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Arquiteta Carol Bernardo em momento de folga
Arquiteta Carol Bernardo em momento de folga (arquivo pessoal)

Em paz com o bloqueio criativo

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23.11.2023
As arquitetas Tamires de Alcântara e Carol Bernardo explicam a relação negativa entre cansaço e falta de criatividade e evocam momentos de descanso
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Quando foi a última vez que você se sentiu completamente descansado? 

Se tem um vilão da criatividade com o qual estamos acostumadas a conviver é o cansaço. E não é exclusividade nossa, já que a ideia de dar tudo de si para o trabalho é normalizada e até incentivada entre arquitetos e designers. Ainda na faculdade aprendemos que está tudo certo virar noites projetando, se alimentar mal e se afastar do convívio social para dar conta das inúmeras entregas de projeto, artigos, apresentação de seminários e provas.

Para supostamente relaxar, a gente fica rolando o feed das redes sociais, que é bombardeado por posts de projetos e tendências. Ou visitamos lugares nos quais o olhar se mantém atento aos detalhes de arquitetura e interiores, afinal, tudo pode ser inspiração para resolver “aquele” projeto. Até o lazer fica ligado ao trabalho nas nossas rotinas. A sensação é de que o trabalho ocupa quase a totalidade da nossa vida e não existem momentos para desligar-se dele.

De uma maneira bem humorada, dizemos que caímos na armadilha do “trabalhe com o que ama e nunca mais amará nada”. Apesar de amarmos o que fazemos, o cansaço bateu à porta e já não é de hoje!

E é geralmente nessa época do ano em que o “balanço” é feito e a ficha cai: a conta do descanso não fecha. Muito trabalho, muito cansaço e pouquíssimas horas de ócio. Já nos últimos meses do ano, o excesso de trabalho e a falta de descanso voltam pra nós em forma de exaustão, impedindo que a gente continue. Pode parecer contraditório, mas produzir demais acaba nos impedindo de produzir e ainda nos faz questionar nossas habilidades.

Uma mente cansada não consegue ser criativa.

O mais lógico seria simplesmente descansar, certo? O problema é que, na maioria das vezes, não optamos pela solução mais óbvia. Vamos atrás de “dicas infalíveis” para melhorar a produtividade ou de “métodos geniais” para acabar com o bloqueio criativo. Fazemos uma comparação injusta com quem supostamente dá conta de tudo, segundo as redes sociais, e nos culpamos, como se fosse errado ou anormal sentir-se cansado.

É humanamente normal estar cansada. A criação exige uma dose de liberdade, mente fresca, tempo livre e imprevisibilidade. Ela não cabe no tempo definido de uma atividade automática, o que é um verdadeiro terror para quem tem necessidade de controle (assumimos, temos a consciência de que somos exatamente assim). 

Culpar-se por não conseguir criar na velocidade da luz não vai melhorar a situação. O jeito é fazer as pazes com o bloqueio criativo, aceitar que temos limites, períodos, processos individuais e que se forçar além disso é apenas um caminho para o esgotamento mental.

Se a pausa no trabalho por alguns dias não faz parte da sua realidade atual, considere os pequenos intervalos durante a rotina diária: o café da manhã mais demorado, escutar o podcast preferido durante o preparo do almoço, regar as plantas, dar uma volta no quarteirão com seu cachorro, pausar cinco minutos de uma atividade para coar um café. Intercale sua rotina com atividades que exigem menos concentração, que sejam mais automáticas, com outras que exigem mais criatividade e cabeça fresca.

Permita-se desligar, descansar, fazer atividades sem retorno prático, assistir conteúdos banais, rir de besteira e frequentar espaços sem pensar muito nos detalhes construtivos. O trabalho é uma parte importante, mas ele não é a totalidade de uma pessoa.

Esse texto não é uma ordem para que você quebre compromissos ou, muito menos, descumpra prazos, mas um alerta para que você saiba agendá-los respeitando seus horários, seu descanso, sem que seja necessário estabelecer uma rotina maluca e exaustiva.

É para te dizer o óbvio: o descanso é necessário, importante, fundamental.

Ilustramos esse artigo com momentos leves do nosso cotidiano para que também sirva de lembrete para nós mesmas, que muitas vezes nos esquecemos de descansar e acreditamos que sempre podemos fazer “um pouquinho mais”. 

Depois de ler esse texto, vá descansar! Nós também vamos tentar. 

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