de um deserto e conta com móveis cobertos de traços. Em “Paisagem”, sofá, poltronas e mesa de centro são posicionados numa floresta de girassois feita de papelão.

Apesar de vermos na mostra frutos do seu trabalho, o sucesso de Faye não se limita ao desenvolvimento de produtos. Como uma das designers mais relevantes atualmente, ela também é um nome na defesa da representação feminina no cenário criativo internacional.
“Estou chegando aos 50. Vamos encarar, quando comecei, havia poucas mulheres reconhecidas nessa profissão. Era um ambiente masculino e ainda é, inclusive na indústria. Zaha Hadid e Patricia Urquiola foram modelos para mim”, disse, em entrevista divulgada pela Maison&Objet.
Em 2004, Zaha (1950 - 2016) se tornou a primeira mulher a ganhar um Prêmio Pritzker, quebrando uma linhagem de apenas homens iniciada em 1979. Já Patrícia, hoje, é considerada uma das maiores referências mundiais em design.
“O feminismo da minha geração fez questão de não se preocupar com a distinção entre homens e mulheres, para poder seguir em frente. Era isso: não levar em conta o fato de ser mulher. Agora, a terceira geração de feministas está afirmando sua diferença, o que é muito interessante”, disse a britânica.
A Maison&Objet segue até dia 20, de janeiro no centro de exposições Paris Nord Villepinte.
