
Talks sobre carreira, cocriação e inteligência artificial movimentam estande da Portobello na Revestir 2025
De uma coisa você pode ter certeza: o encontro entre designers, arquitetos e formadores de opinião sempre vai resultar em muitas ideias, inspirações e conteúdos. E foi esse o saldo das conversas realizadas na última edição do Archtrends Talks, na Expo Revestir 2025.
O evento, transmitido ao vivo pelo Instagram e Youtube nesta quarta-feira (12), foi apresentado pelo jornalista Pedro Andrade e aconteceu no lounge da Comunidade Portobello+Arquitetura, no estande da Portobello. Por lá, passaram personalidades da arquitetura e do design, que revelaram detalhes sobre os seus trabalhos, compartilharam dicas profissionais e lançaram um olhar sobre o presente e o futuro da criatividade.
Resgate do artesanal

O papo começou com os arquitetos Rodrigo Fagá, Caio Carvalho e Carlos Carvalho, que contribuíram juntos para a criação do movimento “All the Mosaics”, da Portobello. O processo coletivo, realizado entre a equipe global Portobello e seus parceiros criativos, deu vida a uma edição de revestimentos modulares que resgatam e celebram a tradição artesanal também na arquitetura. ”O mosaico retorna esse trabalho manual com força”, disse Carlos.
Assinada por Rodrigo Fagá, a coleção Território é um desses produtos. Inspirada na diversidade de formas e relevos vistos de uma perspectiva aérea, ela explora quatro variações geométricas – duna, lagoa, serra e árido – cada uma representando uma paisagem brasileira única. Segundo Fagá, o trabalho é resultado de um desejo de representar a natureza brasileira sem clichês e de criar um revestimento que possibilitasse diferentes configurações. “As linhas permitem essa flexibilidade”, apontou.
Já Caio e Carlos Carvalho, arquitetos do Studio Roca, são autores dos produtos da coleção Entre.linhas, que compõem paredes com paginações movimentadas e sortidas. Para o desenvolvimento destas peças, os profissionais contaram que a inspiração veio da moda, o que levou à criação de um revestimento com planos e diferenças táteis que se assemelham a tramas feitas à mão. “A gente sempre brincou muito com grafismos e linhas, e foi isso que tentamos trazer para o nosso mosaico”, garantiu Caio.
De olho no conhecimento

Quem também participou dos Talks foi Patricia Pomerantzeff, arquiteta à frente da Doma Arquitetura e parceira de longa data da Portobello, inclusive como autora do sistema de bancadas de cozinha da Officina Portobello, a Domateca. Durante o evento, Pat usou como gancho a comemoração dos seus 20 anos de carreira para falar sobre as novas possibilidades da profissão do arquiteto e compartilhar dicas para os profissionais iniciantes.
Para Patricia, que se envolve em projetos em diferentes formatos e plataformas, o contato com clientes e com o dia a dia das obras é o que renova sua disposição para continuar criando. “Minha inspiração são as pessoas”, disse. E mesmo que a internet ainda abra as portas para diversas oportunidades, ela acredita que, hoje, o ambiente digital está carente de conteúdos mais aprofundados, que mostrem processos e contem histórias, fugindo da fórmula do “antes e depois”.
Sobre atender clientes fora do Brasil, Pat fez uma comparação com o novo momento da Portobello, que acaba de lançar sua primeira coleção global: “a gente é do planeta”. Em relação ao futuro da Doma Arquitetura, ela citou a atuação da Academia Doma, uma mentoria para arquitetos em formato EaD, como um de seus principais focos nos próximos anos. “Essa história do compartilhar tem mexido comigo cada vez mais”. E como conselho de quem completa duas décadas de experiência, Pat acrescentou: “Junte-se a pessoas que vão agregar e fazer você crescer junto”.
Diversidade em pauta

A diversidade também foi um assunto de destaque no Archtrends Talks, que convidou o arquiteto João Gabriel para falar sobre sua trajetória de aprendizados e contribuições. De origem humilde, João sempre sentiu dificuldade de se enxergar no meio da arquitetura. Através do marido, que era consultor da Portobello Shop, ele se aproximou do universo do design e passou a enxergar seu papel como agente de mudança. “Eu comecei a perceber que a arquitetura tinha a ver com identidade com a Portobello”, afirmou.
Hoje, João Gabriel é uma das maiores vozes sobre a importância da inclusão racial na arquitetura. Um de seus projetos, o Sala Preta, é uma mentoria afirmativa que se esforça para mudar uma realidade nada justa: no Brasil, país cujas pessoas negras representam quase 60% da população, apenas 20% dos arquitetos são negros. Ao olhar para o que tem construído na sua carreira e para a diferença que tem feito na vida de outras pessoas, o arquiteto se orgulha: “me tornar a referência que eu queria ser desde o início é a minha resposta”.
Para o arquiteto, que utiliza as redes sociais como uma grande plataforma de democratização de conhecimento, a arquitetura e o design deveriam ser serviços ao alcance de todas as pessoas. Ao citar o exemplo e os esforços da arquitetura social, ele defende que esse tipo de iniciativa não deveria considerar apenas o básico da moradia, porque todo mundo tem a necessidade de chegar em casa e se enxergar naquele espaço. “O direito e o acesso ao design deveria ser geral”, concluiu.
Do Brasil para o mundo

Para contar detalhes sobre o processo de cocriação da linha Samba Rock, da Portobello, o Archtrends Talks recebeu o designer e fundador do Instituto A Gente Transforma, Marcelo Rosenbaum. O revestimento, materializado na forma de um terrazzo, é o produto da harmonia entre dois times criativos, que se valeram da tecnologia de relevo digital e da inspiração na nobreza das pedras brasileiras para criar uma matéria com um ritmo próprio. “Foi uma alegria fazer parte desse desafio”, revelou.
Enquanto um dos primeiros lançamentos globais da Portobello, o Samba Rock tem a missão de traduzir um olhar brasileiro para o mundo, o que Rosenbaum já exercitou em outros trabalhos com a marca. Durante o papo, ele relembrou dois exemplos. O primeiro foi a linha Quintal, que recria o charme dos pisos de caquinhos das casas antigas. “Era uma forma sustentável de reaproveitar matéria-prima e é uma estética muito brasileira”, explicou.
Outro projeto foi o Sururu, uma iniciativa de economia circular com o objetivo de reduzir o descarte de resíduos, gerar renda e capacitar a comunidade de Vergel, em Alagoas. Por meio da colaboração entre diversos órgãos e equipes criativas, a casca do molusco sururu, anteriormente vista como lixo, foi ressignificada como matéria-prima do Cobogó Mundaú. “O Sururu foi um grande exercício de relações”.
IA e design para uma vida melhor

Para encerrar as reflexões, o Archtrends Talks contou com a presença do diretor criativo Michell Lott, que repercutiu um tema muito atual em diversas áreas da criação: a inteligência artificial. Entre o papel de mocinha e vilã dos profissionais criativos, a tecnologia desponta como uma ferramenta que não pode mais ser ignorada e que deve cumprir um papel cada vez mais central do dia a dia do design e da arquitetura. “Uso como uma ferramenta para fazer mais coisas do que eu seria capaz sem ela", adiantou.
Lott pontuou como, na história da humanidade, grandes novidades tecnológicas sempre surgiram como um susto. Mas, apesar de acreditar que a IA é, sim, uma ameaça para algumas funções, ele destaca que a ferramenta é um presente que deve ser utilizado da forma mais inteligente e responsável, principalmente para trazer agilidade nas tarefas do dia a dia.
Sobre participar de um evento como a Expo Revestir, o profissional afirmou ser uma chance de se conectar com o olhar de outros criativos para além do produto, ampliando seu repertório de mundo. Para Lott, o revestimento tem o poder de estimular nossos sentidos através das cores e texturas, trazendo mais prazer e significado para a vida. “Uma das funções do design, além de servir para o que a gente quer, é maravilhar”, refletiu.
Para conferir cada papo na íntegra, é só acessar a live completa do evento.
