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Recriar nossas “arquiteturas internas” para uma nova história da humanidade

Piscina da cobertura do Sesc 24 de Maio, projeto assinado por Paulo Mendes da Rocha (Foto: Nelson Kon)

“Numa cidade como São Paulo é difícil imaginar a demolição de tudo para fazer o novo. Muita transformação se dará por dentro, que no fundo é o que acontece com cada um de nós também. Nós podíamos nos chamar de verdadeiras arquiteturas na vida, né?”  

É com essa frase que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha se referiu à política de ocupação de uma cidade como São Paulo, citando especificamente a transformação da antiga sede da Mesbla em um SESC, no documentário Tudo é Projeto, de Joana Mendes da Rocha e Joana Rubeno e cujo trecho foi exibido no Archtrends Summit 2021 (mais precisamente nos 1:18:55). São “novas ocupações para aquilo que já existia”. Essa frase e esse conceito me remetem ao meu livro, que acabou de ser lançado, HOMO INTEGRALIS, uma nova história possível para a humanidade. Homo Integralis é sobre esse conceito de uma nova humanidade, que a partir de uma nova lente e um novo conjunto de valores cria fora novas estruturas verdadeiramente sustentáveis para a vida, de fato regenerativas. Estruturas estas que vão transformar aquilo que hoje é morto, nosso modelo de sociedade, em um modelo que sirva à teia da vida. 

Loja Mesbla na Rua Vinte e Quatro de Maio, esquina com a Rua Dom José de Barros, em São Paulo (Foto: divulgação)
Sesc 24 de Maio, obras de construção da piscina (Foto: divulgação - Website MMBB Arquiteto)
Sesc 24 de Maio, piscina da cobertura (Foto: Nelson Kon)

Da mesma forma, é preciso essa nova lente para a política de ocupação, ou para repensar e adaptar uma grande cidade como São Paulo. De fato Paulo tinha razão quando afirmou que uma demolição completa a partir do novo para recriar estruturas físicas, prédios, casas, estabelecimentos, é bastante improvável, beira o impossível. Não temos mais, assim como no planeta, estruturas em branco para serem desenhadas a partir do zero. Não temos mais fronteiras a romper e ocupar, simplesmente porque não podemos mais derrubar uma árvore sequer, quiçá adentrar florestas, reservas, e o que ainda resta de ecossistemas. Vamos precisar transformar dentro para que essa transformação seja refletida fora. Vamos precisar trazer novos óculos capazes de enxergar potência naquilo que hoje vemos deterioração, por exemplo. E para isso vamos precisar nos curar enquanto humanidades.

Homo Integralis, o livro da Fe Cortez
Homo Integralis, o livro da Fe Cortez

Estamos vivendo um momento mágico para a história da humanidade, quando temos uma agenda de 10 anos para mudar TUDO, assim em letras maiúsculas mesmo. Nosso modelo econômico, nossas estruturas políticas, nossa matriz energética, de transporte e por aí vai. Não dá para pensarmos tanta mudança sem incluir a arquitetura, o paisagismo, o urbanismo. Com novas lentes. Lentes integralis, capazes de integrar para não deixar nada fora, criativas o bastante para inovar sob uma nova ética: de uma ocupação daquilo que hoje é buraco interno. Na minha visão isso vem do resgate do nosso feminino, essa polaridade presente em homens, mulheres ou qualquer outro gênero, porque não é sobre gênero, e sim sobre uma outra dimensão de ver e se ver no mundo. A polaridade da geração da vida, da conexão a partir do coração, da reverência ao grande mistério que rege o funcionamento do Cosmos, do qual somos parte e cocriadores. É a partir dessa ocupação interna do buraco existencial causado pela ruptura e tentativa de apagamento milenar desta polaridade que vamos poder criar, afinal a criatividade também está atrelada ao feminino. É recriando nossas arquiteturas internas que vamos criar juntes, uma nova história possível pra humanidade. E ela começa em mim, em você. E fundamentalmente no repensar do nosso grande projeto que se chama VIDA!

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