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CAFF: o prédio que povoa o imaginário dos skatistas

Com a sua forma piramidal e rampa icônica, o CAFF traduz a força e o ideal modernista de Porto Alegre (Foto: Anselmo Cunha)

Há edifícios que parecem desafiar a gravidade e o imaginário. O Centro Administrativo Fernando Ferrari, o icônico CAFF, em Porto Alegre, é um desses casos.

Construído e inaugurado na década de 1980, o prédio mistura monumentalidade e fluidez; concreto e vertigem.

Com uma grande rampa, ele virou lenda urbana: quem nunca ouviu falar de algum skatista que tenha tentando descer o CAFF?

Em setembro, o mito ganhou vida. Sandro Dias, o Mineirinho, realizou o feito em uma ação entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e a Red Bull — um momento histórico com direito a registro no Guinness World Records™.

Saiba mais sobre o prédio do CAFF!

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CAFF: um monumento moderno em concreto e imaginação

Vista panorâmica de Porto Alegre com destaque para o edifício do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), no bairro Praia de Belas. À esquerda, o prédio modernista em formato piramidal domina a paisagem urbana, enquanto ao fundo um arco-íris duplo colore o céu sobre o Guaíba
O CAFF é um verdadeiro ícone modernista no horizonte da capital gaúcha (Foto: Anderson Vaz)

Há edifícios que ultrapassam a função para se tornarem parte da paisagem simbólica de uma cidade. O CAFF é um desses marcos.

Nascido do espírito ousado da arquitetura moderna, o projeto foi concebido em um momento em que Porto Alegre buscava reinventar-se urbanisticamente, inspirada pelas ideias de planejamento e monumentalidade que moldaram Brasília.

Na década de 1960, a capital gaúcha sonhava com um novo centro cívico — um espaço capaz de reunir, em um só território, os principais órgãos públicos e dar forma concreta à noção de eficiência e integração.

O sonho modernista porto-alegrense

Detalhe da fachada do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre
Concreto em curvas e retas: o CAFF revela o vigor do modernismo gaúcho em cada ângulo que desafia o olhar (Foto: Marcus Vinicius)

O embrião desse sonho surgiu em 1962, quando o então prefeito Loureiro da Silva sancionou a lei que definia a criação do Centro Administrativo em uma área de aterro entre a Usina do Gasômetro e o que viria a ser o Parque Marinha do Brasil, no bairro Praia de Belas.

A localização não era aleatória: representava o avanço da cidade sobre o território conquistado, um gesto urbano que simbolizava progresso e modernidade. A proposta era visionária — integrar em uma mesma região os poderes municipal, estadual e federal, fazendo do espaço um novo eixo político e administrativo.

Após diversas versões, em 12 de julho de 1971, o então governador Euclides Triches aprovou o projeto definitivo, que mobilizou uma equipe de cinco arquitetos da Secretaria de Obras do Estado: Charles René Hugaud, Ivanio Fontoura, Leopoldo Costanzo e Carlos Macchi. Era o início da materialização de uma utopia funcional.

Assista ao vídeo a seguir, publicado pela Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul, em que o arquiteto Carlos Macchi relembra a construção:

Arquiteto Carlos Macchi fala sobre a construção do CAFF

Pirâmide de concreto: o poder em perspectiva

Com formato piramidal, audacioso e inconfundível, o CAFF rompeu com os paradigmas da verticalidade burocrática e trouxe ao espaço administrativo um gesto escultural.

O prédio é marcado pela inclinação das fachadas e pelo uso expressivo do concreto aparente — uma assinatura do modernismo gaúcho.

A forma de pirâmide aberta representa mobilidade e integração, com rampas, passarelas e circulações que traduzem a ideia de fluidez entre os setores públicos.

Com 128 mil m², as obras começaram em 26 de dezembro de 1976, sob execução da Companhia Estadual de Desenvolvimento Regional e Obras (Cedro) e da empresa Knorr Construções Ltda.

O nascimento de um ícone

Vista da Casa da Ospa, anexo ao CAFF, em Porto Alegre
Concreto e música: o CAFF transforma arquitetura em palco com a presença da OSPA (Foto: Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul)

O complexo foi inaugurado em 10 de março de 1987, consagrando um ciclo de mais de uma década de construção.

Dois anos depois, em 12 de julho de 1989, o espaço ganhou o nome Centro Administrativo Fernando Ferrari, em homenagem ao economista, sociólogo e político nascido em São Pedro do Sul, que marcou o cenário político gaúcho.

Com 21 andares e duas alas, o CAFF abriga atualmente 13 secretarias estaduais, além de um anexo que sedia a Secretaria da Educação e a Casa da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), cuja sala de concertos comporta 1,1 mil pessoas.

Cerca de quatro mil servidores transitam diariamente pelo conjunto, que ao longo dos anos passou por intervenções voltadas à acessibilidade e sustentabilidade, mas sem perder o DNA modernista.

Mineirinho: o skatista que colocou o CAFF no Livro dos Recordes

Momento da descida do skatista Mineirinho na rampa do CAFF
Sandro Dias, o Mineirinho, desce a rampa do CAFF e transforma o ícone modernista em pista para a história (Foto: Heylenny)

Por décadas, a rampa curva do CAFF povoou o imaginário de quem passava pelo prédio no bairro Praia de Belas. Muitos diziam ser impossível um skatista subir ali — um delírio urbano, uma lenda de concreto. Até que, em setembro de 2025, o impossível ganhou coragem, velocidade e forma.

Com apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e da Red Bull, o skatista Sandro Dias, o Mineirinho, transformou o mito em realidade. Ele desceu a fachada do edifício, marcando o nome do CAFF na história mundial do esporte.

Em apenas oito segundos, Mineirinho cruzou o ar como se o tempo tivesse desacelerado. Do alto de 70 m, sobre um drop de 60 m, o atleta de 50 anos atingiu 103 km/h e suportou uma Força-G de 3,9 g. Isso fez o seu corpo pesar momentaneamente quase 280 kg.

Foi um feito que testou os limites da técnica e do corpo. O resultado foram dois recordes mundiais reconhecidos pelo Guinness World Records™ — a maior descida de skate já realizada em um prédio e a rampa mais alta do planeta.

“Era um sonho que eu tinha há mais de 13 anos”, disse Mineirinho, emocionado após o evento, em declaração para a imprensa local. O portal Gaúcha ZH transmitiu a descida da megarrampa ao vivo. Assista ao vídeo:

CONFIRA A DESCIDA DA MEGARRAMPA DE SKATE NO CAFF | 25/09/25

A façanha exigiu meses de preparação técnica e física. O atleta treinou com coletes de 40 kg para simular o impacto da força gravitacional e fez testes de velocidade acima de 120 km/h em pistas de asfalto.

Para adaptar o CAFF ao desafio, painéis de madeira foram instalados sobre a fachada, preservando o prédio e criando a superfície ideal para o skate.

Além disso, barreiras infláveis, similares às da MotoGP, garantiram segurança, enquanto uma equipe multidisciplinar acompanhava cada movimento.

A descida também foi um marco de sustentabilidade: em parceria com Trashin e Gerdau, o projeto garantiu a destinação responsável de cerca de 115 t de materiais usados na montagem da rampa — com 90% dos resíduos reaproveitados ou reciclados.

Mais do que um recorde, o dia em que Mineirinho desceu o CAFF simboliza algo maior: a união entre arte, arquitetura e esporte. A curva modernista do prédio, antes estática, virou pista; o sonho, movimento; e o concreto, adrenalina. O mito caiu — e ressurgiu como história.

Se você se interessa por arquitetura, urbanismo e esportes, vale conferir também o nosso artigo com pistas de skate de destaque. Fizemos uma seleção incrível de espaços que unem design, fluidez e liberdade.

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