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Construção em container: vale a pena usar essa tendência?

construção em container

Os containers são uma tendência inovadora na arquitetura e já é comum ver lugares superdescolados usando a estrutura desses módulos navais como base para a construção. A obra fica rápida, sustentável e com uma inspiração industrial que deixa o ambiente com um charme a mais.

Neste post, vamos falar um pouco dos prós e contras da construção em container, quais cuidados devem ser tomados em uma obra como essa e o que pode ser feito para aproveitar sua estética diferenciada sem abrir mão do conforto. Acompanhe!

Como surgiu essa tendência?

A ideia de transformar containers em construções começou no início dos anos 1990, na Inglaterra. Alguns arquitetos viram módulos abandonados em docas ou perto de estações de trem e pensaram em novas formas de utilizá-los depois de não servirem mais ao transporte de cargas.

Porém, a inspiração para esse uso pode ser ainda mais antiga. Existem pedidos de patente de 1850 com o objetivo de transformar vagões antigos de trem (que têm quase o mesmo formato) em restaurantes fixos.

Por que fazer uma construção em container?

Obra rápida e limpa

Uma construção de alvenaria normalmente produz muita sujeira ao levantar os muros, fazer as massas e assentar revestimentos. O container já vem pronto e o acabamento é feito com drywall ou steel frame. Isso significa que as peças só precisam ser instaladas, deixando o mínimo de sujeira no canteiro de obras e um fluxo de construção muito mais ágil.

Se uma construção normal demora quase um ano para ficar pronta, o mesmo espaço feito em containers pode ser entregue em três meses.

Menor impacto ambiental

Além de desocupar um espaço enorme em depósitos (onde provavelmente ficariam parados até enferrujar), a reutilização de containers diminui o uso de areia e cimento nas edificações. A produção desses materiais consome recursos naturais e libera gases de efeito estufa. Por isso, evitar sua aplicação ajuda a reduzir o impacto ambiental da obra.

Esse método também resulta em menos entulho de obra e, portanto, um volume menor de lixo despejado nas grandes cidades — onde quase 60% dos resíduos produzidos vêm da construção civil.

A terraplanagem e a fundação são mais econômicas

A terraplanagem não exige grandes movimentações de terra, por isso é rápida e econômica. Já a fundação não precisa ser feita da forma tradicional: os containers são apenas apoiados em quatro pontos estruturais nos cantos e mais dois no meio, chamados de sapatas, para que tenham firmeza no solo.

Esses pontos estruturais são bases de concreto de 30 × 30cm, o que permite que 85% do solo permaneça permeável, evitando o acúmulo de água das chuvas e o risco de enchentes ou alagamentos.

Para quem quer seguir esse modelo sustentável, o projeto também possibilita a implantação de um sistema de coleta de água.

Mobilidade

Como o container só precisa de um apoio de quatro pontas, ele pode ser removido e levado para outros lugares, permitindo a construção de restaurantes ou lojas itinerantes. Obras feitas com vários módulos são flexíveis, possibilitando montagens em diferentes combinações.

Os containers podem ser empilhados em até sete andares e, para fazer a conjugação entre uma peça e outra, eles são cortados e reforçados com steel frame. Assim, não há nenhum prejuízo em relação à estrutura.

Baixo custo

Uma obra feita em container com 15m2 custa cerca de R$ 39 mil (já incluindo o acabamento e a mobília), enquanto uma de alvenaria custaria aproximadamente 20% a mais, ou seja, quase R$ 47 mil.

Mas é claro que não existem só vantagens e é preciso ter atenção para alguns aspectos desse método.

Quais são os principais cuidados?

Tenha certeza do que quer

Primeiro, tanto o arquiteto quanto o cliente devem entrar em um container, sentir o espaço e ter a certeza de que o tamanho é suficiente.

Comparando as medidas do projeto com as do módulo, é possível saber quantas unidades serão necessárias para realizar a obra e as adaptações que devem ser feitas.

Pense no conforto térmico e acústico

No início da obra, é importante definir onde o container vai ficar. Já que ele é feito de aço, forte condutor de calor, não deve receber a luz do sol diretamente.

É preciso pensar na ventilação e em formas de refrescar o ambiente, porque não adianta nada fazer um projeto sustentável se você gastar muita energia com um ar-condicionado ligado o dia inteiro a fim de manter a temperatura agradável.

Além disso, é preciso providenciar um bom isolamento acústico, a fim de evitar o eco e o barulho metálico toda vez que alguma coisa atingir as paredes.

O isolamento é colocado entre a estrutura de aço dos containers e as placas de cimentos ou drywall. No vão entre eles, também são instalados os canos hidrossanitários e a fiação elétrica.

Planejar os revestimentos, o isolamento térmico e acústico é fundamental para que o projeto não saia do orçamento.

Tenha os documentos para a regulamentação

A regulamentação é a mesma das construções de alvenaria. Mas, por ser uma técnica diferente, algumas cidades podem dificultar o alvará. No geral, entretanto, você vai precisar dos mesmos documentos: topografia, rede de esgoto, rede de energia e desenho estrutural.

Faça o tratamento do container

Para ser utilizado na arquitetura, o módulo passa por um tratamento que retira qualquer material tóxico deixado pelas tintas que revestem o aço ou pelas cargas que ele transportava antes.

Quem opta por comprar um novo em vez de aproveitar um usado não precisa se preocupar com isso, porque ele já vem pronto.

Procure bons profissionais

É preciso contratar mão de obra especializada para operar os guindastes e fazer os cortes de portas e janelas, além dos encaixes de um módulo no outro.

Qualquer corte modifica a estrutura do container e, por isso, as paredes devem ser reforçadas com steel frame e até colunas ou vigas, dependendo do caso.

E então, gostou das nossas dicas sobre construção em container? Que tal compartilhar este conteúdo nas redes sociais e ver se você e seus amigos têm a mesma opinião sobre esse método inovador?

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