Ícone do site Conteúdo Archtrends Portobello

Cidades de 15 minutos: o urbanismo da proximidade e qualidade de vida

Paris é considerada a principal referência global da cidade de 15 minutos (Foto: DiscoA340/Wikimedia Commons)

Um conceito urbanístico que vem ganhando popularidade em todo o mundo e que está sendo discutido no Brasil é a proposta das chamadas cidades de 15 minutos.

Essa teoria, criada em 2016, propõe uma grande transformação no modo de pensar o tecido urbano, já sendo utilizada em grandes metrópoles, como Paris, na França.

Um modelo de urbanismo que prioriza a proximidade, a qualidade de vida e a sustentabilidade.

Continue a leitura e descubra o significado das cidades de 15 minutos e veja exemplos internacionais que aplicam essa ideia.

Leia também:

trânsito em Paris
Em Paris, urbanista Carlos Moreno redesenhou bairros para reduzir dependência de carros (Imagem: Viviana Ceballos)

O que significa cidades de 15 minutos?

O conceito de cidade de 15 minutos foi criado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno, professor da Universidade de Sorbonne, na França. 

Em 2021, ele recebeu o Prêmio Obel em homenagem à sua contribuição arquitetônica para o desenvolvimento humano.

Na teoria, a proposta é simples, entretanto poderosa quando aplicada. Organizar os bairros para que todas as atividades essenciais estejam num raio de 15 minutos, caminhando ou pedalando. Isso inclui: trabalho, escola, supermercado, farmácia, lazer, cultura, saúde etc.

É uma tentativa de reduzir a dependência dos carros e os deslocamentos longos, que comprometem tanto o meio ambiente quanto o bem-estar das pessoas.

A proximidade rompe com modelos de planejamento urbano que separam funções e geram cidades congestionadas e poluídas.

Ao promover a diversificação de usos do solo, a cidade de 15 minutos busca criar comunidades mais compactas e resilientes.

As ruas passam a ser pensadas não apenas para carros, mas principalmente para pessoas. Com calçadas largas, ciclovias, áreas verdes e espaços públicos de convivência.

Essas curtas distâncias, por sua vez, criam um convite para que as pessoas utilizem e permaneçam por mais tempo nos espaços da cidade.

Ciclista em ciclofaixa em Buenos Aires
Bairros em Buenos Aires incluem estratégias das cidades de 15 minutos no tecido urbano (Foto: Governo da Cidade de Buenos Aires/Wikimedia Commons)

Quais são as cidades de 15 minutos?

Após a pandemia, as cidades precisaram se reestabelecer e o conceito das cidades de 15 minutos foi muito difundido, na busca de uma solução para um ambiente urbano com mais qualidade de vida.

Assim, as cidades de 15 minutos do urbanista Carlos Moreno foram adotadas oficialmente pela prefeita de Paris (França), Anne Hidalgo. Ela usou o conceito em seu plano urbano para reeleição no ano de 2020.

Por isso, o exemplo mais conhecido e simbólico desse modelo é na capital francesa, que investiu em um planejamento urbano acessível e sustentável.

A cidade vem transformando vias antes dedicadas a carros em espaços para pedestres e ciclistas, estimulando o comércio local e criando equipamentos públicos de fácil acesso.

Além de Paris, outras cidades ao redor do mundo vêm adotando, total ou parcialmente, os princípios das cidades de 15 minutos.

Em Milão, na Itália, foram elaborados projetos de requalificação urbana para reduzir o uso de automóveis e aumentar áreas verdes.

Já em Melbourne, Austrália, foram adotadas estratégias para seus bairros, adaptando o conceito às particularidades locais. O foco foi tornar as comunidades mais autossuficientes.

Na cidade de Portland, nos Estados Unidos, implementou-se políticas de urbanismo de proximidade, promovendo bairros completos, com serviços e opções de transporte sustentável. Espera-se que, até 2030, a maioria da população atenda suas necessidades sem precisar usar o carro.

Outras cidades que também escolheram medidas das cidades de 15 minutos para promover qualidade de vida nos espaços urbanos são: Houston, Bruxelas, Valência, Chengdu, Buenos Aires, Xangai, Houston, entre outras.

Os destaques da cidade de 15 minutos no mundo:

cidade de curitiba
Curitiba (PR) se destaca como referência brasileira no conceito de cidade de 15 minutos por seu histórico de planejamento urbano integrado, políticas públicas sustentáveis e foco na mobilidade acessível (Imagem: Mário Andrioli)

Por que o Brasil precisa pensar nas cidades de 15 minutos?

As cidades brasileiras são conhecidas por seu crescimento acelerado e desordenado, por isso enfrentam diversos desafios no planejamento urbano.

São marcadas por deslocamentos longos, dependência de carros e transporte público sobrecarregado. Além de desigualdades espaciais que afastam empregos, serviços e lazer das periferias.

Tudo isso mostra a importância de propor novas políticas urbanas para oferecer bem-estar e conforto para os habitantes.

Aplicar o conceito das cidades de 15 minutos pode ser uma solução inteligente para vários problemas urbanos.

Trata-se de repensar o planejamento, buscando uma distribuição mais equilibrada dos serviços e oportunidades dentro da malha urbana. Isso não significa demolir e reconstruir bairros inteiros, mas construir políticas urbanas.

Promover estratégias para combinar comunidades mais compactas e conectadas que melhoram a qualidade de vida e diminuem a dependência de carros. 

Algumas medidas envolvem o uso misto do solo com moradias, comércios, serviços e espaços culturais na mesma região. Assim como requalificar ruas em locais mais seguros e atrativos para pedestres e ciclistas.

Além disso, a crescente preocupação com questões ambientais torna as cidades de 15 minutos ainda mais urgentes.

A seguir, confira alguns exemplos de cidades brasileiras que aplicam esse conceito com mobilidade ativa, uso misto do solo, áreas verdes e infraestrutura de qualidade.

  1. Curitiba (PR) – Urbanismo eficiente e planejamento de zonas mistas favorecem deslocamentos curtos.
  2. São Paulo (SP) – Bairros como Pinheiros, Vila Madalena e Moema se aproximam do conceito.
  3. Porto Alegre (RS) – Algumas zonas bem conectadas e com bom acesso a serviços locais.
  4. Recife (PE) – Projetos de mobilidade ativa e espaços públicos ganham força em áreas centrais.
Espaço público com gramado e rio em cidade na França
Aproveitar o tempo para descansar e fazer caminhadas é possível na cidade de 15 minutos (Foto: TBD Traveller/Pexels)

Caminhos para cidades mais sustentáveis e humanas

A mudança de pensamento para cidades de 15 minutos não é apenas uma tendência, mas uma necessidade alinhada aos desafios do século XXI.

O conceito dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente no que se refere às cidades e comunidades sustentáveis, saúde, bem-estar e ação contra a mudança climática.

Arquitetos, urbanistas, gestores públicos, empresas e a própria sociedade civil têm um papel fundamental nesse processo.

Projetos que integrem mobilidade, habitação, espaços públicos de qualidade e uso misto do solo não são apenas funcionais, precisam ser locais resilientes e confortáveis.

O urbanista Carlos Moreno, criador do conceito das cidades de 15 minutos, apresenta uma proposta que vai além da técnica. Uma forma de repensar a relação das pessoas com o tempo, com o espaço e com a comunidade.

Agora que você já sabe sobre as cidades de 15 minutos, que tal descobrir as cidades do futuro e seus novos espaços urbanos?

Sair da versão mobile