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MASP: a obra-prima da arquiteta Lina Bo Bardi

O edifício do MASP é um dos grandes ícones da arquitetura modernista brasileira (Foto: Naldo Arruda)

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O Museu de Arte de São Paulo (MASP) é o museu mais visitado do Brasil, além de fazer parte da lista dos melhores do mundo.

No coração da Avenida Paulista, abriga o acervo de arte europeia mais importante do hemisfério sul. E cumpre com sucesso a missão de estabelecer diálogos entre passado e presente; culturas e territórios.

Esse encontro entre público e arte se dá no edifício que se tornou um dos cartões-postais da cidade de São Paulo, projetado pela arquiteta modernista Lina Bo Bardi.

Quer saber mais sobre essa obra-prima? Então, este artigo foi feito para você!

História do MASP

Fundado em 1947 pelo empresário brasileiro Assis Chateaubriand, o MASP é o primeiro museu moderno do país, criado como uma instituição privada sem fins lucrativos.

Inicialmente, a ideia de Chateaubriand era sediá-lo no Rio de Janeiro. Porém, acabou escolhendo São Paulo, pelas maiores chances de arrecadação de fundos para formar a coleção.

Assis Chateaubriand, fundador do MASP
Assis Chateaubriand, fundador do MASP, foi um dos homens públicos mais influentes do Brasil entre 1940 e 1960 (Foto: Diários Associados)

Naquela época, o Brasil passava por um momento de prosperidade. E, diante do fim da Segunda Guerra Mundial, muitas coleções da Europa foram colocadas à venda.

Nesse contexto, o mercado de arte internacional estava aberto aos que tinham recursos para adquirir obras relevantes.

Primeiro diretor

Entre 1947 e 1990, quem assumiu a direção do museu a convite de Chateaubriand foi o crítico e marchand italiano Pietro Maria Bardi. 

Foi ele quem selecionou as primeiras obras que viriam a compor o mais importante acervo de arte europeia do hemisfério sul.

Afinal, embora Chateaubriand apreciasse arte, não dominava o assunto.

Tanto é que quando convidou Bardi para dirigir a instituição, se referiu ao projeto como um “Museu de Arte Antiga e Moderna”. 

Bardi defendeu que ela fosse chamada somente de “Museu de Arte”, pois não deveria existir qualquer tipo de distinção.

O plano dele era ficar à frente por apenas um ano. No entanto, acabou se dedicando ao MASP pelo resto de sua vida, dirigindo a instituição por quase cinco décadas.

Pietro Maria Bardi, um dos mais importantes diretores da história do MASP
Pietro Maria Bardi é considerado um dos mais importantes diretores da história do MASP (Foto: Wikimedia Commons)

Primeiro, o MASP foi instalado no centro de São Paulo, na Rua 7 de Abril, no edifício do Diário dos Associados — o maior conglomerado de veículos de comunicação no Brasil na época, de propriedade de Chateaubriand.

Nova sede

No final dos anos 1950, o MASP passou a demandar espaços maiores e adequados. Afinal, o acervo só crescia, assim como as atividades didáticas oferecidas.

Mas somente em 1968 ele foi transferido para a Avenida Paulista, ocupando um dos edifícios mais icônicos da arquitetura modernista do século 20, projetado por Lina Bo Bardi, esposa de Pietro.

Obras para a construção da nova sede do MASP na Avenida Paulista
Obras para a construção da nova sede do MASP na Avenida Paulista (Foto: Acervo Histórico da Prefeitura de São Paulo)

O terreno onde o projeto de Lina tomou forma foi concedido pela prefeitura de São Paulo para a construção da sede do museu.

A única condição imposta pelo proprietário anterior — Joaquim Eugênio de Lima, idealizador e construtor da Avenida Paulista — era de que a vista para o centro da cidade fosse preservada.

Graças a esses arranjos, o MASP foi instalado no local que ocupa até hoje, recebendo centenas de milhares de visitantes todos os anos.

Edifício símbolo da arquitetura modernista

Fachada do MASP, obra-prima da arquiteta Lina Bo Bardi
O edifício do MASP é uma obra-prima da arquiteta Lina Bo Bardi (Foto: Wilfredor)

Como vimos, quem desenvolveu o projeto arquitetônico do MASP foi Lina Bo Bardi, um dos grandes nomes da arquitetura modernista brasileira.

Para atender à condição de preservar a vista para o centro da cidade, a arquiteta optou por uma edificação subterrânea e suspensa, a 8 m do piso.

Trata-se de uma obra única, com corpo principal sobre quatro pilares laterais e um vão livre de 74 m, considerado o maior do mundo à época em que foi construído.

Lina concebeu o espaço com o desejo de que se tornasse uma praça pública. Essa inovação se tornou viável com a contribuição do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz.

Fachada do MASP à noite, com destaque para o vidro e o concreto
A combinação de concreto e vidro se tornou uma marca do edifício do MASP e de outros projetos de Lina Bo Bardi (Foto: Kaio Guedes)

A obra também é marcada pela base de vidro e concreto, com superfícies ásperas e sem acabamentos luxuosos.

Essa técnica de concreto aparente acabou se tornando uma das principais marcas da arquitetura moderna, que valoriza a textural natural do material bruto.

Vão livre do MASP, com destaque para o concreto
Vão livre do MASP (Foto: Felipe Veiga)

O concreto também aparece como elemento estrutural. Por meio do concreto armado, os projetos ganham liberdade, alcançando maior funcionalidade e praticidade.

Dessa forma, Lina criou um edifício único, suspenso, que expressa leveza e simplicidade.

O prédio levou 10 anos para ser concluído, sendo inaugurado em 1968, com a presença de figuras ilustres, como a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, que fez o discurso de inauguração.

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Cavaletes de concreto e cristal

Exposição do acervo permanente do MASP
Exposição do acervo permanente no último andar do edifício principal do MASP (Foto: Cleber Vallin)

Lina Bo Bardi não apenas inovou no projeto do edifício do MASP, mas também na forma de expor a coleção permanente do museu.

Como uma quebra ao tradicional modelo europeu, ela criou cavaletes de concreto e cristal.

Em vez de ficarem expostas na parede seguindo uma narrativa linear, as obras oferecem a possibilidade de serem contornadas, mostrando também o seu verso. E quem escolhe o percurso é o próprio público.

No final da década de 1990, esse modelo de exibição das pinturas deixou de ser usado, mas foi retomado em 2015 pela gestão de Heitor Martins.

Novo anexo do MASP

Projeto do novo prédio do MASP, ao lado da construção antiga
O novo anexo do MASP tem inauguração marcada para março de 2025 (Projeto: MASP)

A partir de 2015, o MASP passa a contar com um novo edifício, de 14 andares e 7.821 m², que leva o nome de Pietro Maria Bardi.

Um dos principais motivos para o desenvolvimento desse projeto de expansão foi a necessidade de ampliar o espaço de exposição.

Afinal, hoje o MASP consegue exibir pouco mais de 1% de seu acervo, devido às limitações físicas.

Além de novas galerias, o museu terá espaços para atividades de ensino, seminários e laboratório para restauro de obras.

O novo edifício do MASP será conectado com o prédio principal por meio de uma interligação subterrânea, sob a rua Professor Otávio Mendes.

Acervo do MASP

O MASP possui uma grande coleção, formada por mais de 11 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, artes decorativas e fotografias, da Antiguidade à atualidade.

O principal núcleo do acervo é composto por peças francesas e italianas. Mas conta também com itens de origem espanhola, portuguesa, flamenga, inglesa, holandesa e alemã.

No entanto, a coleção não fica restrita à arte europeia.

Um importante acervo de arte brasileira está sob a guarda do MASP, que inclui desde obras do século 17 até manifestações artísticas contemporâneas.

Obras de arte brasileira do século 20 expostas no MASP
Obras de arte brasileira do século 20 expostas no MASP (Foto: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

Além disso, o museu possui conjuntos relevantes de arte norte e latino-americanas, africana e asiática. Também tem peças de povos da Antiguidade, Medievais e pré-colombianos.

Diante da preocupação com a integridade das obras, a coleção do MASP foi tombada em 1969 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Assim, ela passou a integrar o patrimônio do país, exigindo autorização expressa para movimentação de itens para outros países.

O acervo do MASP é continuamente ampliado por meio de doações e parcerias.

MASP além das exposições

Auditório do MASP
Auditório do MASP, que é usado para seminários, palestras, cursos e outras atividades (Foto: andresumida)

A agenda de exposições do museu é complementada pelos programas públicos desenvolvidos pelo núcleo de mediação, que oferece:

O museu ainda edita uma série de publicações: catálogos de exposições e dos acervos, antologias dos seminários e das palestras, além de projetos de restauro de obras.

Visitas ao MASP

Fachada do MASP, obra-prima da arquiteta Lina Bo Bardi
Para visitar o MASP, não se esqueça de fazer o agendamento online (Foto: Morio)

O MASP é aberto ao público todos os dias, com exceção das segundas-feiras. Nos feriados, ele também abre normalmente, menos no Natal e no Ano Novo. Veja os detalhes:

É obrigatório agendar a visita online, mesmo para os dias de entrada gratuita: masp.org.br/ingressos.

Amigo MASP, crianças com idade igual ou inferior a 10 anos e pessoas com deficiências (e um acompanhante) têm entrada franca.

Às terças-feiras, a entrada também é gratuita para todos os visitantes.

Para quem aprecia arte, a visita ao MASP é uma ótima oportunidade de entrar em contato com obras importantes para a história.

Interessou-se em saber mais sobre a arquitetura modernista brasileira? Conheça as características e os principais arquitetos que marcaram o estilo ao lado de Lina Bo Bardi!

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