“Casa com cara de casa” é uma expressão que tomou as redes sociais nos últimos tempos, e não é difícil entender o porquê.
Ela surgiu como reação a um cenário que muita gente reconhece: ambientes impecáveis, fotogênicos e perfeitamente coordenados, mas sem qualquer sinal de quem vive ali.
Daí nasceu uma valorização de tudo aquilo que torna uma casa única: as cores preferidas, os objetos de família, as coleções e os pequenos rituais do dia a dia.
Neste artigo, você vai entender o que está por trás dessa tendência e, mais do que isso, como colocá-la em prática no seu projeto.
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O que é uma casa com cara de casa?

Antes de tudo, vale esclarecer o que esse conceito não é. Uma casa com cara de casa não é sinônimo de bagunça ou de projeto mal resolvido.
Ela pode e deve ser esteticamente cuidadosa. A diferença está no ponto de partida.
Em vez de reproduzir uma referência, o projeto parte dos hábitos, das preferências e das memórias de quem vive ali.
Assim, o projeto deixa de ser genérico para refletir a vida de quem mora ali. Da poltrona herdada da avó, da qual é difícil desapegar, ao vaso que foi comprado na última viagem, tudo tem a sua história.
Por que a gente sentiu falta disso?

Nos últimos anos, criou-se um padrão visual de decoração tão disseminado que ficou difícil escapar dele: o tipo conhecido como “capa de revista”.
Com a simetria perfeita, um branco quase absoluto e a manta dobrada com precisão, esse modelo se tornou a fórmula para uma performance diante dos olhos ou das lentes.
No entanto, veio a pandemia de Covid-19, e a vivência mais intensa dentro de casa fez muita gente perceber que o lar precisava funcionar de verdade.
E aí se deu a virada: a estética cedia lugar ao que era genuíno. Assim, a casa com cara de casa passou a ser um local de acolhimento, conforto e inspiração.
Como criar uma casa com cara de casa?

Não existem receitas de uma estética formal. O importante é combinar elementos que reflitam quem você é.
Veja algumas formas para aderir a essa tendência, que é mais simples do que se imagina.
Cores que falam de você
E se você, simplesmente, ignorasse a cor branca como padrão dentro de casa e ousasse selecionar a dedo outras opções que despertam sensações, emoções e memórias?
Claro, isso não significa usar cores vibrantes que não tenham nada a ver com a sua história e personalidade a todo custo. O importante é fazer escolhas que tenham significado para você.
Uma parede em terracota, um móvel em azul-royal ou mesmo um rodapé mais escuro sinalizam que alguém tomou uma decisão, o que já comunica certa autenticidade.

Texturas que pedem para ser tocadas
Quando as superfícies são muito lisas e uniformes, o espaço perde temperatura. Já uma casa com cara de casa conta com texturas que convidam ao toque.
O bordado da almofada sobre o sofá de linho, os veios da madeira do tampo da mesa de jantar ou o revestimento com relevo nas paredes são elementos que criam profundidade visual e sensorial.
Criar camadas de materiais e texturas torna o ambiente mais rico visual e sensorialmente.

Iluminação que cria clima
Se existe um elemento capaz de transformar completamente um ambiente sem mudar nada estruturalmente, é a iluminação.
A combinação entre a luz de teto com pontos baixos, como arandelas e abajures, cria camadas que tornam qualquer espaço mais acolhedor.
Prefira lâmpadas entre 2700K e 3000K para criar uma atmosfera mais acolhedora.
Objetos que contam histórias

Esse talvez seja o ponto mais importante e, também, o mais difícil de replicar.
Escolher objetos com valor afetivo, em vez de apenas acompanhar tendências, é uma forma de imprimir personalidade aos ambientes.
Mas atenção: não se trata de transformar o lar em um museu pessoal. É preciso fazer uma curadoria.
Selecione o que fica, entenda por que fica, e deixe que cada peça diga algo sobre quem você é. Esse é o tipo de autenticidade que não se compra pronta.

Plantas que sinalizam vida em movimento
Em uma casa com cara de casa, a presença de plantas é a constatação mais singela de que o espaço é habitado. Afinal, a vida exige cuidado.
Não precisa ser muita coisa. Talvez uma espécie pendente no canto da sala de TV ou pequenos vasos próximos à janela da cozinha.
A escolha das espécies também revela hábitos e preferências. Uma planta escultural transmite uma atmosfera diferente de uma hortinha de temperos na cozinha.
Não existe certo ou errado, mas sim o que faz sentido para a sua rotina e para o ambiente que você quer criar.
Mais do que decorar, elas revelam que existe cuidado e rotina naquele espaço.
Mistura com intenção

Uma das marcas mais claras de uma casa com cara de casa é a mistura.
Estilos que não foram pensados para conviver, peças de épocas diferentes e objetos comprados em lugares completamente distintos, mas que, juntos, formam uma composição especial.
Essa sensação não surge de um projeto fechado; ela é construída à medida que a casa vai sendo vivida, ajustada e preenchida com o que realmente importa.
Misturar bem não significa combinar tudo, e sim saber o que cada peça representa e como dialoga com o que já existe.
Uma cadeira vintage ao lado de um sofá contemporâneo, por exemplo, pode funcionar perfeitamente se houver um ponto de conexão entre eles. Seja a cor, o material ou a atmosfera que ambos ajudam a construir.
É essa camada de tempo e de escolhas conscientes que separa uma casa decorada de outra habitada.
Cantinhos especiais

As casas com cara de casa não têm apenas cômodos: elas contam com recantos. Espaços que parecem criados para uma pessoa específica e, por isso, imprimem personalidade.
Pode ser a mesinha ao lado da cadeira de leitura com a sua xícara preferida ou, então, a prateleira de livros que cresceu de forma orgânica e virou até uma pilha despretensiosa no canto da sala.
Esses cantinhos não nascem de um projeto fechado. Eles surgem naturalmente, conforme a casa é vivida, e revelam uma decoração construída ao longo do tempo.
O que evitar para a casa não virar catálogo?

Agora que você já sabe o que fazer para ter uma casa com cara de casa, chegou a hora de entender o que pode afastar desse objetivo.
Algumas escolhas parecem inofensivas quando vistas isoladamente. Juntas, porém, criam ambientes genéricos e sem identidade.
Renovar tudo ao mesmo tempo
Quando a casa recebe móveis, acessórios e objetos todos de uma vez, ela perde a sensação de acúmulo natural que o tempo cria. E o resultado parece montado porque, na verdade, foi mesmo.
Apostar no trio obrigatório

O famoso trio decorativo — três objetos no mesmo tom ou em tamanhos diferentes — virou uma das fórmulas mais repetidas da decoração. E fórmula, por definição, não transmite personalidade.
Achar que branco é universal
A escolha do branco pelo medo de errar ou com a justificativa de que combina com tudo também pode pesar. Afinal, é uma decisão que tende a resultar em um ambiente inofensivo e impessoal.
Dar atenção apenas à estética

Para garantir uma casa com cara de casa, esqueça a decoração pensada para as fotos e foque no ritmo da vida. Em geral, o ambiente que só fica bom quando está arrumado para o registro não foi pensado para ser habitado.
Se você quer aderir à tendência, já deve ter entendido que não se trata de um estilo a ser seguido.
Não há paleta obrigatória, lista de peças certas ou fórmula de sucesso. Trata-se de uma atitude: a de decorar a partir de dentro para fora, escolhendo o que fica com critério e deixando que cada detalhe diga algo sobre quem você é.
O melhor projeto de interiores é aquele que faz você querer ficar em casa. Porque, no fim das contas, uma casa bonita impressiona. Uma casa com cara de casa acolhe.
Se você quer continuar a transformar o seu espaço, leia também nosso guia sobre como usar cores quentes na decoração e descubra como aquecer qualquer ambiente com personalidade.